O avesso da pedofilia (ou um Jogo com Padre Alvin (15 de 22))

(Se você quer saber como começou esta história clique aqui para ir para o 1º capítulo.)

Capítulo 15 de 22 (fim de dezembro e 01 a 12 de janeiro)

As histórias dentro das histórias são como ecos de um mistério.

O Natal foi celebrado formalmente, frio e falso, onde Helena, que nada sabia, era a única que sorria. Ignorar era uma bênção pensava Alvin. Houve troca de presentes simbólicos e uma oração. Depois Alvin foi para a igreja onde os ofícios relativos ao nascimento de Jesus necessitavam de sua presença. Alvin cumpriu suas obrigações, arrastando os pés e sacudindo a cabeça para manter o foco no que tinha que fazer. Dentro de dois meses seria pai. Dentro de dois meses tudo aquilo que ele fazia há 15 anos seria uma irrealidade em um universo distante. E mesmo enquanto rezava havia uma parte de seus pensamentos que urdia um destino para Lúcio. E sentia que pecava. E que pedir perdão era uma incongruência, pois mal o formulasse a ideia o assaltaria novamente.

O ano acabou. O ano iniciou. Eloá fez dezessete anos e Helena fez um pequeno bolo e todos a abraçaram e a beijaram na face. Alvin em fogo. Helena feliz. Eloá em lágrimas. E Lúcio saboreando o prazer de ser conhecedor do que estava realmente acontecendo no coração de cada um.

***

No dia 12 de janeiro Alvin necessitou sair pela manhã. Iria ao banco, mas estaria de volta para o almoço. Deixou recomendações para que Helena observasse Eloá que poderia necessitar de alguma coisa. Nos últimos dias sua barriga crescera muito, ganhara formas diferentes e ela tinha dificuldade para caminhar. Quando perguntada se tinha dores negava. Lúcio saiu. Helena e Eloá ficaram sós.

No meio da manhã Helena ouviu um grito. Correu para a pequena casa e viu Eloá deitada no sofá: “Rompeu a bolsa, Helena!”

“Vou chamar o padre.”

“Não! Chame Brenda, está aqui o telefone, ela sabe a forma mais rápida de entrar no hospital.” Argumentou Eloá. E Helena prontamente ligou para Brenda que em 10 minutos apareceu. As duas foram no pequeno veículo da assistência. Helena ligou para Alvin e para Lúcio. Achou que esse seria o procedimento correto. Alvin retornou às pressas e preocupado, pois em suas contas aquele rompimento da bolsa estava acontecendo quase uns 40 dias antes do tempo certo.

“Você sabe para qual hospital ela foi levada?” perguntou Alvin.

“Não houve tempo pra nada. Foi tudo muito rápido. A bolsa rompeu, chamei Brenda e elas foram. Tudo não demorou meia hora.” Respondeu Helena.

“E Lúcio? Foi comunicado?” Insistiu Alvin.

“Sim! Mas ele não estava na loja e a pessoa que  atendeu não sabia dar a seu paradeiro.” Disse Helena.

“Ele tem celular! Eu procuro por aqui. Ligue para Brenda.” E Alvin abriu e fechou gavetas em busca de uma agenda ou anotação enquanto Helena tentava contato com Brenda.

Logo Alvin desistiu: “Não encontrei nada?”

E Helena completou: “O de Brenda está fora de área. “

“Ligue para a assistência social e pergunte qual a referência hospitalar do serviço.” Disse Alvin e Helena saiu rapidamente para atender ao pedido do padre.

Quando Helena voltou seu semblante parecia confuso. “Padre, eles me deram o nome e o número do Hospital, eu já telefonei para lá, e me informaram que uma parturiente chamada Eloá deu entrada, está na sala de parto, e está sendo atendida, mas…”

“Mas…o quê? Helena.” Insistiu Alvin.

“Ninguém soube me informar sobre qualquer assistente social de nome Brenda!”

“Como?” Tentou Alvin questionar, mas ficou sem encontrar as palavras para elaborar todas as perguntas que vieram ao mesmo tempo à sua mente. “Helena! fique aqui! Tente se informar sobre a situação e qualquer coisa me ligue. Eu vou para o hospital ver como está… essa menina. Se Lúcio aparecer diga que eu fui pra lá. Ligue de novo pra loja de carros; tente falar com alguém melhor informado. Está bem?”

