A terceirização da interlocução.

“Para que você possa visualizar o site do Banco Confie-Em-Nós é necessário instalar em seu computador a nova versão do software Javé. Você quer instalar o software recomendado?”

O lado on-line da vida nos apresenta inúmeros impasses para os quais não estamos preparados e temos que confiar cegamente naqueles que puxam os fios, pois do outro lado não há ninguém com quem você possa contra-argumentar, ou, pelo menos, xingar ou chutar. Exemplo: abra o laptop. Vá ao Explorer. Nos favoritos tecle no link para o seu banco (afinal, a terça gorda morreu e para que a ressaca siga o mesmo rumo é fundamental esfregar o rosto na frieza da realidade!). Tente acessar a sua conta. Como o ano brasileiramente acabou de começar são criadas novas maquiagens para que se tenha a impressão de que realmente alguma coisa mudou e vai aparecer um quadro no seu écran (eu sou do tempo do écran!) com a seguinte mensagem: “Para que você possa visualizar o site do Banco Confie-Em-Nós é necessário instalar em seu computador a nova versão do software Javé. Você quer instalar o software recomendado?” Não! É claro que não! Essas porras levam uma data se acomodando nas entranhas da sua máquina e você está com pressa.  O Carnaval acabou. O mundo não. Tecle em NÃO e vá direto ao site do banco. Amanhã você instala o tal troço! A sua tela é invadida por palavras sem nexo (ou com nexo só pra quem tem falta de sexo), e, muito mais importante, não lhe permitirão entrar em sua conta bancária. Não há outro jeito! Tecle SIM (eu quero instalar o novíssimo software Javé-seja-lá-o-que-for!) e vá passar um café!

Quando você retornar, bebericando o café, espera que o programa que vai permitir que você consiga por as mãos em seus tostões virtuais já tenha sido instalado, mas encontra um novo aviso: “A procedência do programa que você deseja instalar não foi detectada. A confiabilidade do mesmo não pode ser determinada. A instalação pode acarretar sérios prejuízos ao seu computador. Deseja continuar com a instalação?” Não parece uma brincadeira de mau gosto?

Não adianta reclamar pro papa. O serviço telefônico do banco vai jogar peteca com você num emaranhado de opções numéricas impessoais que sempre levarão a uma única conclusão: se alguma coisa der errada a culpa é sua, pois foi você quem escolheu. Sem saída! Tecla-se SIM (eu sei que serei responsável pelos possíveis estragos que a novíssima versão do software Javé vier a causar ao meu computador, em seus esforços para que eu acesse a minha conta do Banco Confie-Em-Nós!)

Nos tempos do DOS o cara escrevia no prompt: “format C”. O computador, não acreditando na idiotice que você ia cometer, ainda lhe dava uma chance: “format C? are you sure? Y/N”. E você, convicto, orgulhoso de seu conhecimento de informática e inglês digitava: “Y“, e depois “Return.” Pronto! Estava feita a cagada. Podia até se desesperar, mas só você era o responsável.

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4 Comentários em “A terceirização da interlocução.”

  1. camargo Says:

    sabe, não tenho muito a dizer… quantas vezes já passei por coisas parecidas… acho que todo mundo já passou… mas o que posso dizer é que vc manja muuuuiiiito mais de informática que eu….

    • romacof Says:

      Já fiz programas com o Visual-Basic (nos quarenta dias após o nascimento de meus filhos). Era até divertido. Havia um, que a gente mandava pros amigos, que ao ser executado travava o computador do destinatário e desenhava na tela um aviso com todos os sinais possíveis de alerta e os seguintes dizeres em vermelho: “ATENÇÃO! UM GRAVÍSSIMO PROBLEMA ACONTECEU COM SUA MÁQUINA E SEU DISCO RÍGIDO SERÁ APAGADO. A CAUSA PROVÁVEL DISSO É QUE VOCÊ TEM UM PÊNIS PEQUENO! VOCÊ CONFIRMA? SIM OU NÃO?”. A caixa de mensagem tinha dois objetos “botões-de-comando”: um com caption SIM e o outro com NÃO. O botão com o SIM era fixado ao “formulário” mas o do NÃO respondia ao evento “mouse-sobre-o-botão” e se movia para outra posição toda vez que se tentava clicar nele. Não havia saída. O cara tinha que capitular clicando no SIM, reconhecendo que era portador de um pênis pequeno. Ou isso ou só resetando pra destravar o computador.
      Muitos me confessaram que, na intimidade e solidão de seus quartos, haviam olhado para os dois lados antes de clicar no SIM.

  2. Li Says:

    Bom dia,amigo!

    Sou uma sortuda por abdicar dessas facilidades virtuais,rs.

    Vou ao banco e os comprovantes do caixa fácil são todos
    jurassicamente xerocados.


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