O avesso da pedofilia (ou um Jogo com Padre Alvin (20 de 22))

(Se você quer saber como começou esta história clique aqui para ir para o 1º capítulo.)

Capítulo 20 de 22 (16 de janeiro)

Quando os inimigos são conhecidos a guerra fica mais fácil!

Eloá e Lúcio desapareceram. A casa estava vazia. Helena preparava uma macarronada para alimentar três homens grandes. Alvin permanecia quieto e só participava quando Breno ou Accioli lhe faziam alguma pergunta. Eles ouviam a gravação da conversa entre Alvin e Lúcio. “Ele gosta de se exibir!” Dizia Breno. “E forneceu poucas pistas. Os caras que aparecem na filmagem vestidos de padre são gays, talvez um casal, e é possível que um deles seja esse Guim, o que tem um equipamento de filmagem profissional. Temos fotos ampliadas do rosto dos dois. Se há um lugar onde ele pode ter deixado a cópia é na casa destes caras, pois para terem participado desses filmes devem ser da mesma laia e terem algum tipo de vínculo.”

“Se Lúcio tivesse uma cópia não necessitaria ir até aquele condomínio. E Eloá? Não poderia ser outra ponte?” Perguntou Accioli.

“Não creio. Eloá também era chantageada. A verdade é que vamos ter que levar Lúcio para um passeio e perguntar essas coisas diretamente pra ele…”

“E vocês esperam alguma cooperação?” Perguntou Alvin.

“Com um pouco de persuasão as pessoas dizem muitas coisas.” Concluiu Accioli. “Ou isso, ou cedemos… o que não é admissível!”

“Teremos mais dois convidados para o almoço.” Disse Helena. E logo depois chegaram Marco e outro homem muito alto que foi apresentado como Roque, o motorista.

Todos almoçaram em silêncio. Marco disse para todos: “Esse Lúcio é louco, e um louco inteligente, o que o torna muito mais perigoso.” E depois se dirigiu para Accioli. “Você já tem o perfil de Lúcio,  sabe os lugares que ele frequenta e onde ele costuma estar em determinadas horas. Cole nele quando for localizado e ligue para nós. Estaremos no carro que você nos arranjou, eu, Breno e Roque. Quando nós estivermos com o Lúcio bem guardado, você e o Breno, com o mapa do condomínio e as novas pistas, vão tentar localizar o tal Guim do capeta. Nós vamos esperar suas informações para começarmos a etapa psicológica. Helena revire a outra casa em busca de qualquer pista que possa nos dar o paradeiro de Eloá. Hoje isso termina.”

“E eu?” Perguntou Alvin.

Marco o encarou muito sério: “Reze muito pelas nossas almas. Nós não vamos ter tempo pra fazer penitência.”

***

No fim da tarde Lúcio fechou mais um lucrativo negócio, em que um carro usado e encalhado há meses na loja acabara de ser vendido. Para felicidade do dono da revendedora que agradecia aos céus a hora em que aquele vendedor viera trabalhar com ele. Outro comprador em potencial circulava entre os carros usados, mas não havia nenhum com placa de vendido, que era a senha, portanto Lúcio se desinteressou pelo cliente, embora acha-se uma grande coincidência o fato de ele estar usando um colarinho de padre. O estranho se aproximou dele e disse: “O que o amigo teria para mim?”

Lúcio, que já estava saindo para tratar do grande negócio de sua vida, não pode se esquivar e deu continuidade a conversa: “Procura alguma marca em especial, um ano…?”

Accioli foi direto ao que interessava: “Na verdade eu procuro fotos. E tenho uma boa proposta que acho que vai lhe interessar.”

Lúcio se sentiu acuado e retrucou: “Não lhe conheço, e não sei do que o senhor está falando…”

“Sabe sim. Eu represento diretamente o bispo Dom Marco. E ele é a pessoa que pode atender suas… exigências.” Continuou Accioli.

