(20)Pierre, meu alienígena de estimação (partes 47 a 49 de 101)

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047

Quando entrei na sala Aníbal e Pierre falavam em alemão e riam de alguma coisa que fui incapaz de entender. Pensei: dois antropólogos que trabalhavam juntos numa época em que Aníbal não falava francês e Pierre não falava português tinham que usar um outro idioma para se comunicarem.

048

Aníbal e Pierre aparentemente haviam ficado íntimos e antes dos outros convidados chegarem já trocavam informações em voz baixa como se tivessem segredos que necessitavam esconder de mim e de Sofia. Pierre chegou a levar Aníbal até o seu quarto para lhe mostrar alguns livros raros que ele conseguira pela internet.

Às 19 horas em ponto a campainha tocou. Balões coloridos haviam transformado a minha sala num salão de festas. Um CD de Wilhelm Wagner emprestava uma aura teutônica ao ambiente. Pierre e Aníbal já haviam voltado de Toulouse nas encostas dos Pirineus, visto livros raros, e falavam português. Sofia entrou na sala de cara amarrada. A campainha tocou uma segunda vez e eu sussurrei para minha esposa: “Querida, sorria! Você está sendo filmada.” E abri a porta.

049

Haviam chegado os nossos 3 vizinhos e um militar negro de um metro e noventa. Adolf entrou na frente, com seu Canhão de Raios Laser no coldre. Ida, tímida, vinha logo atrás. Eu coloquei a mão no peito de Adolf e disse: “Hoje, sem armas, meu senhor. É um dia de festa e de paz. As armas estão proibidas. Elas ficam no hall.” Adolf lançou um olhar em busca do aval do pai e o Dr. Hugo fez um meneio afirmativo com a cabeça. Adolf, a contragosto, me entregou a arma de brinquedo. O casal e o filho entraram na sala.

O militar, um coronel do exército, tirou do bolso uma caneta e me perguntou: “Isso aqui pode ser considerado uma arma, meu senhor?” Sofia, ainda estava congelada no meio da sala.

“Depende!” Respondi. “O Coronel atua na área do governo?”

“Sim!” Ele respondeu.

“Então deixe a caneta comigo!” Ele sorriu, entregou a caneta, me cumprimentou, e entrou.

Enquanto fechava a porta eu disse em voz alta para Pierre: “O anfitrião hoje é você, Pierre! Faça por mim as apresentações, por favor?”

Pierre apresentou Aníbal, o antropólogo com quem trabalhara há 7 anos na França, aos Schwarzeschwanz, e esses ao velho amigo. Em seguida apertou demoradamente a mão do Coronel enquanto se olhavam com um sorriso de cumplicidade. Pierre disse: “Pensei que o amigo Esius não viria, do jeito que é um homem ocupado!”

O Coronel puxou Pierre para um abraço afetuoso e depois o segurou pelos ombros enquanto o observava e dizia: “Não perderia o aniversário do meu ET preferido por nada desse mundo!” E os dois voltaram a se abraçar. O Coronel Esius ria com sua voz de barítono e Pierre retribuía com seu característico “ó, ó, ó”.

Vi os lábios de Adolf articularem um mudo “… eee-teee!!…”, enquanto seu pai perguntava em alto e bom tom: “ET?” Ida e Sofia estavam mudas e Aníbal sorria abertamente.

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3 Comentários em “(20)Pierre, meu alienígena de estimação (partes 47 a 49 de 101)”

  1. Li Says:

    Esse Wilhelm é o mesmo do “Lohengrin Prelude” ?

  2. Li Says:

    Danke,rs.
    Perguntar é aprender.


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