A compra e a venda de voto!

O Supremo trabalha nas finalizações sobre o Mensalão.  Sabemos que haverá sentenciados. Assim como sabemos que alguns réus serão beneficiados por coelhos atenuantes saídos da cartola mágica da Corporação. Da mesma forma que sabemos que os cofres não serão ressarcidos dos milhões desviados, e que Lula será blindado em nome da poesia histórica e da adolescência democrática. Mas será que sabemos, afinal, o que está sendo julgado? Respondo: a compra e a venda de votos. Alguém pagou caro, com o dinheiro do país, pelo fisiologismo da ocasião. A mercadoria foi a amarrotada e anestesiada consciência parlamentar.

A grande massa amorfa – que somos nós – vibra com as acusações de Joaquim Barbosa e fica perplexa com os posicionamentos controversos de Ricardo Lewandowsky, o advogado do diabo. Alguns do povo babam de satisfação quando percebem que figuras da elite podem receber o mesmo tratamento dos ladrões comuns. Mas eles são ladrões comuns! Apenas roubaram mais, vestiam roupas de grife, consideravam-se acima da lei, e acreditam, ainda hoje, que tudo o que fizeram foi em nome de uma causa maior, revolucionária, semidivina, e que nunca será compreendida por nós. Isso graças àquela tênue e perigosa linha que divide o exercício do poder da psicopatia.

Mas se o assunto é compra e venda de voto, nesse momento a torcida deveria ser toda contra o Supremo, a favor dos réus do Mensalão, pela absolvição (e, se possível, canonização) de Zé Dirceu e os de sua trupe, pois não é nada interessante criar esse precedente nas esferas federais. Vá que a moda pega! Vá que a prática de crucificar os compradores e vendedores de voto se transforme numa onda nacional e acabe respingando nos municípios brasileiros – na grande maioria dos municípios brasileiros – onde uma consciência custa um botijão de gás, ou uma conta de luz, ou de farmácia, ou a promessa de um cabide de emprego. Como é que ficam os miúdos vereadores de 300 votos? E como é que ficam os que venderam o voto?

Pensando bem, acho que a jurisprudência obtida no julgamento que acontece naquele país distante, chamado Brasil, jamais chegará ao nosso torrão. A menos que o pequeno corrupto da ponta, aquele que vende, fosse agraciado com a delação premiada, e que o segundo pequeno corrupto, aquele que compra, fosse agraciado com uma linda e exemplar ficha suja. A partir desse ponto poderíamos pensar em eliminar os ladrões no nascedouro!

Bem que alguém poderia perguntar isso pro Barbosa, mas sem comentar nada com o Lewandowky.   

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3 Comentários em “A compra e a venda de voto!”

  1. cerbero62 Says:

    ótimo texto. O povo brasileiro tá tão sedento de brasilidade que fica vendo heróis em quem mal cumpre a obrigação…

    estava viajando durante as eleições… não acompanhei nada do sufrágio e, desde que voltei, faz uma semana, só hj to começando a colocar a casa em ordem.
    O amigo tem números ou porcentagens de inválidos?

    • romacof Says:

      Caro Cerbero! Faço “olhos surdos” para a sua capciosa pergunta e devolvo: votos comprados são válidos? Por que sendo não poderíamos falar em sufrágio, mas em naufrágio!


  2. assim o total de votos inválidos é realmente incalculável… Estive lá na terrinha e descobri que passar por Portugal é chegar mais cedo no Brasil. Na verdade a impressão que fica é que o “naufrágio” começou no navio do Cabral… por pouco ele não chegou em terra…


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