As últimas frescuras (ou nem tanto) antes de ir votar.

Update às 20:30 – Por 8 votos a 2 foi decretado o falecimento do título de eleitor. Votaram contra:  Gilmar Mendes e Cezar Peluso, que já haviam votado contra a Ficha Limpa, num tocante manifesto de réquiem de Peluso pelo papel defunto.  A nostálgica perpetuação de um documento inútil se mescla com a interessada permanência dos políticos inúteis. Ou, quem sabe, nós, os inocentes, é que não fomos aindas atropelados pelas evidências.

Tiririca é um profissional. Um palhaço. Representa pessoas de uma forma muito mais humana do que os políticos profissionais. É uma pessoa preparada para a profissão que exerce. O mesmo não podemos dizer sobre muitos dos políticos que conhecemos. Por que vamos descriminá-lo? Seus bens estão com os laranjas?  Neste quesito empata com a grande maioria da nobre-classe-imune. Talvez seja um analfabeto funcional? Combinaria perfeitamente com um grande número de seus futuros colegas embora, pelas exigências da profissão de palhaço, tenha uma visão superior do mundo, das pessoas, e do que lhes vai na alma. Tem um ponto negativo? Tem sim. Seu sucesso é fruto do oportunismo dos espertos de um partido nanico. Nunca gostei da graça de Tiririca, mas há quem o adora. Vamos colocar na regra que palhaço não pode? E gari! Pode? Temos que perguntar ao especialista Boris Casoy.  E torneiro mecânico? Ah! Este pode. Vote em quem lhe der na veneta. Ou anule o seu voto se todos os candidatos cheirarem a titica de garnisé choca.

Não se esqueça de levar o título e a carteira de identidade. Por via das dúvidas é bom levar a Carteira de Motorista, o CPF, seus cartões de crédito, o documento militar, as certidões de nascimento e de casamento, e qualquer outra coisa que possa provar que você é quem é, existe, e está vivo, da forma mais redundante possível. Se o presidente da mesa e os seus auxiliares o conhecem há meio século não basta. Mesmo que ele seja o seu pai. É irrelevante o fato de o sistema ter emitido uma listagem em que constam o seu nome e seus números, e, milagrosamente, esta lista ter caído exatamente na mesa em que você sempre vota a cada 2 anos. Também não basta apresentar mil testemunhas de que a última enchente levou toda a sua documentação e que os órgãos públicos são lentos e ineficientes. O próprio fato de que neste instante, faltando 72 horas para as eleições, o Supremo adiou a decisão sobre os documentos necessários para votar, não deve ser levado em conta. Bom senso é algo que custa muito caro, exige um grande esforço intelectual, e pode matar os indivíduos com carência de neurônios. Que o diga  o ministro Gilmar Mendes, figura recorrente nas embromações do judiciário. Ainda bem que a eleição não é um evento sério e nada muda. Se fosse sério, e se eles-tivessem-tido-tempo já teriam tomado uma decisão. Coisas da vida.

E a última chance! Aconteça o que acontecer. Ganhe quem ganhar. Em poucos meses você terá 75% de chances de ter esquecido em quem votou. O que pode ser uma bênção! É o que geralmente se diz da ignorância.  Ou você lembrará do nome do seu candidato, e vendo as coisas que ele estará fazendo já integrado à Corporação pensará: “E eu ajudei a botar esta criatura lá!”

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6 Comentários em “As últimas frescuras (ou nem tanto) antes de ir votar.”

  1. Franci23 Says:

    E mais uma vez digo, é por essas e outras que anulo o meu voto!

  2. romacof Says:

    Vamos perder de novo, amigo Franci. Vamos fazer 5 vezes mais que o Plinio. Um terço da Marina e um décimo da Dilma. Mas nesta esfera isto não é importante. Eu queria ganhar no parlamento. Ele é indigno de nos representar. Uma boa sacudida já seria de bom tamanho.

  3. Marcos V. Says:

    Eleição não é uma coisa séria. Os gregos estavam errados, mas se estamos na Nova Idade Média, porque lutar por um estado se podemos nos encastelar?

