(31)Pierre, meu alienígena de estimação (partes 85 a 88 de 101)

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085

Depois de um silêncio constrangedor Douglas se levantou dando por encerrada a conversa. Ele entendera que o que eu acabara de dizer era a mais pura verdade, e estava visivelmente confuso sobre as conseqüências de seu contato com o governo e de qual deveria ser sua conduta. Não havia nenhuma palavra de conforto que ele pudesse dar. Então perguntei: “Doutor, permita que eu veja meu amigo. Não vou criar caso… só quero estar com ele por uns instantes, mesmo sabendo que o senhor pode achar estranha… a nossa amizade…”

“É claro!” Disse o médico. “Venha comigo!”

086

Havia um guarda na porta do quarto em que Pierre se encontrava. Uma enfermeira e um médico avaliavam os instrumentos que monitoravam os sinais vitais do paciente imóvel sobre a cama. O Dr. Douglas entrou comigo depois colocou a mão sobre o meu ombro e saiu. Pierre estava sem suas roupas humanas e sua natureza alienígena ficava totalmente exposta agora que haviam retirado os pelos falsos com que Sofia o maquiara. Eu não podia acreditar que Pierre se encontrava naquele estado. O outro médico saiu do quarto e eu fiquei sozinho com a enfermeira. Eu passei a mão sobre a cabeça de Pierre e disse em voz baixa: “O que foram fazer com você? meu amigo!” Por um breve momento tive a impressão de que Pierre havia piscado com o olho direito. Mas seu corpo permanecia estático, não tão estático como naquela oportunidade em que se fizera de morto para assustar Adolf. Agora havia o leve movimento de respiração. Senti uma grande alegria com as possibilidades que esses sinais me davam. Abri a boca e imediatamente a fechei. Havia a enfermeira. Então disse com uma voz embargada: “Enfermeira! Poderia me deixar a sós com meu amigo por uns instantes para que eu possa me despedir e rezar?”

Ela me olhou com uma expressão de quem não pode abandonar o posto, mas ao mesmo tempo compreendia o meu pedido. Disse: “Seja breve, tenho minhas…”, porém não completou a frase e saiu me deixando a sós com Pierre.

Então aconteceu tudo muito rápido.

087

Pierre rapidamente manuseou o cinto e tirou de lá uma pequena esfera metálica que colocou sobre a cama. Apertou um botão na esfera, retirou os fios que o ligavam à aparelhagem. Num salto se levantou da cama e só então falou: “Amigo Michel, me dê um abraço!” E nos abraçamos com força. “Eu sabia que qualquer hora você iria aparecer, mas guarde suas orações por enquanto!”

“Cara! Você está inteiro, preciso avisar Sofia…”

“Depois! Não temos tempo. Preste atenção no que vou dizer. Acordei na ressonância mais então já era tarde. Mantive a pose de morto que era mais útil. Este aparelhinho aqui na cama cria um campo de distorção elétrica a nossa volta por uns quatro minutos. É o tempo que temos. Eles não vão notar que estou desconectado. Quando sair deixe a bolinha aqui. Você sabe como funciona meu cinto. Vou tirá-lo e colocar em você.” E enquanto dizia fazia o que estava dizendo. “Depois eu vou abri-lo o máximo possível para que eu possa entrar nele. Você fecha e sai daqui o mais rápido que puder. Entendeu?”

 “Vou carregar você… no cinto?”

“Exatamente!”

“Levo você até em casa, e depois?”

“Não tem em casa e nem depois.”

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Devo ter feito uma cara muito estranha, pois Pierre sorriu.

“Eu entro no cinto e não saiu mais.”

