Especulações sobre a nossa natureza divina (ou o Nascimento de Deus)

Qual seria, atualmente, o interesse desta civilização avançada em nos contatar?  … O avanço e a aplicação de seus conhecimentos, para nós, seriam distinguíveis de um ato mágico? Ou de um ato divino?

Atualmente a teoria que prevalece sobre a origem do universo é a do “Big Bang”, proposta pelo belga Georges Lemaître, em 1927. Como toda teoria ela permanecerá como explicação enquanto não for refutada. No momento ela tem sobrevivido aos críticos com poucos arranhões com base nas observações científicas possíveis. Segundo ela o universo teria se originado há aproximadamente 13,7 bilhões de anos a partir de uma região extremamente quente e densa. Nesta região não existiam partículas elementares (tais como os quarks) e tampouco as interações fundamentais estabelecidas pela física moderna. A convenção é de que a duração desse momento foi de 1 tempo de Planck, o que equivale à uma absurda fração de segundo com 43 zeros depois da vírgula, ou o menor volume e o menor intervalo de tempo possível para o universo. Considerando o conteúdo teórico de algo tão pequeno e por um tempo tão fugaz, ao mesmo tempo capaz de originar a miríade de galáxias hoje existentes, pode-se tentar imaginar o quão denso e quente teria sido este mingau original, e que, afinal, ele só poderia mesmo explodir!

Após a formação das partículas originais – dos primeiros segundos até os 3 primeiros minutos – a interação das forças físicas na expansão vertiginosa do plasma de quarks permitiu, agrupando-os em trios, a formação dos primeiros prótons e neutros, e a criação dos núcleos dos átomos de hidrogênio, hélio e lítio.

O hidrogênio é o combustível fundamental de uma estrela e representa 75% dos elementos existentes no universo. Os demais elementos, com mais de 3 prótons em seus núcleos, tiveram que esperar a primeira geração de estrelas gigantes e a morte delas, cerca de 300 a 500 milhões de anos, pois foram gerados em suas entranhas, por fissão nuclear, quando elas entraram em colapso e explodiram. Desta forma, há 13,2 bilhões de anos surgiram no cenário universal os elementos que permitiriam a formação de planetas sólidos e o substrato para a vida. Entre eles o oxigênio, o carbono e o nitrogênio. O oxigênio é o sócio do hidrogênio na formação da água. Logo, a água, diluente e veículo indispensável para a vida como a conhecemos, só foi possível a partir deste momento. Mas o tempo entre a possibilidade de dois átomos de hidrogênio combinarem com um átomo de oxigênio para formarem a primeira molécula de água e o aparecimento real de água em estado líquido numa poça ignota sobre um planeta rochoso precisou esperar pelo menos mais 2 bilhões de anos. Pois foi necessário o nascimento de uma segunda geração de estrelas, e que entre elas existissem algumas com dimensões semelhantes às do nosso Sol para que não explodissem antes de darem uma chance à vida, e que entre essas estrelas algumas carregassem em suas órbitas planetas sólidos, não tão próximos da estrela para não serem quentes demais e nem tão distantes para não serem frios demais, e ainda não tão pequenos para que pudessem reter uma atmosfera e nem tão grandes para que a atmosfera não se transformasse numa prensa jupteriana.

Aparentemente são muitos os fatores necessários, mas num universo com bilhões de galáxias cada qual com bilhões de estrelas o próprio acaso conjura a favor de uma possibilidade positiva. Tanto que estamos aqui! É evidente que nesta análise especulativa não estamos considerando todas as variáveis que fogem dos parâmetros humanos e que poderiam ter sido aproveitadas pela vida em formatos que nem somos capazes de imaginar. Mas, de forma simplificada, para seguir o presente raciocínio, vamos considerar que a vida como nós a conhecemos é a alternativa mais prática, ou econômica, ou barata, ou mais lógica, pois, pelo menos em nosso planeta, o número de espécies passa dos 8 milhões, e neste número estamos ignorando as incontáveis milhões de espécies que já foram extintas nos 4,7 bilhões de anos de existência do planeta. Logo, este modelo que tem se mostrado bastante pródigo, mesmo que não seja o único, pode ter se apresentado de forma semelhante em outras partes, e outros tempos, no universo.

