O livre arbítrio (ou pense um pouco, mas não pense demais – 2 de 4)

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02

Tente recolher os cacos do seu orgulho e ainda fazer pinta de que nada aconteceu enquanto há um anjo de dois metros sentado na sua sala. Nesse contexto tente iniciar um assunto coerente de um ponto que não seja incoerente. Tente lembrar que em menos de meia hora você estava sonhando com uma estrada dividida, sob os efeitos de uma puta ressaca, e depois…

“Exatamente!” Disse Ariel, se introduzindo no meu pensamento. “Foi o porre que confundiu seu discernimento. Caso contrário eu nem necessitaria estar aqui…”

“Ei! Você estava lendo a minha mente?”

“É! Foi mal! Vou tentar não… demonstrar! Mas isso não muda o que aconteceu: você tomou um vinho vagabundo, avariou a caixa pensante bem no dia que teria que decidir algo importante em sua vida, e, como se trata de um caso único – coisas da Diretoria – e não me pergunte o porquê – fui obrigado a vir até aqui pra, digamos, arrancar de você uma resposta, já que somos obrigados a respeitar esse tal de livre arbítrio.”

“O Homem lá em cima está interessado numa resposta minha sobre um assunto importante?”

Ariel me avaliou como se eu fosse um peixe de óculos lendo a Bíblia. Suspirou e disse lentamente.

“Amigo! Vamos por cada coisa no seu devido lugar. Em primeiro lugar, O Homem, a quem você se refere, não está nem aí pra sua existência específica. É triste, mas essa é a verdade. A Diretoria, ou o segundo escalão – que coordenada de forma mais ou menos indireta as coisas por aqui – ocasionalmente faz experiências com alguns indivíduos de sua espécie, lhes dando escolhas especiais, e num processo absolutamente aleatório escolheu sua insignificante pessoa como protagonista do evento em questão.”

“Pôxa! Desta forma você me reduziu a … um merda!”

“Em princípio essa é a idéia! Mas, voltando ao fato,  numa situação única, foi lhe dada a opção de escolher entre dois caminhos – coisa que não está ao alcance de nenhum ser humano – e nessa circunstância, você ganhará, mesmo que momentaneamente, uma importância ímpar… vamos continuar?”

“Tenho escolha?”

“Claro que tem! Teoricamente você é livre para se dar bem ou quebrar a cara. Diga que não quer saber de nada e eu desapareço… você ficará se martirizando pelo resto da vida por ter ignorado a razão da minha vinda, mas a escolha sempre é sua!”

“Está certo! Então manda!”

Ariel fez uma pausa de efeito e soltou:

“Você ganhou o direito de optar entre dois destinos experimentais. O que você prefere? A eterna juventude ou ganhar na mega sena?”

(continua aqui)

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4 Comentários em “O livre arbítrio (ou pense um pouco, mas não pense demais – 2 de 4)”

  1. Li Says:

    Não acredito, por que ele não perguntou isso PRA MIM ?

  2. Li Says:

    Gosto imensamente de Highlander,é bom manter a cabeça no lugar,rs.


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