O avesso da pedofilia (ou um Jogo com Padre Alvin (21 de 22))

(Se você quer saber como começou esta história clique aqui para ir para o 1º capítulo.)

Capítulo 21 de 22 (17 de janeiro)

Causar medo é ainda é o processo mais persuasivo.

Breno disse para Accioli. “São vinte apartamentos. Eu começo daqui e você de lá. Se a porta for aberta por uma cara conhecida desconversamos e matamos a xarada. Se for desconhecida estamos interessados num cinegrafista chamado Guim. Vamos lá.”

No oitavo apartamento uma senhora exalando todos os cigarros do mundo disse: “Essa foto é do Guimba, que mora com uma bicha, a Borboleta, no andar de baixo, no… 303. Eles trabalham com filmagens, todas sacanas. Não sei se contratam padres, mas vá saber. Quanto levo?” Breno colocou uma nota de cinquenta na mão da velha e agradeceu. Chamou Accioli. E foram para o 303.

No apartamento um sujeito efeminado abriu a porta e os dois logo o identificaram como um dos protagonistas do filme em que aparecia Eloá. “Estamos vendendo Bíblias para angariar fundos para o lar dos velhinhos!” Disse Breno.

“Hi! querido! viajem perdida! O dinheiro é curto e em Bíblia, aqui, seria muito mal empregado. Volte outro dia quando estiver pelado.”

“Quem é?” Gritou alguém do interior do apartamento.

“Nada, Guigui! Dois urubus que bateram na posta errada.”

Breno ligou para Marco. “Temos os dois. Um é o Guimba, possivelmente o ativo, e o outro é o Borboleta, fazem filmes pornográficos e o apartamento é o 303. Pode começar a conversa com Lúcio para ver se a nossa ação por aqui é procedente.”

***

Marco chegou perto de Lúcio e disse: “Tenho uma notícia para você que talvez não seja muito boa.” Lúcio permaneceu estático engolindo uma saliva ausente. “Parei de rezar por você.” Marco acomodou melhor os seus setenta anos na cadeira desconfortável, alongando a pausa, e continuou: “Mas as coisas não estão totalmente perdidas. Nós agora vamos brincar de um jogo de adivinhações. Se as respostas que você der às minhas perguntas forem verdadeiras, você ganha pontos e nada acontece. Se você me contar mentiras, ou tentar me enrolar, o nosso amigo Roque, que não é muito falante, conhece métodos bastante persuasivos. Vamos começar?”

Lúcio permaneceu mudo por um instante e depois reuniu toda a arrogância e coragem que conseguiu encontrar acima de seus fundilhos e vociferou com uma voz rouca que não reconheceu como sua: “Saiba que se algo acontecer comigo eu tenho um esquema montado que vai botar toda aquela merda no mundo. Vocês vão se arrepender pelo resto de suas vidas por terem encostado um dedo em mim.”

“Exatamente!” Disse Marco com um grande sorriso. “Vejo que você compreendeu perfeitamente as regras do jogo. Então vou perguntar: onde você esconde o backup do seu trabalho nojento?”

Lúcio deu uma risada quase histérica e rosnou: “O vovô não pensa que vai conseguir arrancar essa informação de mim, pensa?”

“Sem dor, não! Mas a dor abre a sua memória e uma mente treinada pode ler os pensamentos aproveitando a brecha.” Disse Marco e saiu da sala.

Roque se aproximou de Lúcio e colocou o dedo mínimo esquerdo do prisioneiro dentro de uma pequena guilhotina circular. Fez aquilo com uma rapidez e uma falta de emoção tão inusitada que Lúcio só se deu conta do fato quando sentiu uma dor terrível e viu seu dedo ser cortado na altura da segunda articulação. O horror e a dor permaneciam quando Roque encostou ao coto um instrumento elétrico e cauterizou o sangramento. Lúcio voltou a uivar ao ser eletrocutado. Em seguida a ferida foi coberta com um curativo em forma de dedo de luva. Todo o processo durara talvez 12 a 15 segundos. Fora inacreditavelmente torturado por aquele padre que não dizia nenhuma palavra. Roque se afastou e deixou o aterrorizado Lúcio com sua dor.

