A proibição das anfetaminas.

A polêmica da hora está por conta da proibição das anfetaminas. Para quem não sabe as anfetaminas são drogas usadas para emagrecer (femproporex, mazindol e anfepramona, também conhecida como dietilpropiona), mas como um dos seus efeitos colaterais é tirar o sono muitos usam essa droga para ficarem ligados. Na estrada os motoristas as conhecem pelo apelido de arrebite ou rebite. A ANVISA proibiu. O Conselho Federal de Medicina pretende entrar na justiça pra derrubar a decisão da ANVISA. Num pacote paralelo aumentaram a restrição comercial à Sibutramina, um antidepressivo utilizado como inibidor do apetite, que já não é usado, por conta dos possíveis riscos para a saúde cardiovascular do usuário na América do Norte, em quase toda Europa, na Austrália, na Argentina, no Uruguai e no Paraguai.

A pergunta é: adianta proibir ou restringir? Recentemente houve uma normatização pela ANVISA no uso dos antibióticos que incluía a venda mediante receita em duas vias. Isto ocorreu em 28 de novembro do ano passado e as farmácias tinham 180 dias para se adaptarem às novas regras; ou seja: até o fim de maio passado. Mas continuo a ver todos os dias pacientes se automedicando com anti-infecciosos comprados e usados conforme a receita da comadre. Cada dia fica mais difícil encontrar uma conduta eficaz contra certas bactérias.

Quem nos garante que as proibições atuais realmente surtirão efeito? Já existe um comércio ilegal para os anorexígenos. O arrebite pode ser adquirido como troco nos lugares que comercializam drogas mais pesadas. As anfetaminas só foram levadas oficialmente à clandestinidade e logo ganharão o status de pecado. Portanto muito mais atraentes!

A proibição total é quase tão nociva quanto a liberação total. Quem fabrica extra-oficialmente vai continuar fabricando, mesmo por que o lucro é muito maior do que a multa ocasional. O dependente químico vai continuar comprando, certamente com um pouco mais de trabalho e gastando mais. Quem vende também terá mais trabalho, mas ganhará mais. E isso tudo vai acontecer mesmo que os médicos sejam proibidos de receitar. Nada resolveria, a curto prazo, educar os  usuários e os potencialmente usuários; talvez no futuro isto seja útil, mas muita água vai rolar antes de mudanças notáveis serem visualizadas. Como a dor no bolso é a que realmente deixa marcas memoráveis, acho que o caminho é liberar, normatizar e taxar as eventuais irregularidades. Mas taxar muito bem! E isso vale para a maconha, para a cerveja e para os comerciais idiotas.

Vivo numa terra de caminhoneiros há 30 anos e eles sabem que receita de arrebite nem pagando muito bem. Não me interessa um consultório com fila pra comprar esse tipo de receita. Não quero nem um boteco com fama de boca de fumo. Quando um paciente me pergunta se usar arrebite faz mal pra saúde  eu respondo: que a mulher dele é jovem e bonita, que e os filhos dele são novinhos, e que se ele for ao banco e fizer um seguro de vida coxudo em nome da mulher e dos filhos, por mim ele pode se arrebitar até ficar mais travado que caminhão na lomba. Se o arrebite não fizer mal ele só vai sentir uma dorzinha no bolso. Se fizer mal a família dele vai chorar feliz.

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6 Comentários em “A proibição das anfetaminas.”

  1. Alan Cichela Says:

    Como sempre opinões bem embasadas, e eu sempre acho bom ler teus post´s, sei que ando comentando pouco, mas estou sempre aqui meu caro, e sempre acho que observar seus comentários são de uma enorme valia!

    Abraços

  2. Franci23 Says:

    Caramba estas inspirado mesmo, gostei do conceito no final do post, já que não tem jeito que não foda quem ira ficar heeheh


  3. “Taxar adequadamente” tudo bem. Meter um imposto alto para controlar o uso só gera contrabando e aumenta o uso ilegal.

    • romacof Says:

      Imposto é sinônimo de desvio. Vai pra um bolo onde as “rubrÍcas” se enredam e caem nas artimanhas para justificar os gerenciamentos das coisas públicas complexas.
      Não podemos negar que o uso inadequado gera despesas. Sendo ele liberado ou não. Se for liberado e bem taxado a arrecadação colateral pode financiar a inevitável despesa. Não a proibição, mas o custo resultante do uso inadequado. Assim o usuário financia o tratamento das conseqüências do mau uso.
      Quase como cobrar ingresso pra um paradoxal show de horrores oculto.


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