Meu IPod deu pau.

 

Um cunhado me perguntou: “…onde estão as brahmas pra por na frigidaire?”

Há marcas que se transformaram no termo designativo do objeto. Como “gillette”, “bom-bril”,  “modess”, “jeep”, “quiboa”, “omo”, e tantos outros, independentemente da origem comercial de cada um. Há clichês ligados a uma determinada marca que se transformaram em expressões. É assim com “põe na Consul”, “só pode ser Brastemp”, e “o primeiro Gradiente ninguém esquece!” No meu caso, em relação ao primeiro Gradiente, posso afirmar que ele realmente se transformou num objeto inesquecível. Tanto que a reação automática, quando me oferecem um, é dizer: “Não!”.

A lavagem cerebral televisiva criou outros ícones comerciais que ocasionalmente viraram piadas. Nada corta melhor do que uma “faca Ginsu” (a que tem 52 anos de garantia). Talvez só não corte as “meias Vivarina” (a ideal para quem tem gatos). Você não poderá viver sem os “óculos Ambervision” (testados cientificamente). Principalmente quando costuma riscar e por fogo no capô do carro para depois poder usar a (lendária) cera “Auri-Shine”, ou para proteger os olhos quando sua namorada tira a blusa e está usando (o sensual e auto-adesivo) “Invisible Braw”. Quanto à Ginsu afirmo que tenho uma que sai da validade em 2045 e está cortando muito bem há 18 anos. (Embora eu nunca tenha cortado canos de chumbo com ela como o comercial recomenda!)

Enquanto algumas marcas ficam pra substantivar objetos, alguns objetos vão sendo colocados na antecâmara dos museus. Alguém já teve um Três em Um Panasonic (rádio AM-FM estéreo, gravador de fita-cassete e toca-disco)? O fita-cassete era auto-reverse? O toca-disco reproduzia só os long-plays de vinil a 45 rpm ou podia converter para um goma-laca de 78 rpm? Se o tempo rapidamente atropela o CD, e já está out um MP3 player, imagine um Três em Um.

Da mesma forma que ninguém mais “bota um vinil na vitrola!”, quando se pergunta se “tem uma USB livre pro pendrive” se corre o risco de chegar atrasado e tropeçar num invisível Blue-Tooth.

E agora meu IPod deu pau… coisa velha é assim mesmo!

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6 Comentários em “Meu IPod deu pau.”

  1. Franci23 Says:

    Pois é o tempo passa e as coisas se vão rapidamente, lembro de ter quebrado o citado 3 em 1 que o meu pai possuia, isso quando eu era muito muleque, lembro até hoje a cara que o velho fez e o cagaço que fiquei… Tenho tambem boas recordações de outrora como os meus vinís que estão só pegando poeira pois não consigo uma vitrola barata para rodalos…
    Mas o tempo é assim o antigo se vai para dar espaço ao novo que as vezes nem é tão bom assim, a qualidade do audio de um vinil esta a anos luz a frente do que a de um arquivo MP3, isto é fato. Quanto ao seu IPod, fique tranquilo pois estes aparelhos são feitos para quebrar para você ser obrigado a comprar um novo.

  2. Monica Says:

    Lá na casa do meus pais ainda tem um bocado dessas peças de museu: radiola, projetor de Super 8, gravador de rolo, máquina de escrever manual e, chegando mais perto, videocassete e walkman. Só mesmo um museu pra aceitar… 🙂
    Mas é isso, se segura porque ainda deve vir muito mais por aí. Mudar sempre mudou, né, a loucura hoje em dia é a velocidade da mudança. E como o que estava atrás torna-se simplesmente obsoleto.


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