(6)Pierre, meu alienígena de estimação (partes 15 a 16 de 101)

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015

Pierre costumava assistir o telejornal da noite porque era um costume da família. Minha esposa assistia também para não perder o começo da novela. Um dia Pierre observou com muita atenção enquanto eu fazia veementes críticas contra o desvio de dinheiro público por alguns políticos corruptos. Quando ele percebeu que meu desabafo havia, aparentemente, chegado ao fim, ou ganhara um intervalo de bom tamanho que ele aguardara respeitosamente, Pierre perguntou: “Michel, por que os de sua espécie não se reúnem e não tiram esses homens desonestos de lá, por um processo decisório qualquer?”

Eu respondi: “O problema é que nós já nos reunimos, e num processo decisório chamado eleição, nós os colocamos lá!”

Pierre arregalou mais os olhos e diminuiu a boca, expressando sua surpresa e arrematou:

“Vocês são muito loucos!”

016

Questionei Pierre sobre a forma de governo em seu planeta e ele me disse que não tinham um governo como nós compreendíamos. Todos faziam a sua parte e não havia necessidade de ninguém para administrar um serviço público que não interessava a ninguém. Explicou também que não havia policiamento porque não havia nada para ser policiado, e não havia exércitos permanentemente mobilizados porque não havia essa necessidade. Havia apenas um staff coordenador permanente porque os elementos que o compunham eram os melhores para aquela função. Quando uma determinada tarefa era muito complexa e exigia a participação de muitos indivíduos com diferentes graus de especialização os mais aptos eram apontados como coordenadores setoriais naturais e compreendiam que assim deveria ser. Se surgisse uma improvável emergência considerada bélica os que se achavam capazes de enfrentar a situação estariam prontos no momento adequado pelo mesmo processo.

“E se surgir uma espécie hostil com igual capacidade tecnológica como vocês a enfrentam?” Perguntei.

Pierre primeiro arregalou os olhos e depois, como se compreendesse que a pergunta estava sendo feita segundo a ótica humana, ergueu os cantos da boca e disse: “Isto não existe! Não há civilizações evoluídas destrutivas lá fora! Quando uma civilização chega ao ponto de compreender o seu lugar no universo, e como dominar as forças necessárias para evoluir até uma mente maior, ela também passou do momento em que conquistar outros seres é o objetivo da espécie. Geralmente as de índole destrutiva se auto-aniquilam antes desse estágio.”

“E o instinto de sobrevivência?” Insisti.

“Como assim?”

“Vamos supor que um planeta esteja morrendo e a espécie que ali vive necessite emigrar para sobreviver. Vamos supor que o mundo alvo seja o seu, evidentemente já habitado por vocês, e os invasores não tenha ainda atingido os nobres ideais da irmandade cósmica!”

“Entre espécies em igualdade de condições o espírito que predomina é o da cooperação. Uma eventual aproximação de seres inferiores seria percebida pela minha espécie com muito tempo de antecedência. Nós saberíamos as razões deles e procuraríamos ajudá-los, o que evitaria um confronto. Logo, com a minha espécie, a possibilidade aventada por você não pode acontecer…” E acrescentou contemplativamente: “… mas, pensando bem, poderia acontecer com vocês…!”

Houve um silêncio constrangedor.

“Foi um papo muito tranqüilizador”. Eu disse.

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4 Comentários em “(6)Pierre, meu alienígena de estimação (partes 15 a 16 de 101)”

  1. Li Says:

    Acabei de encontrar meu guru:Pierre!

    Resta saber se ele vai gostar disso,rs.

    Se um et viesse parar no meu quintal….eu o esconderia até que ele pudesse voltar para casa.

    Conhecendo minha ” espécie” eu temeria pela integridade do visitante.

    Fato: não somos seres evoluídos.

    Reconhecendo essa limitação e querendo, com toda a força da minha alma,ser diferente do que sou é que aprendo com quem JÁ sabe um pouco mais do que eu.

    Sou um ser grosseiro,mas NÃO quero ser.

  2. Franci23 Says:

    É enfim tenho vergonhar de pertencer ao mundo ao qual pertenço.

    • romacof Says:

      Podia ser pior Sr Franci23. Muito pior! Imagine se Hugo Chavez fosse presidente de uma superpotência. Imagine só se o voto além de obrigatório fosse aberto. Só pra começar!


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