O avesso da pedofilia (ou um Jogo com Padre Alvin (9 de 22))

(Se você quer saber como começou esta história clique aqui para ir para o 1º capítulo.)

Capítulo 9 de 22 (10 a 12 de julho)

Os fios de um novelo parecem mágicos; podem ser tramados tanto para o bem como para fins trágicos.

Alvin telefonou para Dom Marco e marcou uma visita urgente. Não quis fazer por telefone uma narrativa completa da visita inesperada que recebera. Assim que foi interado dos detalhes, Dom Marco fez várias perguntas querendo extrair de Alvin sua real impressão de Lúcio e por fim emitiu uma opinião. “Alvin, vamos partir do princípio de que esse rapaz é confiável e a menina é doidivanas. Quem sabe isto explique o absurdo das atitudes dela, e, quem sabe, isto sirva para sacudir os seus miolos para que você retome o foco das coisas mais sérias. Mantenha-se informado dos tratamentos, e a recoloque no atendimento do serviço social, visitas, possibilidade de emprego, essas coisas. Torne a vida dos dois o acontecimento mais vigiado possível. Ainda acho que há desdobramentos nessa história. Abra os olhos. Talvez seja útil tê-los por perto para monitorar os movimentos da dupla. Assim que eles estiverem instalados você vai receber uma visita de um técnico da cúria. Ele vai fazer um levantamento fotográfico da igreja, da casa paroquial e das benfeitorias que existem no terreno, visando posteriores reformas, você sabe, e com isto teremos um book de Lúcio e Eloá, ficaremos conhecendo mais de perto quem são eles, de onde vêm, quais sãos os seus costumes, e quem sabe, quais são suas futuras pretensões.”

Alvin tentou retrucar. “Mas Dom Marco acha que é necessário montar um trabalho de espionagem para fazer um dossiê de um casal de jovens desorientados em busca de um canto para morar e ter um filho?”

“Alvin!” Suspirou Marco já perdendo a paciência com o padre. “Vá por mim que uso carpim! meu soldado sem visão. E não bote tudo a perder. Silêncio. Empreste a casa de sua mãe. Seja cordial. Não seja amável em excesso. Você só precisa amá-los como a si mesmo, mas não é obrigado a gostar deles. Palavra do Senhor. Amém.”

***

Em dois dias Eloá e Lúcio estavam instalados na velha e pequena casa que um dia abrigara a mãe de Alvin. Um estranho transportou os poucos pertences dos dois em uma caminhonete caindo aos pedaços. Alvin foi lacônico na recepção e se apressou a sair dali. Jenô arregalou os olhos e protestou na primeira oportunidade que ficou a sós com o padre.

Alvin procurou apaziguá-la com argumentos curtos: “Eu e Dom Marco estamos tentando dar uma nova oportunidade a esses dois. Ela está grávida e não regula muito bem. Achamos melhor mantê-los aqui, com a assistência social dando apoio. Espero o mesmo de você.” Jenô ficou calada, mas balançou a cabeça de forma negativa. Aquilo não cheirava bem para a velha rata de igreja. E o cheiro não era bom desde o dia 4 de junho quando vira Eloá nua e percebera que ali havia muito mais do que uma menina necessitada de ajuda.

Da mesma forma que da janela da casa se avistava a casa paroquial, da janela da sala de janta da casa paroquial se enxergava a pequena casa distante vinte metros. Alvin teve que se policiar para não olhar para lá. Toda vez que o fazia percebia Eloá na sala, como se propositadamente se colocasse em seu ângulo de visão. Por fim Alvin se recolheu à igreja para rezar, mas antes deixou recomendações à Jenô para que ela levasse alguma coisa para que os novos vizinhos pudessem fazer uma pequena refeição na nova casa. Jenô bufou, mas fez o que o padre pediu.

***

Alvin, em meio às suas orações pensava: “Quantos dias? trinta e seis, trinta e sete. Meus Pai, protege este pequeno ser inocente que está sendo gerado no ventre de Eloá. Eu peço que o proteja da loucura do mundo que o gerou!”

***

“Sabe? há momentos em que eu me emociono com este padre Alvin.” “Isso vindo de você é de uma incongruência cósmica.” “Ora, não seja radical! seu bispo daria um belo general nos tempos do Adolf.” “Mas o que é isto? são outros tempos! e você não vai notar incompatibilidades nos atos dele.” “Não é o que me parece!” “Está certo que ele pode até usar métodos pouco ortodoxos, mas a sua meta é e será sempre a mesma.” “Não gostei muito de seus pontos de vista relativistas entre o que é certo ou errado!” “Isto dito por você só pode ser uma piada, mas me diga: o que é o certo e o que é o errado?”

E bem que Jenô tinha avisado! “O pecado mora ao lado.” Já vi este filme! Dois homens apaixonados e uma garotinha maluca. Isto não vai dar certo. Continua no próximo capítulo.

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2 Comentários em “O avesso da pedofilia (ou um Jogo com Padre Alvin (9 de 22))”

  1. camargo Says:

    de novo na espera

    • romacof Says:

      Conseguirá Alvin resistir ao pecado agora que ele mora ao lado? Não perca no próximo capítulo… pedofilia, sexo, drogas e roquenrol.
      “…sejam invisíveis para Alvin também! Quanto menos ele souber melhor para ele e melhor para a igreja.”


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