“Vá com Deus, padre!” Eu vou procurar ajudá-lo da melhor maneira. Alvin pegou o carro e saiu. Helena ligou para Breno e disse: “Está nascendo no Hospital Municipal. Brenda a levou. Alvin está indo pra lá. Não sei onde está Lúcio. Como Dom Marco havia previsto, a bolsa rebentou quase um mês e meio antes da data.”

***

O Hospital Municipal era um mundo ao qual Alvin não estava acostumado. Uma antecâmara do inferno onde todas as dores estavam expostas e a equipe de atendimento parecia estar sempre correndo sem sair do lugar. Perdendo-se nos corredores achou o setor obstétrico, mas uma enfermeira autoritária lhe barrou a entrada: “Mesmo que você fosse o papa teria que esperar sentadinho ali, padre.” E apontou para uma grande sala de espera apinhada de pessoas ansiosas representando todos os níveis sociais mais baixos. Ele era um estranho. Um padre alinhado e bem vestido. Encostou-se numa parede, próximo à porta, disposto a furar o bloqueio ao menor descuido dos funcionários.

A porta se abriu e um médico jovem trocava algumas palavras com… Lúcio. Lúcio estava lá dentro? Alvin se aproximou rapidamente sem saber se o que o consumia era ciúmes, raiva, impotência, ou outro sentimento que sua inexperiência afetiva ainda não conseguira catalogar: “Você, aqui? Como?”

Lúcio sussurrou quase no ouvido de Alvin diante dos múltiplos olhares curiosos: “Calma! Padre. Olha a bandeira! Está esquecendo que eu sou o pai!”.

“Como chegou antes? Tentei lhe achar!”

“Brenda me ligou no caminho para o hospital. Como sou o pai deixaram que eu entrasse.”

“Brenda! E quem é Brenda?”

“Agora fiquei devendo!” Exclamou Lúcio demonstrando uma genuína surpresa. “Se o senhor não sabe quem é a Brenda não sei que sentido tem a nossa conversa.”

Alvin coçou a testa e se sentiu desconcertado. A informação de que não existia uma assistente social chamada Brenda viera por telefone, do serviço social, para Helena, num momento de tensão. Não havia base real para ele considerar essa informação como verdadeira. “Esqueça! Estou tenso! Como está Eloá? Como está o menino?”

“Eloá está bem! Foi parto normal. Agora está na sala de recuperação. Mas o menino está numa incubadora…” Dramatizou Lúcio.

“Numa incubadora!” Exclamou Alvin.

“É! Prematuro. Com os prematuros acontecem essas coisa. O prazo era para fim de fevereiro… os médicos dizem que ele necessita cuidados porque aspirou líquido na hora do parto, risco de pneumonia ou outra coisa do tipo… mas eu tenho fé que vai dar tudo certo.”

“Pneumonia…” ecoou Alvin profundamente entristecido.

“Reze! padre. De todos nós o senhor é o que melhor sabe fazer isso, e eu acho que o… nosso menino… vai precisar de uma boa oração.”

***

Na sala de recuperação Brenda perguntou para Eloá: “Você quer ver o menino?”

“Não! Só quero saber se é sadio.” Respondeu Eloá sem esboçar qualquer emoção. Brenda considerou que aquela poderia ser uma reação dos analgésicos usados durante o parto.

“É forte e saudável. Agora está no berçário onde estão sendo feitos os exames e as vacinas de rotina.” Completou Brenda.

“Quando você vai levá-lo para a mãe adotiva?” Perguntou Eloá.

“Assim que pudermos trocar os papeis e providenciar um substituto natimorto.” Respondeu Brenda.

“E isso é fácil?” Bocejou Eloá.

“Aqui? É coisa de todo dia.”

***

“Ainda acredita no posicionamento de seus peões?” “Hum!” “E eu ainda não usei todos os meus truques.” “Hum! Hum!”

Mas o que é isto? Tudo é uma trama dentro de uma trama? Alvin vai permanecer na ignorância de toda esta sujeira?  Como pode Eloá ser tão dissimulada? E ainda: o que quer, realmente, Lúcio? Continua no próximo capítulo.

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