Sabemos que para o nosso modelo não basta a água em estado líquido num planeta sólido em cuja crosta estejam presentes os demais elementos químicos. Vamos considerar também os outros dois sócios do hidrogênio. O nitrogênio, com que forma a amônia (NH₃) e o carbono com que forma o metano (CH₄). Outra sociedade básica é a do carbono com o oxigênio (CO₂), ou gás carbônico. A água, a amônia, o metano e o gás carbônico são os mosqueteiros da luta pela vida. Eu daria à água o papel de Dartanhan. Quando estudantes guardávamos o som “CHON” para memorizar os 4 elementos básicos. Com eles são construídas quase a totalidade das moléculas que comandam, suportam, e alimentam o metabolismo do seres vivos, incluído as quatro bases nitrogenadas do DNA. Outros são necessários em pequenas porções, mas indispensáveis para que as reações químicas sejam possíveis, como o fósforo, o potássio, o sódio, o enxôfre, o cálcio e o cloro, e ainda outros em menores quantidades como o ferro, o flúor, o iodo, o cobre, o zinco, e o manganês. Todos disponíveis no substrato planetário em que a vida quer se intrometer.

Tudo estando disponível, nas quantias certas, no ambiente favorável, recebendo os solavancos e os desafios que estimulam a evolução, vacúolos primitivos criados pelas forças físicas inevitáveis da tensão superficial e submersos no barro úmido oferecerão em seus interiores microcosmos acolhedores e necessários para que organelas primitivas se insinuem com suas moléculas replicantes. Estas estruturas um dia isoladas e em outro momento recombinadas, simulando defesas e mecanismos de sobrevivência, mimetizando proto-virus, agarrados a um esboço de RNA como a uma tábua de salvação num mar inóspito, evoluirão para bactérias, que um dia, por inclusão, passarão a mitocôndrias simbióticas de um ser unicelular, que salvarão o seu tesouro de comando num núcleo, criando apêndices e espaços digestivos, crescendo e descobrindo soluções para os problemas, num lento roteiro darwiniano rumo aos seres pluricelulares, causando arrepios e náuseas aos criacionistas.

Aqui cabe um comentário: o fato é que com a aquiescência ou não dos que exigem o determinismo divino é muito mais miraculoso a utilização deste complexo, moroso e gradativo processo de transformação para chegar a algo superior do que a utilização simplista de uma varinha mágica que dogmatiza, mas não explica por que as coisas são como são.

Dizíamos que seriam necessários outros 2 bilhões de anos para que estas condições especiais surgissem em algum lugar. Logo, há 11,2 bilhões de anos atrás. Também sabemos que nos padrões que conhecemos seriam necessários mais 3,7 bilhões de anos para que num planeta como o nosso a vida evolua e desenvolva uma civilização capaz de se surpreender com suas origens e destinos possíveis e faça especulações sobre o seu papel no universo. Com isto, é possível que há 7,5 bilhões de anos já existisse no universo uma civilização semelhante à nossa.

As correntes pessimistas afirmam que as civilizações tendem para a extinção num curto espaço de tempo de alguns milhares de anos por fatores múltiplos, como epidemias, guerras, mudanças climáticas bruscas como glaciações ou aquecimentos, catástrofes cósmicas, e becos evolutivos. Uma variada gama de possibilidades apocalípticas mesclada com pandemias letais.

Mas sem uma extinção total por obra de um fenômeno cataclísmico qualquer este palco que montamos para que a vida tentasse uma evolução continuada desde os primórdios do universo criaria uma possibilidade bastante interessante. A evidente disparidade temporal entre a hipotética civilização primordial e a nossa é a mais marcante. Se considerarmos que a nossa civilização tem cerca de 10 mil anos, poderíamos dizer que o abismo temporal entre as duas espécies seria hoje o equivalente ao de 750 mil civilizações. Um tempo razoável. Qual seriam as diferenças mentais entre essas duas civilizações?