“Como, Pierre? Como você vai fazer… viver…”

“Lembra? ele é um cinto dimensional. Há, tente entender… uma porta dos fundos. Eu saio por lá em algum lugar numa disposição espacial paralela. Não faça perguntas. Só aceite. Quando eu for embora você não vai notar. Eu levarei todo o conteúdo dele com exceção do que eu pretendo deixar pra vocês. Preciso de 2 horas. Depois você abre o cinto e verá nele um punhado de pedras que valem muito do seu dinheiro. Muito mesmo. Haverá uma caixa com uma chave de uma casa. As coordenadas da casa estarão escritas na caixa. Dê um beijo em Sofia. Se tudo der certo nós nos veremos no futuro.”

Eu vi Pierre entrar num espaço impossível que ficava na minha cintura. Sumiram seus pés, as pernas e o corpo e ficou a cabeça dele e um par de mãos apoiadas na borda de um nada que se aprofundava de forma surrealista em minha barriga sem ser exatamente isto que estava acontecendo.

Eu disse, entre assombrado e triste: “Até qualquer dia, meu amigo!”

Pierre ajustou um aparelho plástico ao nariz e à boca e sua voz saiu como de dentro de um tubo: “Até qualquer dia, amigo Michel! Ah… não esqueça o meu álbum de fotografias”. E Pierre sumiu mergulhando em minha barriga. Eu fechei o cinto aproximando as duas metades da elipse.

Haviam se passado um pouco mais de um minuto. Em dez segundos eu saia do quarto, passei pelo guarda e andei pelo corredor em direção ao estacionamento. Quando faziam quatro minutos que Pierre havia acionado a pequena esfera sobre a cama, o alarme de todos os monitores desconectados soaram ao mesmo tempo. Eu estava dirigindo o meu carro para fora do estacionamento e ligando para Sofia.

(Continua aqui!)

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5 Comentários em “(31)Pierre, meu alienígena de estimação (partes 85 a 88 de 101)”

  1. Franci23 Says:

    Nossa a cada dia que passa a historia de Pierre fica mais instigante, não vejo a hora da continuação dessa!!!

    • romacof Says:

      E está chegando ao fim! Mas o fim é apenas um fechamento necessário. Não é bombástico! Quem já leu lacrimejou e disse que era um final muito mela-cueca. Espero que Pierre tenha dito tudo que queria durante a história e que as coisas ditas sirvam de semente para alguma coisa melhor. Fico contente com sua atenção, Dom Franci. Obrigado.

  2. Li Says:

    Já estava me acostumando com o Pierre.

    E espero que as aventuras do Pierre não parem por aqui.

    Não entendo as emissoras de tv que teimam em refazer coisas velhas,existem tantas histórias no mundo dignas de serem filmadas.

    • romacof Says:

      Bem! Acredito que esta ainda não tenha acabado… Confesso que me afeiçoei a ele e às vezes me surpreendo tendo saudades; tenho batido meus tambores em busca de um eco, mas ele anda mudo ou muito longe.

  3. romacof Says:

    Clarice Bueno.
    A resposta à sua pergunta telefônica está nos comentários da 18ª parte de Pierre. Transmita a seu esposo os meus mais efusivos votos de felicidades em seu aniversário. Ele mora no meu coração (e no de Pierre e de Pongo embora não comungue plenamente com o modo de pensar deles). Saibam que o blog está aberto a todos os tipos de comentário (que não serão editados ou apagados e sempre receberão uma resposta). O risco que se corre é fazer um comentário preconceituoso e depois ter que arcar com o apedrejamento dos eventuais viajantes. Sabemos que o mundo está apodrecendo do miolo pras beiras, bem ao estilo romano. Mas o fedor real vem das luzes togadas e engravatadas. As pequenas mariposas apenas sonham em ser corruptas e devassas e acabam sendo tragicômicas em suas tentativas. Segundo Dom Jaime “o homem sábio pode ficar indignado, mas nunca se surpreende”. A nós é reservado, quando apontamos um dedo, ter a consciência de que ao fazer isto no mínimo três dedos apontam para nós mesmos. Um beijo.


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