(27)Pierre, meu alienígena de estimação (partes 70 a 72 de 101)

(Para saber como começou clique aqui!) 

070

Pierre continuou: “Os Aastas, Os Vêes e os Humanos têm 46 cromossomas em suas células. Um símio primitivo muito semelhante ao társio ou ao pipili vivia entre os Aastas até uns vinte mil anos atrás. Nós somos antigos, mas não somos os mais velhos. Nada impede que algumas das ruínas que encontramos no espaço tenham pertencido a uma espécie que tenha dado origem a todas as nossas. Basta que um desses velhos habitantes da galáxia tenha passado em nossos planetas de origem antes de nós termos pensado em ser uma possibilidade evolutiva e tenha cuspido em uma lagoa qualquer. Daí a termos uma bactéria paciente e depois outros micro-organismos, deixando que o tempo se encarregasse de fazer suas recombinações ao acaso é um passo. A seleção acaba escolhendo as melhores opções. E, na nossa observação, nesta galáxia a inteligência escolheu poucas formas onde se alojar. A simiesca parece ser a preferida, com algumas variáveis inerentes aos meios em que se desenvolve, mas sem sombra de dúvida a mais eficiente. Em suma, caro Michel, nós somos todos macacos, ou társios, ou pipilis, queiramos ou não.”

071

“Então, ainda somos intercambiáveis?” Perguntei.

“Como?” Devolveu Pierre.

“Tão inteligente pra umas coisas e tão lento pra outras.” Critiquei. “O que eu quero saber, Sr Pierre Le Vêe, é se nossas espécies poderiam sexualmente produzir um elemento fruto das duas espécies.”

“Ó! Claro, com a ajuda de equipamento adequado… mas isso já foi feito há muitos anos, e há alguns indivíduos que vivem entre vocês sem saberem que são filhos de duas espécies diferentes.”

“Naturalmente!”

“E não é?” Perguntou Pierre.

“Então me responda! Quantos filhos você tem aqui na Terra, senhor Pierre?” Eu havia endurecido o tom da conversa e Pierre rapidamente percebeu minha hostilidade embora, em seu íntimo, não a compreendesse.

“Nenhum!” Respondeu Pierre. “Nós já não fazemos filhos como vocês fazem! Quando eu era jovem deixei minhas células sexuais com os responsáveis pelos estudos das potencialidades que existem em cada um de nós. As recombinações dos genomas são avaliadas para que melhorias significativas para a espécie sejam obtidas. Não sei se minhas células foram aproveitadas, e se foram, não sei quem foi minha companheira, na acepção de vocês, e não tenho a mínima idéia de quantos filhos ou filhas eu teria nesse momento.”

“E como vocês fecundam as humanas?”

“É preciso que vocês saibam que esse experimento não acontece há mais de 30 de seus anos. Mas o processo, de forma resumida era assim: Uma fêmea humana era abduzida para uma nave em órbita, um óvulo dela era fecundado in vitro por um espermatozóide Vêe, e depois recolocado no aparelho reprodutor da fêmea que era devolvida ao seu ambiente, em princípio sem ter percebido que havia passado por uma micro intervenção cirúrgica.”

“E isso é ético, Pierre? Isto é evoluído, Pierre?”

Pierre não respondeu.

Sofia se levantou e foi para a cozinha. “Vou assar uma carne até o cheiro empestar a casa e todos podermos vomitar.”

Pierre sentou e se encolheu.

072

“Pierre! Eu estava aqui divagando sobre as possibilidades decorrentes dessa nossa última conversa.”

“Sim?” Ele estava tenso e estático num canto do sofá.

“Se sua espécie terminou com as experiências de fecundação in vitro com a nossa há cerca de 30 anos isto significa que já deve existir netos dos Vêes espalhados por aí, com cerca de… 10 a 12 anos em média.”

“Sim.”

“Talvez menos… alguns recém nascidos!”

“Sim”

“Ei!” Me voltei para Pierre que parecia estar se afundando no sofá. “Que bicho mordeu você? Parece assustado!”

“Sofia não vai assar a carne, vai?”

Só então me dei conta do que minha esposa dissera quando saíra da sala.

“Não se preocupe…” Respondi. “Antes de assar ela primeiro vai lhe arrancar um braço ou uma perna para nós sabermos que gosto você tem.”

Pierre arregalou muito os olhos e fez um bico com a boca, mas enfim suspirou aliviado e sorriu quando percebeu que tudo não passara do velho e saudável humor negro dos humanos. Algo que sua mente lógica teria grande dificuldade para assimilar.

(Continua aqui!)

Anúncios
Explore posts in the same categories: Contos, Pierre, o alien.

Tags: , , , ,

You can comment below, or link to this permanent URL from your own site.

4 Comentários em “(27)Pierre, meu alienígena de estimação (partes 70 a 72 de 101)”

  1. Li Says:

    Já sei…..se eu encontrar por aí alguém parecido com o Pierre……rsrsrsrsrs.

  2. Franci23 Says:

    Puxa tem uma meia dúzia de pessoas que conheço que tenho quase certeza que devem ser de descendência Vêe, agora faz sentido tanta estranheza que há nessas pessoas.

    • romacof Says:

      Tente uma saudação do tipo “Vida longa e próspera!” ao estilo vulcano. Os descendentes das abduzidas alien-fecundadas têm grande simpatias instintivas por Leonard Nimoy.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: