(33)Pierre, meu alienígena de estimação (partes 93 a 96 de 101)

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093

Trocamos o carro numa loja de usados. Pagamos a diferença em dinheiro e fomos até a Igreja de Santa Tereza. Sofia ficou no carro com os documentos, a chave e uma pequena parte dos diamantes. Eu entrei na Igreja e fui caminhando lentamente pela nave lateral tentando encontrar um homem alto, magro e de cavanhaque ruivo. Um padre muito velho se aproximou de mim: “Sr Diego?”

“Sim!”

“Queira me acompanhar até a sacristia. O Sr Aníbal o espera.”

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Na sacristia nos abraçamos.

“Um dia algo assim ia acontecer.” Disse ele. “Pierre, naquela festa faz-de-conta, já previra isso. Tanto que encomendou os documentos de vocês. Diga-me o que aconteceu com Pierre?” E eu contei a forma como Pierre fora agredido e em seguida desmascarado ao serem feitos os exames.

Depois fiz o pedido que havia planejado: “Ainda vou precisar de um favor seu. Guardar um saco de pedras para poder enviá-las aos poucos para um endereço que ainda não sei qual é.”

“Entendo!”

“Aníbal! Diga como posso pagá-lo?”

Aníbal sorriu e me contou outra das pequenas histórias de Pierre: “Na verdade eu continuo trabalhando por que gosto do que faço. E ainda por que preciso ter algum ganho para explicar o que gasto… algo que aconselho você a aprender a fazer… ele já deixou esta função regiamente paga desde a festa de aniversário, meu amigo!”

“Filho da mãe!”

“Um grande filho da mãe!” Completou Aníbal.

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Aníbal ainda recomendou: “Quando for desovar essas pedras alterne as cidades e faça isto em quantidades muito pequenas. Elas possivelmente não são deste planeta; são perfeitas, mas uma grande quantidade delas certamente chamaria a atenção. Não é inteligente ser ganancioso. A riqueza não vale nada quando está em sua mão toda de uma vez só. Ela é mais útil quando vem aos poucos, mas você sabe que pode contar com ela.”

Entreguei o saco de diamantes para Aníbal. Nós nos abraçamos e eu lhe disse: “Cuide bem da gráfica.”

“Pode deixar!”

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As coordenadas nos levaram a uma pequena cidade chamada Portbou na fronteira da Espanha com a França, na ponta leste dos Pirineus, às margens do Mediterrâneo, na pontinha nordeste da Catalunha. O endereço era de um pequeno e antigo prédio de apartamentos na esquina da Avenida França com a Rua Alcáide Benjamin Cervera, por coincidência ou não o sobrenome de Mirian.

A chave abria a porta do apartamento número 3 e no seu interior Socorro, uma sorridente senhora de meia idade nos recebeu falando num forte sotaque de Portugal.

Sabia que éramos Diego e Mirian. Sabia até o que não sabíamos: que éramos escritores e fotógrafos brasileiros, filhos de espanhóis, que estavam voltando para a Europa em busca de nossas raízes e que ela, além de governanta, era nossa professora de espanhol e francês.

Quando tentamos saber a forma de pagá-la ela nos informou que recebia o seu substancial salário, religiosamente, de um dos funcionários de Dom Pierre Cervera, avô de Mirian, e que, portanto não tínhamos nada com que nos preocupar. Devíamos descansar e conhecer a cidade, porque quando começassem as aulas ela pretendia nos fazer passar por maus pedaços. E dizia isto sempre sorrindo.

Eu e Sofia nos olhamos. E foi Sofia quem disse: “Vovô Dom Pierre Cervera! Sempre aprontando das suas.”

(Continua aqui!)

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3 Comentários em “(33)Pierre, meu alienígena de estimação (partes 93 a 96 de 101)”

  1. Li Says:

    Que aventura!

  2. clarice bueno Says:

    Tenho que admitir,alias,sempre soube ,mas agora provavelmente depois do carnaval de 2009,as coisas afloraram de dentro daquele cérebro privelegiado e muito complexo pelo, menos para pessoas mais singelas
    como eu ,mais confessadamente um orgulho muito grande
    bate dentro de mim,por saber,que por termos o DNA com
    certos coisas em comum,isso já é um alento.Beijos
    te quem te ama muito, da tua maninha
    “cágada”.


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