Qual seria, atualmente, o interesse desta civilização avançada em nos contatar? Qual seria o nível de entendimento ou de conversação? Em que nível evolutivo esta espécie estaria? Nós conseguiríamos compreendê-los? Ou percebê-los? Eles teriam forma? Estariam presos a uma base orgânica como nós? Quais seria o seu domínio sobre as forças da natureza? Será que esta espécie ainda conservaria a individualidade de seus elementos? Ou seria um ser coletivo? O avanço e a aplicação de seus conhecimentos, para nós, seriam distinguíveis de um ato mágico? Ou de um ato divino?

Seguindo esta mesma ótica nada impede que já tenhamos entrado em contato com tal ser ou seres, ou outros em estágio intermediário, em nosso passado remoto, o que explicaria a profusão de mitos sobre divindades que nos criam, alimentam, acalentam, ensinam, limitam, julgam e depois somem. Assim seria possível imaginar esses seres e a sua atual atitude de afastamento, como quem observa à distância, mas não se imiscuindo dos negócios terrenos, tampouco se interessando com os problemas individuais, mas quem sabe monitorando o avanço da nossa espécie como um todo, na expectativa de que um dia possamos nos somar a eles em imagem e semelhança.

Podemos continuar nossa viagem especulando sobre a nossa relação com esses possíveis primos que estariam vivendo num estágio evolutivo tão superior que talvez não sejamos capazes de identificá-los ou imaginá-los.

O nosso sol está em atividade há 5 bilhões de anos e tudo indica que ainda permanecerá na seqüência principal por mais 5 bilhões de anos. Digamos que no tempo restante, não acontecendo nenhuma catástrofe que nos apague da face do universo, o sol ainda possa aquecer adequadamente a vida no planeta Terra por mais uns 2,5 bilhões de anos antes de se tornar instável. Logo, se tivermos sorte e formos inteligentes para nos mantermos vivos, e cooperantes, a nossa infante civilização pode evoluir física ou espiritualmente por mais 2,5 bilhões de anos neste planeta. Ou mais provavelmente espalhada por uma fatia significativa da galáxia, obedecendo ao princípio de que não é inteligente guardar todos os ovos na mesma cesta. Em 2,5 bilhões de anos os nossos hipotéticos primos que vínhamos analisando desde o início desta especulação poderiam, considerando toda uma vida feliz e fecunda para esta espécie, contar com 10 bilhões de anos de evolução. Ou 4 vezes mais tempo do que nós. Em comparação com a brutal diferença atual de 750 mil vezes observamos uma redução drástica e significativa na proporção, mesmo considerando que algumas das possibilidades evolutivas se ofereçam numa proporção geométrica. Logo, no futuro, é possível uma proximidade muito maior. O que abre a promessa de um entendimento mútuo. Quiçá uma cooperação!

Aparentemente, num futuro próximo, vamos continuar aqui nos arrastando no processo de tentar a partir de alguma criação tecnológica a não permanência em um só planeta passível de destruição. Podemos também tentar melhorar nossa relação com a natureza, seja lá o que ela signifique ou o que significa esta relação melhorada, afinal temos bastante tempo paras isso, quem sabe mais 2,5 bilhões de anos na velha Terra, ou espalhados por aí. Pode ser que a depuração genética ainda nos permita saltos em direção a algo melhor. Pode ser que aquilo que alguns rotulam como alma e que insufla nossas carnes como uma mola ambivalente dividida entre o bem e o mal tenha um porto numa dimensão insuspeita. Pode ser que o método de ir e vir, reencarnando, numa intencionalidade purificadora, seja a sistemática para levar ao porto uma nova carga de experiência evolutiva. Ou talvez, tristemente, a chama se apague para cada indivíduo e o que conta, afinal, é a espécie como um todo e o seu produto final. Poderíamos até criar figuras de linguagem, demonstrações gráfica, e religiões modernas que afirmem que deus está nascendo e que nós fazemos parte desse processo. Quem sabe um dia haja um encontro com outros que já há alguns bilhões de anos estão nesse processo. Mais uma teoria passível de erro como todas as outras.

Ou não!

