Estamos sós? Senhora Presidente!

Quando você tenta fazer uma análise sobre os escândalos políticos que ocorreram e ocorrem em nosso país entra num mundo surrealista. Não é possível fazer uma contabilidade, em milhões ou bilhões, de quanto foi o desvio de dinheiro, digamos, do mensalão para cá. De quantos recursos foram roubados dos esfomeados, dos doentes, dos sem teto, e dos aculturados, pelos ladrões que se escondem nos parlamentos, tribunais e ministérios. Chegamos ao ponto de não sabermos quando termina um escândalo e começa o outro. Chegamos à banalização. Os meios de comunicação desdobram editoriais veementes. As provas se amontoam e se arquivam, sem interrupção, num constante processo de blindagem de alianças em nome da governabilidade. A chantagem é uma moeda política corrente e todo mundo acha isto normal. O povo toma conhecimento da ilicitude pelas piadas e pelas charges. E ri!

Não há neste país nenhum poder capaz de dizer que isto é imoral? O governo é a cara do povo. Então é apenas isto? Se o povo é corrupto o governo também deve ser corrupto? Nada pode ser feito que nos devolva o orgulho de trabalhar por este país? Não há ninguém com poder suficiente para dizer um basta para a canalhice que nos humilha? Não há ninguém em nenhuma esfera governamental com força suficiente para dizer que não é este o país que queremos para os nossos filhos? Devemos nos conformar? Os poderes têm o poder para quê? Para esquecer? Para olhar para o outro lado? Para serem cúmplices? Estamos sós, Senhora Presidente?

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8 Comentários em “Estamos sós? Senhora Presidente!”

  1. camargo Says:

    o problema maior é perder a esperança… e a perdemos. Como é triste quando quem pensa perde a esperança!

  2. Monica Says:

    Será que não tem ninguém? Como diria o mineirinho, sem se comprometer (como sempre): que tem, tem; mas que eu saiba, não…:/

    • romacof Says:

      Como vai professora? Sem se comprometer nada muda, mas se alguém se comprometer mudam o cara! É um problema de diluição! Acho que uma gota de óleo bom se perde num galão de borra preta.

  3. camargo Says:

    há uma esperança histórica… quem sabe o que aconteceu com Sodoma e Gomorra se repete…

    • romacof Says:

      Quando a esperança está no caos já somos estátuas de sal e dor.
      Não pode ser assim. Isto já seria o fim.
      Deve existir no fundo da alma humana um eco salvador.


  4. Romacof:

    Amigo, eu entendo perfeitamente o que sentes. Afinal, lembras como nos conhecemos? Eu procurei o nome do meu próprio blog no Google e encontrei um artigo teu, homônimo. Compartilho da mesma indignação e da mesma frustração quanto à falta de indignação da maioria. Mas não tenho mais raiva disso. Agora tenho ódio.

    A raiva é um sentimento “quente”, que nos faz esbravejar e mostrar nossa posição principalmente ao inimigo. Gritar “maldito desgraçado!!!” no campode batalha só faz ajudar o inimigo a saber o que pensamos e onde estamos, permitindo a ele mirar melhor em nossa cabeça. Os outros não-amigos do nosso inimigo, entretanto, não nos socorrem.

    O ódio é um sentimento “frio”, que nos impele a planejar uma madrugada após a outra como vamos enfiar a faca no abdômen do maldito desgraçado, como vamos torcê-la olhando nos olhos dele e como vamos pisar em sua garganta engasgada pelo próprio sangue quando ele cair sufocando. Mas temos que saber que seguraremos a faca sozinhos, pois ninguém nos ajudará.

    Eu odeio a acomodação do povo, eu odeio a falta de indignação com o escárnio nosso de cada dia da política. Viste o que os ficha-suja estão tentando fazer? Querem receber os salários dos meses em que não trabalharam porque estavam impedidos de assumir seus cargos pela lei da ficha limpa, antes que o STF dissesse que ela só vale para as roubalheiras vindouras. Um povo que não incendeia o parlamento que permite um escárnio destes é um povo escravo.

    Diz o Hino Riograndense: “mas não basta, para ser livre, ser forte, aguerrido e bravo: povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. É o que falta ao povo de hoje – virtude. Somos uma nação de medíocres, com exceções aqui e ali, minoritários demais para fazer valer a virtude. Honra é um conceito anacrônico. Antigamente matava-se em defesa da honra, hoje o corno é obrigado a pagar pensão para sustentar a traidora e seu novo macho. Não que eu considere razoável matar nestes casos, mas ao invés de corrigir o desvio nossa sociedade tratou de apenas invertê-lo, impondo um abuso antagônico.

    Aniquilamos e ridicularizamos a honra, passamos a defender o deboche e o escárnio. Como não odiar tal estado de coisas? Mas não basta odiar tal estado de coisas, é necessário enfiar-lhe uma faca no abdômen.

    Estou afiando minha faca. Mal posso esperar pela oportunidade de te contar os detalhes pessoalmente. Não é nenhuma solução mágica, nem se trata mais do mesmo projeto sobre o qual conversamos. Bem mais pé-no-chão, bem mais viável, com uma chance razoável de produzir alguns frutos sem precisar alcançar qualquer maioria política inatingível. E com bom humor, porque se foi o ódio pelo descalabro da política e da mediocridade cultural o que levantou minha âncora, é o amor pelas próximas gerações que enfuna minhas velas.

    Grande abraço!

    Arthur


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