“Continuo sem saber… padre…”

“… Accioli. Estou substituindo o padre Alvin nesta tratativa. Nós dois concordamos que ele se encontra perturbado por motivos passionais. Soubemos qual é o teor do negócio que o senhor quer propor à Igreja e, neste mundo que vivemos, por incrível que pareça, uma pessoa com suas… habilidades, pode nos ser muito útil.”

Lúcio continuou a olhar para Accioli com olhar de desconfiança: “Isto é uma piada?”

Accioli colocou a mão na testa, e fez uma cara de quem se deu conta de que estava cometendo uma grande gafe: “Senhor, mil perdões, devo o ter confundido… não é o Sr. Lúcio?”

“Sou! Mas…”

“Então não há erro nem piada.” Afirmou Accioli. “O senhor não gostaria de ter uma resposta sobre sua proposta?”

“Sim, mas…” Não era assim que Lúcio planejara. Ele queria continuar aquele assunto com Alvin. Na velha casa paroquial. Dando as cartas. E não falando com um estranho, confiante, que tratava a sua chantagem como uma proposta de emprego. Aquilo estava no tempo errado. Prematuro. Embora ele soubesse que mais cedo ou mais tarde teria que entrar em contato com os peixes graúdos.”

“Então vamos até o carro para que o senhor possa falar diretamente com o bispo, e assim terminar com suas incertezas.” Disse Accioli com a mão no ombro de Lúcio, conversando amigavelmente com ele, enquanto o guiava para um carro preto estacionado obliquamente sobre a calçada. A porta de trás do carro foi aberta e Lúcio foi empurrado. O carro o engoliu e em dois segundos ele estava sentado entre dois padres enquanto outros dois ocupavam o banco da frente.

“Que merda é esta?” Falou Lúcio não conseguindo esconder o pânico que se instalava nele.

Um velhinho magro, sentado na frente ao lado do motorista, virou para trás e sorrindo lhe disse: “Fique frio! E só um lance de pó.”

***

O “escritório” encomendado por Marco ficava no porão de uma velha igreja que estava em reformas. Roque amarrou Lúcio a uma cadeira enquanto Accioli e Breno voltaram a sair de carro.

Lúcio, com os olhos arregalados perguntou para Marco: “O que viemos fazer aqui?”

Marco o olhou demoradamente e disse. “Você vai esperar. Roque vai olhar para você, pois ele é ótimo para descobrir qual é o ponto mais doloroso do corpo de uma pessoa… mas não se preocupe, pois nada vai acontecer com você… pelo menos enquanto eu estiver fazendo a minha parte.”

“E o que você vai fazer?” Quase gritou Lúcio.

“Eu vou rezar por você!”

***

“Não gostei disto.”Ah! quando as coisas não lhe são favoráveis você não gosta.” “Não gostei dos seus métodos.” “Meus métodos? aprendi com você durante esse jogo… na verdade esses são os seus métodos! você esta encurralado, esta é a verdade.” “Ainda tenho os meus trunfos e você sabe disto!” “Ah! isto não é pôquer! é xadrez! seus cavalos se foram, suas torres estão inutilizadas, há igualdade em material, mas as minhas peças estão muito mais ativas, o seu roque é uma peneira, o seu jogo é uma vergonha.” “Você logo verá que não é um blefe!”

Mas que loucura é esta? Deve ser uma simulação! Deve ser uma jogada psicológica para dobrar o inimigo! Será que os “soldados da Igreja” resolveram fazer justiça com as próprias mãos?  Continua no próximo capítulo.

(Se você curte histórias que apresentam pontos de vista polêmicos e fazem pensar, visite Pongo)

 

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2 Comentários em “O avesso da pedofilia (ou um Jogo com Padre Alvin (20 de 22))”

  1. Franci23 Says:

    Caraca a mafia da batina, a cena me lembrou muito alguns filmes de mafia, nao vejo a hora de ler a próxima parte.


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