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19 Comentários em “Especulações sobre a nossa natureza divina (ou o Nascimento de Deus)”

  1. camargo Says:

    “Quem sabe um dia haja um encontro com outros que já há alguns bilhões de anos estão nesse processo. Mais uma teoria passível de erro como todas as outras…”

    concordo plenamente… e até considero que esse encontro acontece naturalmente, todo dia…

    recentemente estive no museu em Porto Alegre, onde tem uma exposição de zoólitos dos sambaquis… um deles é um perfeito avião (embora esteja descrito como um peixe)…

    se um dia se interessar, leia o livro UNIVERSO E VIDA…

    é claro que não é uma resposta a tanto questionamento, mas, além de novas perguntas, tem respostas interessantes…

    • romacof Says:

      Quando postei “Especulações” pensei: Além do Camargo e do Pierre, será que mais alguém vai ler algo com mais de 2000 palavras? Agora só falta o comentário do Pierre! …Se “Universo e Vida ” faz novas perguntas estamos bem, já que ficou claro que as respostas não esclarecem coisa alguma! …

  2. Judith Rolim Says:

    Parabéns pelo texto Dr. ele me fez criar mais um monte de perguntas, mas também me deu umas respostas. Nunca entendi essa da criação da vida ou do mundo em 7 dias…
    Belissima texto..

    • romacof Says:

      Seja bem vinda Judith! Estou ficando surpreso com o estômago dos viajantes lendo essas coisas longas e chatas. Mas também longa e chata é uma estrada para se ir a algum lugar, não é verdade? Quanto à versão dos sete dias ela era boa para o entendimento e a aceitação das pessoas que viviam há 6 ou 7 mil anos. Hoje, mesmo sem a pretensão de sermos deuses, não precisamos passar um atestado de ignorância . Um tecno-molho na filosofia cai bem!


  3. o universo e vida tem um capítulo chamado: Átrios da protoconsciência… vale a pena ler.

    • romacof Says:

      Acabei de ler “Átrios da Protoconsciência”. Obrigado pela dica. Muito interessante. “…na substância não existe matéria, no sentido em que a compreendeis; apenas há movimento….”. Confesso que não aprecio o “estilo” do narrador usando a segunda pessoa no plural. Cansa e desvia a atenção. Também não comungo com certas relações de causa e efeito que requerem pontos de fé. A fé abre portas para más interpretações. Mas ajustado o tradutor interno para esses dois quesitos fiquei feliz em saber que a minha loucura é bem mais antiga. Sempre é bom não ser um louco só. 🙂


  4. mesmo que causa/efeito e lógica pareçam palavras incongruentes, ambas precisam viver ajustadas. Ainda mais difícil é ajustar fé com lógica, mesmo partindo-se do princípio que a fé precisa ser raciocinada, porque o raciocínio humano tem a natural mania de ser tendencioso… Porém, se esses feitos mentais forem possíveis, muita sombra se dissipará… (palavra da salvação!).
    Concordo também sobre o texto na segunda pessoa do plural, é chatíssimo e fora de época.
    Eu já fiquei louco com esse texto lá na adolescência… li de novo com diversas idades e a loucura continua… quando li tua postagem pensei: vamos montar um clube…
    Ah! Em tempo… gosto muito deste livro não tanto pelo conteúdo em si, mas por ser contestadíssimo no meio…

    • romacof Says:

      Tenho visto a fé dissociada de qualquer raciocínio. As pessoas chegam e me dizem que tal coisa é assim ou assado por que Deus determinou ou é a vontade de Jesus. Para mim o que é baseado na fé cega não passa de uma teoria do “não tem explicação explicado está.” Houve vezes em que até senti uma ponta de inveja de quem tem fé quando vejo nos olhos dessa pessoa que ela se satisfaz com a simplificação do “está fora do meu alcance não me pertence”. Mas na maioria das vezes prefiro ficar insatisfeito com a racionalização incompleta do que satisfeito com a fé que finge estar completa. Palavra da perdição!


      • é vero…
        considero que há coisas que a nossa capacidade de entender ainda não alcança, mas um dia vai alcançar… imagina tentar explicar uma ponte de Einstein-Rosen pra um cientista do século XIV… isso poderia cair no ouvido de um inquisidor e todos queimariam na fogueira.
        creio que de experimento em experimento, e sem deixar nunca de experimentar, entenderemos a criação… um dia.

  5. Li Says:

    Parabéns pelo texto,impecável,como sempre.

    De hoje até o dia 17 de Outubro,Elenin estará em estranhos alinhamentos com a terra,para muitos esses alinhamentos são
    portais para uma elevação de consciência.

