A matemática do Mensalão

Enquanto avalio na net o novo gráfico do Modelo Padrão, já com o bóson de Higgs, a minha esquerda, uma TV, ponteada pelas vozes de Bonner e Patrícia Poeta, zumbe as loas recitadas por advogados que procuram transformar os 38 do Mensalão em criaturas angelicais da mais absoluta candura. São tão veementes em sua retórica jurídica e usam termos tão sábios e rebuscados que a minha parte estúpida (pois todos nós a temos) chega a pensar: “Será que tudo que nasceu há 8 anos (agora em 18 de setembro) foi uma fantasia inconsequente que colocou essas pobres almas na berlinda graças à maledicência de alguns?” “Será que estamos sendo absurdamente injustos?” “Como somos maus!” Depois, invertendo a premissa do direito que afirma que todo indivíduo é inocente até que se prove sua culpa, pois sabemos, por indignantes experiências velhas e recentes, que todo político é culpado até que se prove sua inocência, apaziguo a minha crise de consciência e assisto o resto do zumbido como se ele fizesse parte de uma ficção e não da realidade da qual faço parte, assim como você, ocasional e amnésico leitor.

Os ditos 73 milhões de reais – que alimentaram o esquema que, se alega, era direcionado por Zé Dirceu e sua trupe – não se movimentaram sozinhos. Alguém deu e alguém recebeu. Essa quantia, apontada por Gurgel, fora da concepção do homem comum, pode ser a metade do iceberg que nos é dado conhecer, mas que já nos arrepia por suas dimensões de zeros à direita.

Inevitável especular, ainda usando a regra da metade, sobre o longo e tedioso julgamento, nos intervalos entre os justos cochilos dos magistrados. Teremos uma metade de culpados. Dos 18 restantes teremos uma metade composta pelos que ainda não tiveram a prescrição de suas penas (como se os delitos caducassem!). Para facilitar a conta um dos 9 restantes pode até escapar por um dos meios normais que a vida faculta! Metade dos 8 restantes obterão alguma vantagem que os desvios da lei permitem: computando atenuantes, permitindo recorrências, ou prisões domiciliares em mansões. E, se a justiça funciona nesse país, 4 irão em cana. Mas terão a pena reduzida por bom comportamento e em muito menos da metade do tempo de 18 de setembro de 2004 até agora, voltarão ao convívio de seus pares, com suas dívidas pagas.

Como? Você quer saber sobre os 73 milhões? Que… 73? Que milhões? Ora! Parece doido!

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3 Comentários em “A matemática do Mensalão”


  1. Integrantes do PT julgados por ministros do STF escolhidos a dedo pelo presidente da República do PT.

    Queres maionese para por na pizza?

    • romacof Says:

      Eu tenho uma paciente que completou 95 anos. O nome dela é Esperança e ela está convicta de que ainda vai viver um bom tempo. Quando lhe perguntam de onde vem tanta certeza ela responde: “Tenho um monte de parentes ainda vivos e tudo mundo diz que a esperança é a última que morre”.

      Mas acho que a de lombo canadense com geléia de pimenta vai bem!


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