A Cabeça da Dilma

Sou um crédulo imperdoável. Acabo acreditando em tudo e em todos. E fico pensando na cabeça da Dilma, no que tem lá dentro, na massa encefálica, nos circuitos, e na bioquímica. Não é muito diferente da minha. É claro que ela deve ter uma boa experiência administrativa assim como eu tenho uma boa experiência médica. Tira a interferência dos hormônios sexuais e das inferências que a vida apresentou a cada um e a cabaça é a mesma. Ela tem que lidar com todas as raposas que cuidam do galinheiro, como, por exemplo, o Sarney! Ela sabe que não é bolinho satisfazer de forma equânime às várias facetas da chamada base governista. Bota angu nisso! E, convenhamos, somos cento e noventa milhões e quebrados para agradar. Lá, sentadinha num dos vários sofás que a Patrícia Poeta nos mostrou, ocasionalmente acompanhada por um dos tutores da governabilidade ponderando nos ouvidos dela as nuances do desequilíbrio possível mesclado ao equilíbrio frágil da democracia ela deve pensar: “O preço do poder é podre!” Ou não! Quando me vem este “ou não” o meu lado crédulo se arrepia e sinto que nós estamos aqui neste teatro só varrendo o chão. Mas abano rapidamente a cabeça e continuo pensando como o idiota para o qual fui programado: trabalhe, pague os impostos, e fique frio. Frio e quieto! Nunca se esquecendo que o picolé foi empalado.

Gosto dela! Não votei nela, nem nos outros! Ninguém me convenceu de que tinha que votar em alguém! Na campanha o lado negro da classe política me obrigou a anular meu voto. E pelo que vejo nos altos escalões eu não estava errado e não me arrependo! O egocentrismo, a mesquinhez, a psicopatia e o latrocínio estão tão em evidência, principalmente no parlamento e nos ministérios, que só os bobos continuam acreditando na classe política como algo confiável. Não que eles se preocupem com a minha opinião, ou a nossa, diga-se de passagem. Alguns, inclusive, verbalizam de forma acintosa e debochada: “Estou pouco me lixando para a opinião pública!” Contudo, divago: eu falava da Dilma! E dizia que gosto dela. Talvez por ser crédulo. Talvez por que seja necessário acreditar em alguém! Mesmo correndo o risco de estar errado! E, neste momento, afirmo que aquilo que está escrito nas linhas acima é exatamente o que vai na cabeça de muitos milhões de brasileiros.

Só espero não ter que matar o Cágado!

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11 Comentários em “A Cabeça da Dilma”


  1. a gente vai naquela que não dá pra fazer omelete sem quebrar os ovos… por mais duras que sejam suas cascas.

    Espero que além de quebrar os ovos, ela saiba fazer o omelete…

    ah! que eu saiba, cágado não é bom na culinária,,,

    • romacof Says:

      …mas só contrataria cozinheiros para a minha tribo se ele soubesse cozinhar; nunca por indicação ou por que usa calção de índio! 🙂


  2. Crédulo? Tu?

    Estamos prestes a substituir a Velhinha de Taubaté pelo Velhinho de Três Cachoeiras? 🙂


  3. Passei a madrugada lendo a história do Padre Alvin. Não consegui desgrudar os olhos da tela. Não houve jeito de ir dormir antes de terminar a história. Agora estou caindo pelas tabelas…

  4. romacof Says:

    Lá pelo início do primeiro parágrafo eu escrevi: “Tira a interferência dos hormônios sexuais e das inferências que a vida apresentou a cada um e a cabaça é a mesma.”
    Hoje, 3 anos depois, li e me dei conta que escrevi cabaça e não cabeça. Pensei em editar. Depois me dei conta que a palavra está correta! Nada como um honesto ato falho para dizer a verdade.


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