No instante seguinte Marco voltou e se sentou na frente de Lúcio. Colocou a mão direita sobre a têmpora e ficou um longo tempo parado como se concentrasse em algo que queria escapar de seus pensamentos. Depois começou a dizer palavras soltas, olhando para o chão: “Guimba”… “313?” E Lúcio não sabia se tinha mais medo do cortador de dedos ou daquele velho. Mas não ouve tempo para se recompor, pois o bispo voltou à carga. “Vamos recomeçar o nosso jogo. A imagem se foi e talvez precisemos de mais dor para abrir sua memória. Então vou perguntar novamente: onde você esconde o backup?”

“Isto é loucura!” Uivou Lúcio. “Isto não existe. Vá se fuder. Podem me matar que estou pouco…”

Marco voltou a se retirar da sala e Roque se aproximou de Lúcio com sua pequena máquina de tortura fazendo um clec-clec que prometia mais dores. “Nãããão!” Urrou Lúcio. “Parem. Por favor! parem com isto.” Mas seu grito de dor foi o de um animal quando Roque cortou o anular esquerdo, o cauterizou com o instrumento elétrico e colocou o curativo.

Marco voltou com sua encenação de adivinho e prontamente disse: “Não era 313 e sim 303! E Borboleta? quem é Borboleta? Um apelido certamente.”

“Eu digo!” Chorava Lúcio.

“Quem é Borboleta?

“Não! Eu digo onde está o backup!” Soluçou Lúcio.

“Mas isso eu já sei!” Disse Marco. “O backup está no apartamento 303, onde moram Guimba e Borboleta, o que eu quero saber agora é quem é esse Borboleta e o porquê desse apelido tão exótico.”

“Esse velho é louco.” Pensou Lúcio e ficou ofegante, chorando, com a baba e a coriza lhe sufocando a respiração. Enquanto Marco se levantava para sair da sala e dizia: “Roque, acho que ele precisa perder mais um dedo para me dizer quem é esse Borboleta.”

“Eu digo, eu digo, pelo amor de Deus, eu digo.” Chorava Lúcio quase não sendo possível entender suas palavras. “É a bicha do Guimba. Só isso. Os dois são bichas mas o Borboleta traveca. Eu juro que é só isso.”

“E esse backup está guardado onde?”

“Num Pen-Drive. Numa dúzia… doze cópias em DVD.”

“E qual outro lugar?”

“Nenhum! Ó meu Deus, eu juro pelo que há de mais sagrado. Não há mais nada!” Babava Lúcio.

“Não acredito nos seus juramentos pelo que há de mais sagrado. Quem sabe o Roque corta os dois dedos menores do lado direito para ficar parelho.”

“Nããão! Pelo amor de Deus. Eu tinha no Laptop, mas vocês apagaram. Eu tinha no envelope que mostrei pra velha que cuidava do padre e depois você pegaram. Hoje eu tinha as fotos no envelope que entreguei pro padre. Um dos DVD eu entreguei também, isso, isso, já entreguei pra vocês… os outros estão com o Guimba. Não tenho mais nada. É tudo. Pelo amor… de Deus… eu não quero mais sentir essa dor.” E Lúcio se entregou a um pranto profuso e desesperado.

Marco, de repente, perguntou: “Por falar no amor de Deus, quais eram as suas pretensões salariais?”

“Como?” Perguntou Lúcio, confuso, chorando, sentindo dores que se projetavam infinitamente em sua imaginação.

“Você, hoje pela manhã, me mandou um recado expondo as sua capacidade e habilidade para se credenciar como um embaixador do inferno na Igreja. Não há vagas em aberto neste setor. Mas seria interessante saber de suas pretensões salariais, já que sempre é possível fazer um arranjo. Quem sabe, se a proposta for boa, eu não consiga uma vaga para você como embaixador da Igreja no inferno. Você não se importaria com essa pequena inversão se a grana for boa? Não é verdade?” E Lúcio teve certeza de que suas chances de sair vivo dali eram absolutamente nulas.

***

Marco passou as informações para Breno. Ele e seu companheiro voltaram ao apartamento 303. Desta vez usavam blusões pretos, meias sobre a cabeça, e pistolas com silenciador. Ao abrir a porta Borboleta foi empurrado para trás e caiu sobre uma mesa de centro. O cheiro de maconha no apartamento era forte e Guimba apareceu nu, vindo de outro aposento e com um riso idiota de quem não sabe se está viajando ou vivendo a cena.

