Não é possível salvar a política por que não há nada para ser salvo.

Lula, o nosso super ex-presidente, em uma de suas viagens pelo exterior, afirmou que o mensalão não existiu. Isso tudo não passou de uma quimera midiática. Uma esparrela em que o país caiu. O mesmo país que agora assiste, já desinteressado, ao pomposo teatro judiciário focado em uma fantasia surreal. Equivale dizer que vultuosas quantias mudaram de direção e de mãos sem explicações válidas e ninguém fez isso, pois nada aconteceu. Segundo Lula tudo foi uma ilusão de ótica secundária ao frenesi investigativo da liberdade democrática, onde, aparentemente, não é pecado lançar falso testemunho, assim como não é crime roubar. O atual desenrolar não passa de uma formalidade acadêmica para que se estabeleça um ponto final. Sem preocupações contábeis ou morais. O segundo oba de um oba oba.

Há uma certa dificuldade ao se argumentar com os jovens sobre o que se espera dele ao ser inserido no contexto social. Já é difícil definir o que é certo ou que é errado. Por que há momentos em que a ética se aplica e por que, ocasionalmente, e sem explicações, ela pode ser sumariamente esquecida? Quando ser responsável é legal e quando o legal é ser esperto? Como estabelecer a linha limítrofe entre a cidadania e a marginalidade? E, fundamentalmente, quem são os exemplos que podem servir de padrão para as personalidades que ainda estão na linha de montagem? Uma coisa é certa: não procure por exemplos entre os homens que fazem da política o seu modo de vida. A probabilidade de que a escolha venha a ser uma grande decepção é enorme. Atualmente todos os poderes são olhados com desconfiança. E não vemos esforços reais para que isso mude.

Estamos às vésperas de um momento eleitoral. Em poucas semanas vamos escolher vários aprendizes de feiticeiro. Os grandes bruxos só serão escolhidos na próxima eleição. Todas as promessas e pretensos programas apontam para a preocupação com os indivíduos e com o conjunto deles. Como se esses homens e mulheres estivessem realmente preocupados com o que podem fazer pela massa. E eles apontam para o povo como algo acima do governo que o representa. Nada mais falso. No íntimo eles sabem que o povo apenas representa a alavanca que os permite participar do governo. Logo depois, a classe política, de forma quase unânime, considera que o governo é maior e está acima do povo. Um fascismo disfarçado, onde o ignorante e o impotente são ignorados pelo poder.

Ontem morreu Neil Armstrong, mas a marca de sua bota continua na Lua desde 1969, e, se ninguém pisar nela, ainda estará lá quando a humanidade for extinta. Mas há quem afirme que isso tudo é uma mentira que os americanos inventaram para justificar o custo do programa espacial. É! Talvez isso seja, afinal, um conto de fadas. Talvez o mensalão não tenha existido. Talvez nós estejamos nos preocupando demais com os jovens ou com os políticos. E talvez isso não tenha solução.

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One Comment em “Não é possível salvar a política por que não há nada para ser salvo.”

  1. Li Says:

    Concordo contigo e lamento.
    Nada pode ser salvo porque não há o que salvar,apenas a fé que tivermos na magia,mas isso é outra coisa.


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