Papai! Quando eu crescer quero ser um juiz corrupto aposentado!

Este post nasceu de um comentário ao Blog Brasil dos Absurdos , por isso é um post, uma carta, uma resposta, e uma ponte.

Caro Declev (a propósito estive em “Quem é Declev?” e quero parabenizá-lo por seu status intelectual, que deduzo, do conteúdo de muitos dos comentários em seu blog, não foi devidamente considerado).

Cabe aqui a notícia: “O teto pago pelo INSS para os aposentados da iniciativa privada, conforme publicado no Diário Oficial da União, subiu para 3.912,20 reais mensais em janeiro de 2012.” O que a notícia não diz é que isso vale apenas para os mortais. Omite os conhecidos desvios, bovinamente aceitos por todos nós, e que valem para os que estão fora da privada, nos aproveitando da homonímia que a notícia proporciona.

Cabem aqui dois exemplos para estabelecermos um paralelo: Sou um médico aposentado compulsoriamente, após uma revascularização cardíaca, com os rendimentos estabelecidos pelo INSS em 2.535,06. O Sr juiz federal Weliton Militão dos Santos (vide operação Pasárgada), afastado por corrupção, também foi aposentado compulsoriamente por seus pares, com rendimentos iguais à remuneração integral dos imor(t)ais daquela esfera: algo, hoje, em torno de 31.000,00 reais mensais.

Conclusão possível (que quase poderia ser considerada um silogismo se não fosse um piada trágica): Enfartar é crime e a corrupção deve ser premiada.

Já dizia o profeta Manoel Bandeira: “Vou-me embora pra Pasárgada. Lá sou amigo do rei.”

Nossos estudos (os meus e o do Militão) não podem ser comparados em termos de tempo, esforços e dedicação. São baseados em paradigmas diferentes e movidos por necessidades e objetivos que os colocam muitas vezes em paralelismos conflitantes. Há quem diga que os juízes (pelo menos os íntegros), são fundamentais nas inúmeras questões conflitantes envolvendo os seres humanos. Outros defendem a importância dos médicos, onde a integridade também é um quesito básico, na tentativa de minimizar o sofrimento dos seres humanos. E aproveito para deixar um recado aos defensores daquela proposta simplista: “Não seja invejoso, estude, passe num concurso público, e deixe de reclamar!” Se todo brasileiro fizer isso faltarão médicos, professores, engenheiros, psicólogos, pedreiros, mecânicos, e por aí vai, e sobrarão funcionários públicos, mas sem o público que paga os seus salários. Pelo menos para todos aqueles que sentem a necessidade de trabalhar com algo que lhes preencha a alma e não a mala, o primeiro pensamento não é o que eu vou ganhar, mas de que forma posso participar e ser útil nessa zorra geral.

Não pretendo diminuir a importância dos juízes. Não tenho os elementos e nem a vivência necessária para julgar os problemas que esses profissionais enfrentam na vida. Em contrapartida posso afirmar a total ignorância dos senhores juízes, de qualquer instância, sobre os tipos de dificuldades enfrentadas pelos médicos. E isso se aplicar em relação às outras profissões, e aos seres humanos, e aos seus conflitos, e às suas necessidades… ou, pelo menos, é o que podemos deduzir da falta de sensibilidade expressa nas relações desse poder com o povo.

Em tempo: Com o objetivo de escrever um post para o “Cágado Xadrez” entrei em seu blog procurando informações sobre os ganhos de um juiz aposentado. (Dor de cotovelo depois de 5 dias de UTI para um cateterismo, e sendo vizinho de box de um juiz com uma mentalidade de ostra). Resolvi fazer um post do comentário e vice-versa. Um abraço e boa sorte em sua cruzada.

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2 Comentários em “Papai! Quando eu crescer quero ser um juiz corrupto aposentado!”

  1. cerbero62 Says:

    (…)São baseados em paradigmas diferentes e movidos por necessidades e objetivos que os colocam muitas vezes em paralelismos conflitantes(…)

    Romacof… vc é meu ídolo!

    vc tocou num ponto delicado (entre tantos): como pode um juiz com um salário de 31 mil e um padrão de vida relativo a este valor, julgar o filho de um magnata que atropela um ciclista a 135 km/h, sem ter a menor consciência de como é o dia a dia desta criatura, com um padrão de vida relativo aos milhões que o pai ganha? Não é um disparate?

    • romacof Says:

      Amigo! Se me perguntassem qual é o segundo pecado capital mais cometido – depois da luxúria, é claro, em que todos nós escorregamos, até por instinto – eu diria que é a soberba! Vi residentes ainda de cueros destratarem funcionários da área de saúde como se a realeza lhes habitasse a barriga depois de lhes terem enfiado um diploma ainda cru (deixando a possível rima para a imaginação de quem lê!). Quando questionados sobre aquela falta de sensibilidade respondiam que eles iriam ganhar muito e aqueles outros já haviam chegado ao topo de suas capacidades produtivas. Estavam prometendo perpetuar para o seu particular mercadinho futuro a confusão entre o ter e o ser. E essas criaturas, individualmente, nem podem ser culpadas pela distorção, pois aprendem isso no berço, ou foram tomadas por um sentimento de vingança contra a sociedade que as humilhou. Coisas assim. Juízes não são diferentes. A meu ver é uma doença social e podemos nos considerar felizes por perceber a existência dela. Já vi indivíduos que se enquadravam no mesmo lado político em que eu estava, que, ao verem a eleição ganha, gritavam: “Agora é a nossa vez de mamar!” Mamar, mandar, destratar, humilhar, cagar e andar! 😦


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