O que fazer com as fezes!

ZH no editorial de hoje cita a pergunta de Luis Fernando Veríssimo, feita há alguns dias em sua coluna: “Quem autorizou o feudo com o seu voto?” Referindo-se ao uso e abuso do Ministério dos Transportes pelo PR de Alfredo Nascimento e Valdemar da Costa Neto, e à permanência de uma equipe sem escrúpulos no manuseio de verbas bilionárias em nome de um apoio de barganhas e acordos escusos sob o clichê de que é “preciso manter a governabilidade”.

Pois respondo: Quem autorizou o feudo com o seu voto, com o meu, com o de Luis Fernando e dos editores de Zero Hora fomos nós, os eleitores, quando aceitamos as alianças propostas, aceitamos o sistema eleitoral que abriga todos os tipos de corruptos e criminosos, e votamos bovinamente, achando que com o tempo e a convivência todos se amarão, serão honestos e viverão felizes para sempre. Nós somos os culpados por todas as fraudes, desvios, desfalques, pecadilhos e pecados mortais cometidos em nome da democracia. Todos nós que achamos normal que um político com múltiplos interesses voltados para a satisfação de minorias venha a assumir um cargo que deveria ser exclusivamente técnico. Todos nós, que achamos graça na eleição de Tiririca, que reelegemos os já banidos como Collor e Valdemar, que fechamos os olhos para os arquivamentos inexplicáveis, que acreditamos na fada que apregoa que um nome pode fiscalizar o mar de conluios que existe em toda a estrutura pública, somos os responsáveis pelo feudo criado no PR, pelos enriquecimentos milagrosos de ex-ministros reempossados, e de senadores alimentados com propinas. Nós é que votamos e dizemos: “Sim! Façam como meu voto aquilo que lhe der mais prazer! Aceitamos todo tipo de entulho fantasioso que a propaganda nos apresenta. Somos surdos e cegos para a memória e para a informação real.“

O próprio Luis Fernando, em sua coluna, cita a Noruega onde a eleição é um processo mais complexo. Lá o eleitor responde a um extenso questionário, como num plebiscito, onde escolhe não só o mandatário. Ele necessita responder inclusive a questões triviais como “o que fazer como as fezes dos cachorros.” Talvez seja isto que nos falta: “Dar um destino às nossas fezes.”

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