    • romacof Says:

      Obrigado pela visita (Estive em “Notas de Mídia”). Cheguei a ficar na dúvida sobre o que eu havia postado. E também fiquei na dúvida se há uma concordância em seu comentário ou uma ironia. Por via de tantas dúvidas aqui vai: Eu não considero a eleição uma coisa não séria. Assim como, provavelmente, as pessoas que cozinharam em filas enquanto as togas não decidiam qual documento valia, depois de terem gasto uma baba (baba nossa), por meses, na propaganda que instruía todo mundo a levar o título e um documento com foto. Peluso e Cia, estes sim, não estavam respeitando as pessoas que necessitam votar para não receberem sansões. Eu considero o evento eleição, na forma atual, um conjunto de perguntas que ninguém responde (oficialmente, embora saibamos as respostas). Por que o voto é obrigatório? Qual é o desenho que falta para que haja entendimento do projeto Ficha-Limpa? Por que a associação de corrupção com arquivo da polícia federal não é mais novidade? Por que nós devemos ser compulsoriamente levados a dizer amém à corrupção usando o voto? Qual o candidato eleito que não está comprometido financeiramente com alguém? Será que alguém acredita que é possível um político permanecer limpo dentro da Corporação depois de ser eleito gastando de 6 a 10 vezes o capital declarado ao se candidatar? Ninguém no TSE conhece matemática elementar? E economia? E cobrança? E chantagem?

      Já estou acastelado. E rouco. E velho. Quando quero gritar deixo que Pongo grite por mim. Os gregos falavam grego. Por esta razão não foram compreendidos. O conceito de uma “Nova Idade Média” é extremamente brochante. Saudações.

      • Marcos V. Says:

        Romacof,

        Não é tanto ironia, é um desabafo (não tenho habilidade com ironia). Li um texto de Umberto Eco onde ele associava nossos dias atuais com uma ‘nova Idade Média’.Para isso usava o argumento de que estamos num desmantelamento geral da noção de estado, numa ‘pax romana’ patrocinada pela nova Roma (EUA), num ambiente de extrema violência que nos faz vivermos em novos castelos chamados condomínios. E também tinha uma comparação com a arte como utilizada como bricolage. Estamos vivendo uma nova Idade Média com o pecado de termos sido doutrinados por Voltaire e a turma toda que disseram que as idéias mudariam o mundo e não termos seguido seus conselhos. Quer algo mais primitivo do que o Islã? (ou outros fundamentalismos religiosos?. A ciência precisa atualmente se afirmar a todo momento, mostrar sua legitimidade frente a teorias como o ‘Design inteligente’, essa nova maravilha do pensamento unilateral (detalhe, acredito em Deus, apesar de não seguir nenhuma religião). Eu aplaudo seu post, o Tiririca é mesmo original, é profissional, os que se irritam com ele ou são cínicos ou coisa parecida. Ele mostra uma desconstrução nesse sistema ‘coorporativista’ como você bem disse. E não estamos mesmo numa democracia, onde o estado que não nos protege e invade nossa vida privada nos impõe deveres antidemocráticos. Sem falar na hiperburocracia com leis ridículas (todo país as tem, mas parece que somos campeões nesse quesito). Os bancos não tem mais atendimento 24 horas por que o estado não te dá segurança; daí um iluminado tem a idéia de criar uma lei que proíbe o atendimento das 22h às 06h. Brilhante – é a metodologia do ‘sofá do adultério’. Eu – acredito que você também esteja – estou assistindo a tudo de camarote, esperando os despojos. E devo confessar que mesmo novo já cansei. Eu tenho um bloguinho inócuo (obrigado pela visita) que confesso será fechado em breve. Irei escrever histórias para as crianças, seguindo (sem pretensões evidentemente) o exemplo de Monteiro Lobato. Cansei do mundo adulto, vou trabalhar com material novo, talvez consiga algo que não consegui ainda.
        Abraço.

        • romacof Says:

          Não feche o blog, Marcos. Nele você pode escrever para as crianças de qualquer idade. Esqueça os adultos. Quem já ficou secou, endureceu, rachou e morreu. Só acha que não. Foi uma satisfação conhecê-lo.


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