    Espero que sim,estamos precisando,rs.

    Passei para dizer o quanto me encantei com o Pierre.
    Não sei se isso vale de alguma coisa.
    Mas para quem ama ler,encontrar um personagem,que se torna encantador,é muito bom.

    E eu tenho minha galeria de personagens inesquecíveis.
    Pierre conquistou espaço nela.
    E o melhor,de autor brasileiro.

    Se importar,saiba que me sinto honrada em conhece-lo.

    Digo isso porque são as pequenas coisas(tornadas grandes)
    que fazem essa vida valer ser vivida.

    Pode ser um personagem.
    Um objeto de arte.
    Um momento perfeito.
    Um lugar.
    Uma comida gostosa.
    Qualquer coisa,por menor que seja,que toque nosso coração.

    Num mundo que despreza os sentimentos,eu tinha que lhe dizer isso,hoje,e não amanhã.

    Tenha uma ótima noite,de sono tranquilo.
    Uma felicidade,ainda que em homeopáticas doses,para a vida inteira ,meu caro.Para ti e tua família.

    • romacof Says:

      Salve Li! Seja bem vinda! Obrigado pela visita e pelas palavras que estimulam a continuar a martelar ferro. Esteja certa que seus comentários são significativos. Vou mandar uma mensagem ao Pierre dizendo a seda que você rasgou. Ele vai inchar! 🙂 Embora a novidade da luz mais lenta que os neutrinos tenha deixado dúvidas sobre o delay nas resposta! Ela será recebida por mim ou por minhas netas? Quanto às novas sinto informar que possivelmente Elenin não tenha resistido ao periélio. Em duas semanas vamos saber a verdade. Mas sou descrente sobre as possibilidades de quaisquer elevações de consciência por acá. Pelo menos nos próximos 10 ou 12 mil anos! 😦

      Obrigado pelos votos! De ontem!


  6. Li atentamente. Fiquei com uma certa impressão de que “Pierre” poderia se referir a mim, o que seria lisonjeiro… 🙂

    Fiquei especialmente encantado com o final do texto, aberto a todas as possibilidades, sem dogmatismos, fundamentando adequadamente o que me parece ser a única posição “razoabilizável”: o agnosticismo. (Mas aí o Camargo vai dizer que “há provas” e vamos aproveitar para vender ingressos para a briga de foices…)

    Sabe o que é que mais me assusta? É que, já que alguma espécie tem que ser a mais evoluída do Universo, por acidente esta espécie seja justamente o Homo sapiens. Olhando em volta, isso seria decepcionante.


    • Explicando: já me compararam com o Pierre do Romacof, porque me acharam tão alienígena qunato ele… 🙂

    • romacof Says:

      Dom Arthur! Bem vindo ao bate-boca! 🙂 No post coloco minha posição “espiritualizada” da relação do homem com a divindade. Ela parte do seguinte pressuposto: Pelo menos do Big-Bang pra cá, havendo vida e havendo inteligência, estamos chegando, no máximo, num momento intermediário, o que supõe grandes probabilidades de antecedentes com mais know-how e que, aos nossos olhos, seriam interpretados como inexplicáveis. Acho tão simples como aceitar que a nossa civilização tem uma chance em 750.000 de dar certo. É só acompanhar as contas!


      • Minha teoria cósmica sobre a inteligência é que ela precisa sempre passar por um teste: o teste de não-destruição do planeta em que surge. E minha hipótese básica é que a maioria das espécies inteligentes FALHA neste teste.

        Isso acontece por um motivo bem simples: a dinâmica do surgimento da inteligência individual é necessariamente um sistema que gera externalidades. A adaptação individual só se mantém frente à seleção natural se houver mortalidade seletiva, ou seja, se o organismo superar seus competidores reprodutivos (ou seja, da mesma espécie). É necessário um salto qualitativo inteligente para abrir mão desta competição antes que ela OU deplete os recursos OU provoque uma ruptura no controle climático do planeta.

        A espécie humana não está parecendo ser capaz de lidar com o segundo problema. Pode até ser que sobreviva a isso e se adapte segundo as novas regras necessárias, mas acho pouco provável e vai depender de sorte…


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