Mandala

“Afinal! O que é um mandala?” – me perguntou um paciente. Confesso que tive que recorrer ao Google…. e constatei que toda resposta gerava pelo menos duas perguntas, abrindo novas portas que mereciam ser exploradas. 

O mandala é um desenho circular, segundo a premissa sânscrita, com padrões que se repetem ou se espelham, quase sempre simétricos, harmônicos, atraentes, absorventes, onde o centro nos personifica e somos circundados pelo que é o mundo ou a casa simbólica a que pertencemos. Após um determinado período de contemplação, o mandala satura as conexões lógicas feitas pela mente e envolve o observador em inferências e comparações, ou analogias. Por esta razão o mandala também é chamado de chave analógica pelos que o adotam na prática meditativa. Partindo do princípio que o conjunto do sistema cognitivo de um indivíduo utiliza uma parte muito pequena de sua capacidade nos processos vitais e de relacionamento, esta chave analógica busca, no âmago do inconsciente, na porção predominante e não utilizada do sistema nervoso central, a relação do indivíduo com o todo, ou o conjunto universal, ou a unidade cósmica. Deixando de lado a conotação espiritualista deste posicionamento o que se pode afirmar é que a contemplação de um mandala põe o observador num estado de “ver sem analisar objetivamente”, e isto permite que aconteçam flashes de “não-pensar”; instantes surdos ou cegos na constante e saturante receptividade informativa e pragmática para a qual fomos educados. Quem preconiza a observação do mandala pretende que o indivíduo abra o seu inconsciente. Aqui pode haver uma divisão nos objetivos almejados. Alguns apregoam que através desta abertura o indivíduo, num determinado momento, alcançará um estágio em que “estará vazio para poder ser preenchido espiritualmente em busca de uma iluminação.” Outros esperam que a abertura analógica permita que a própria potencialidade inconsciente de cada um trabalhe em prol daquele observador, harmonizando-o, curando-o, ou descobrindo aspectos “energéticos quânticos” que não seriam possíveis através dos sentidos comuns. Como se vê, alguns conceitos citados partem de premissas que por si só abrem outros campos de discussão tais como “iluminação” e “aspectos energéticos quânticos”. Na mistura do que pertence à religiosidade e à física de ponta (que tanto podem ser opostas como enfoques paralelos da mesma coisa) não pretendo por meus pés agora.

Uma pluma solta ao desejo do vento pode ser achada ou ser perdida. Pode pousar no solo e ser pisada, amassada, e misturada ao barro. Pode pousar na mão de um velho e ser avaliada, analisada, e aprisionada no passado. Pode pousar no nariz de uma criança e ser acariciada, assoprada, e devolvida à vida.

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7 Comentários em “Mandala”

  1. Li Says:

    Eu tinha uma,comprada na Feira Hippie.

    Era muito legal.

    Carregava na bolsa,até que arrebentou.
    Durou 3 deliciosos anos.
    Aprendi a arte do silêncio,rs.


  2. [off topic]

    Quando alguém que não for físico nuclear ou professor de física falar em qualquer coisa “quântica”, pode pisar no freio e mandar descer: o cara só vai dizer bobagem.

    E que novidades tecnológicas são essas logo abaixo da caixa de comentários? Ando muito fechado, preciso voltar ao convívio virtual com meus amigos nada virtuais…

    • romacof Says:

      Arthur! Em primeiro lugar seja bem vindo! Em segundo lugar estou pra lhe dizer que até os físicos nucleares teorizam sobre “qualquer coisa quântica” só com um pouquinho mais de sobriedade com que falam sobre a teoria das cordas, mas que no fundo eles próprios sabem que a terminologia usada é hermética exatamente para maquiar o que eles dizem que sabem. Na verdade ninguém sabe, ninguém viu. Enquanto os modelos matemáticos conseguirem fechar a contabilidade entre a relatividade geral e “qualquer coisa quântica” para o que é micro, e não fecharem as portas para as especulações polidimensionais curvas abaixo do limite de Planck, eles servem. Qualquer dia num horizonte qualquer de eventos surgirá uma equação que vai dar um nó nas verdades já estabelecidas e o Tudo voltará a ser uma parte assim como o átomo foi reduzido ao conjunto de partículas recheadas de quarks. Vai por mim que não como capim!

  3. Jacques Says:

    Em Watchmen, Alan Moore cita que quanto mais o conhecimento sobre a composição da matéria avança, mais ele se parece com as preceitos básicos das religiões mais antigas.
    E ele disse isso em 86…
    Concordo que o “quântico” hoje é explicação pra quase tudo, o que faz parecer uma grande enrolação.
    Valeu.

    • romacof Says:

      Seja bem vindo Jacques! Os “conceitos quânticos” são inalcançáveis pelos sentidos. Da mesma forma que a compreensão objetiva daquilo que se afirma quando o assunto é espiritualidade! Aparentam correrem por trilhas paralelas. Paralelas por definição nunca se encontram a não ser no infinito, fora do âmbito matemático demonstrável, bem a propósito, onde o incompreensível une o pragmático e o subjetivo, o lógico e o analógico, o físico e o etéreo, longe de quaisquer tentativas e esforços humanos práticos. A teorização é vazia para nós que vivemos no mundo dos mortais. Para nós basta a busca, ou a viajem, ou o processo. O objetivo é irrelevante. São rótulos. Mas concordo! No fim chegaremos ao mesmo ponto. Cairemos para cima ou subiremos para baixo. Haverá uma expansão e encontraremos um ponto. O clérigo dirá “é necessário equacionar!” e o físico dirá “amém”.

  4. Li Says:

    Eu tinha uma,comprada na Feira Hippie.

    Era muito legal.

    Carregava na bolsa,até que arrebentou.
    Durou 3 deliciosos anos.
    Aprendi a arte do silêncio,rs.

    Uma mandala é um círculo feito de arame maleável
    e que ao manuseá-lo conseguimos ter várias formas.
    Cada forma tem um significado espiritual.

    Com o tempo vamos reconhecendo aquilo que
    temos que mudar em nós mesmos.
    É um belo exercício de concentração.

    Digo isso porque muitas pessoas acham que a mandala
    só pode ser um desenho.

    É um desenho que pode ser usado de muitas maneiras.

    Até como Sousplat.

    • romacof Says:

      Tenho um destes há 30 anos (estilo sousplat ? já vi de tudo!). É um mandala em 3D feito em arame que os hipies disseminaram e dá um bom efeito visual em suas variadas transformações. Gosto dele. E me apeguei a ele. Então ele deixou de cumprir sua finalidade. Culpa do apego.


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