A história do carossel bancário.

 Sigam o meu raciocínio, e me digam se não é difícil para um leigo entender a coisa toda. Desde que começou essa novela das crises econômicas – um dia com a Grécia mal das pernas e no outro a Itália, sem esquecer a ameaça de calote estadunidense, com a gangorra do dólar e o euro em cheque – a economia mundial, como um todo, perdeu (segundo Alexandre Tombine) cerca de 10 trilhões de dólares!

Deixa ver se entendi! Um sistema fechado (pois tanto quanto se sabe a Terra não tem negócios com nenhum outro planeta) perdeu 10 trilhões de dólares? Mas como isso é possível? Num sistema fechado o dinheiro não pode virar fumaça. No máximo ele muda de dono. Alguém perde, mas alguém ganha. Logo a economia não poderia perder tal soma. A menos… a menos que esta bagatela tenha sido dada como perdida, mas, na verdade, nunca tenha existido. Quem sabe deveríamos dizer que foram perdidos os valores que estavam sendo especulados numa projeção de ganhos, ou que havia uma falsa valorização de bens no mercado futuro, ou a rentabilidade virtual para as aplicações que possivelmente seriam feitas já haviam sido computadas como saldo real. Sei lá! O economês é tão criativo na terminologia para definir o vento!

Houve um tempo em que não havia essa história de compensação automática dos cheques – ela durava até 3 dias. Não havia internet e o computador era um trambolho do tamanho de um contêiner que só sabia alguma coisa se engolisse caixas e caixas de cartões perfurados. O cara no aperto tinha uma conta em três bancos. De dois em dois dias, numa seqüência, corria ao 1º banco e fazia um depósito com um cheque do 3º banco, que ao ser compensado cobriria o furo deixado por um cheque do 1º banco, que fora depositado no 2º banco para cobrir o buraco deixado por um cheque do 2º banco, que fora depositado no 3º banco para não deixar a descoberto o cheque depositado no 1º banco lá no começo do ciclo, e assim ad eternum, ou até que sobrasse algum dinheiro. Essa manobra recebia o nome de carrossel. O dinheiro só existia na promessa expressa nos cheques colocados em compensação. Se isso fosse descoberto dava cadeia.

Mas hoje não dá mais! Claro, você precisa ser no mínimo dono de um banco. E se o carrossel quebrar quem vai pagar a conta é um grego, ou um italiano, ou você!

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2 Comentários em “A história do carossel bancário.”


  1. O pior é que ainda faltam outros dez trilhões de “perda” deste mesmo tipo até que as obrigações bancárias sejam reduzidas ao mesmo patamar da riqueza real circulante.

    Ou seja, a loucura ainda não acabou, só chegou na metade…

    • romacof Says:

      É verdade. Minha vó dizia que castelo de cartas não dá casa a ninguém! Pois ela deve estar virada no túmulo se soube a quantidade de gente que mora nas cartas, na areia, no banhado, no virtual, no especulativo, no faz de conta, e por aí vai!


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