(15)Pierre, meu alienígena de estimação (parte 38 de 101)

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038

Certo dia Pierre me mostrou na internet distribuições gráficas piramidais usadas na comparação das faixas etárias de países pobres e de países ricos, e me fez notar que o número de crianças produzia, em certos pontos do planeta, pirâmides com bases desproporcionalmente grandes. Exatamente nos lugares onde as carências eram mais acentuadas.

“Dessa forma…” Comentou Pierre. “… a concentração de riquezas a cada dia fica mais evidente e a pobreza gradativamente mais acentuada. Há um desequilíbrio estupendo gerado pela falta de coordenação. Se a natalidade não for refreada nos países pobres haverá falta de alimentos e insuficiência nas condições geradoras de recursos que permitam uma educação com uma abrangência adequada. Esse é um problema que diz respeito à humanidade como um todo. Os países ricos e as instituições religiosas deveriam se unir para estabelecer planos que levem a um padrão de vida melhor para esses desafortunados. Da forma como está, a tendência é o aprofundamento do abismo social e a geração de conflitos localizados insolúveis. A espécie humana só poderá crescer de forma harmônica quando resolver estas questões fundamentais. Os indivíduos que têm como ideal oferecer a todos iguais condições, que permitam a conquista de uma vida digna, deveriam se mobilizar nesse intento. Há necessidade de esforços educacionais, instruções sobre a procriação controlada, produção de alimentos baratos, oferecimento de recursos médicos, e…”

“Vou interromper seu discurso!” Eu disse, quando percebi que o entusiasmo de Pierre o estava levando a perder a costumeira fleuma alienígena. “Acho que nos falta duas coisas que vocês utilizam em seu sistema, mas nós não: a primeira é um coordenador apto e interessado, e a segunda é a aceitação unânime da liderança deste hipotético coordenador.”

“Você está esquecendo a força da política… e da Igreja!” retrucou Pierre.

“Não, meu amigo, não estou esquecendo! O staff político do planeta tem um interesse básico e primário que toma quase todo o seu tempo: perpetuar-se na política a qualquer custo, e não está nem um pouco interessado na grande massa pobre e sem voz. Já a Igreja tem um objetivo: defender o direito à ignorância mesmo que isso custe uma inglória morte em nome de um Deus que se envergonha quando dizem que as regras foram feitas em nome dele.”

“Mas isso, isso, não é lógico! Não posso acreditar que a Igreja faça isto que você está dizendo!”

“Na África a AIDS mata milhões. ONGS tentam instruir as populações pobres sobre o uso de contraceptivos. Esses métodos diminuem a taxa de nascidos famintos e incultos e servem de barreira contra a disseminação da doença. A Igreja vai lá e diz que usar contraceptivo é pecado. A massa acredita que fazendo pecado um bicho-papão vai levá-los para o inferno. Então eles fodem, procriam, e disseminam a AIDS, que bate palmas. Enquanto isso a Igreja agradece ao bom Deus pela fé daquelas boas almas.”

“Inacreditável!” Exclamou Pierre.

“Como eles mesmos dizem, primeiro vamos ter que separar o joio do trigo!” Acrescentei.

“Inacreditável!” Repetiu Pierre.

Depois de uma hora Pierre olhou para mim e disse: “A humanidade é…!” Mas não concluiu a frase.

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4 Comentários em “(15)Pierre, meu alienígena de estimação (parte 38 de 101)”

  1. Franci23 Says:

    Concluindo a frase de Pierre, … è uma bosta!

    • romacof Says:

      Nunca perguntei ao Pierre o que ele estava realmente pensando. Como vivia dizendo que nós éramos primitivos deduzi que este era o conceito que engoliu para não se repetir. Mas o ponto de vista aventado por você, em se tratando da questão lapresentada na história, não deixa de ter fundamento. No entanto nunca ouvi palavras deste tipo ditas por Pierre. Vou perguntar… e já adivinho o diálogo! “Pierre! Você insinuou que a humanidade é uma bosta?” E Pierre devolveria algo assim: “Não insinuei, não disse, e não pensei, mas já que você usou este termo eu diria que seus líderes poderiam receber esta alcunha em seu sentido pejorativo, e não a humanidade em si, embora acredite que a natureza fertilizadora da bosta possa se sentir ofendida quando comparada com alguns de seus líderes.”

  2. Li Says:

    Nunca fui “persona grata” por defender controle de natalidade.

    Quando eu dizia que não tinha filhos,num relacionamento de 15 anos,logo perguntavam se eu era “doente”.
    Para uns poucos eu respondia,para a maioria,ainda hoje,reservo um sorriso mais do que misterioso e saio de perto.
    Como explicar certas coisas?
    Que pensem o que bem entenderem,rs.

    • romacof Says:

      Gerar é dar! Mas gerar também pode ser tirar! Gerar sem poder dar não é amor. Uma ave mata os filhotes gerados além da capacidade de alimentá-los. Mas uma ave não pensa no futuro do ovo que a natureza lhe impõe. O ser humano sabe o que significa o alimento. Tanto do corpo como da mente. Gerar sem poder dar é o mesmo que dizer: “Está parido. Vire-se.”


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