Breno encostou a pistola na cabeça de Guimba e disse: “Lúcio nos mandou buscar o pen-drive e as cópias.”

Guimba se sentiu contrariado, porque não conseguia encontrar um argumento que fosse contrário à ordem recebida. “Lúcio? O gigolô de Eloá? O pen-drive deve estar por aqui. Os DVD eu não sei onde estão.”

Borboleta, um pouco mais lúcido disse: “Os DVD estão na gaveta de cima!” Accioli foi até lá e encontrou 11 cópias enquanto o Pen-Drive era alcançado por Guimba. Accioli tirou um pequeno notebook da cintura e conferiu rapidamente o conteúdo do Pendrive e dos discos. Depois instalou um dispositivo elétrico no computador presente no apartamento e torrou a sua memória.

Accioli rispidamente cutucou a barriga de Borboleta com a arma e perguntou: “Onde está o outro DVD? Falta um! Vamos lá, vamos lá…”

Borboleta, apavorado e excitado, disse: “O outro o Lulu pegou…”

Breno apontou sua arma para o meio das pernas de Guimba e disse para Borboleta: “Boneca, você tem dois segundos para lembrar se há algum outro registro igual a esse por aí. Seja rápida ou as bolas do seu namorado vão pro espaço.”

Borboleta gritou imediatamente: “Tem. Guimba tem um pen-drive escondido que ele gravou para descascar uma olhando a putinha do Lulu. E só o que tem.”

“Você não devia… cara! Eu nem sei onde está!” Resmungou Guimba. Mas Breno enterrou o cano da arma nos órgãos sexuais de Guimba e ele rapidamente se lembrou do lugar onde escondia o pen-drive.  Accioli conferiu o conteúdo e disse para os dois: “Lúcio já está ferrado! Se vocês abrirem a boca vão fazer companhia pra ele.” E foram embora. A operação não durara 4 minutos e o resultado foi passado para Marco que atendeu ao telefone na frente de Lúcio. O bispo fez um sinal com a cabeça para Roque e quando ele passou a se locomover pela sala Lúcio começou a acompanhar os seus movimentos com evidente terror. 

Marco, sentado na frente de Lúcio, disse: “Embora nós dois saibamos que você seja um caso sem solução, agora só tenho boas notícias para você. Primeiro não vamos mais cortar seus dedos. Segundo, como a cocaína é uma de suas drogas preferidas e é um bom anestésico, você vai receber um tratamento ministrado pelo Dr. Roque que vai deixá-lo numa boa. Terceiro: acho que o resultado do tratamento vai levá-lo a obter o tão almejado cargo vitalício… de embaixador. E quarto: Eu vou voltar a rezar por você.”

Lúcio ainda balbuciou enquanto Roque instalava uma solução endovenosa para ministrar a cocaína diluída: “Como é que fica a consciência de vocês?”

“Você conhece isto?” Fingiu surpresa, Dom Marco. “Vou lhe responder! Eu me penitencio muito quando chego a ferir alguém que tenha consciência… mas você não tem consciência, senhor embaixador.  De qualquer forma agradeço a sua preocupação com a minha. ”

***

“É o fim! não resta mais nada para você fazer! suas peças foram dizimadas.” “Eu ainda não perdi.” “Ah! que coisa deprimente! derrube o seu rei.” “Só aceito a derrota se você me der xeque-mate.” “Que assim seja!”

Tudo indica que isto foi o fim. Ou será que não era o fim? Algo foi esquecido? E este jogo? Este jogo que aparece no final de cada capítulo! Quem ganhou? Ou quem ganhará? Que jogo é este? Continua no último capítulo.

(Se você curte histórias que apresentam pontos de vista polêmicos e fazem pensar, visite Pongo)

 

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4 Comentários em “O avesso da pedofilia (ou um Jogo com Padre Alvin (21 de 22))”

  1. Franci23 Says:

    Que padres mais adoráveis, no fundo algo me diz que a igreja católica funciona dessa exata maneira, tipo uma grande máfia sangrenta.

  2. camargo Says:

    ainda to afim de conhecer o bispo…


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