Indecisos entre o bate-boca e a proposição!

Os três poderes estão abalados por uma crise de identidade. Os três apagaram de suas consciências o significado do que é uma democracia.

Nos debates entre os candidatos, de qualquer esfera, se observa a regra daquele que não sabe onde se meteu: “eu olho o rabo dos outros, mas não olho o meu!” As propostas, quando ocorrem, são evasivas e usam termos abrangentes e quase abstratos para o eleitor comum tais como: uma saúde embasada na prerrogativa constitucional, ou uma educação voltada para a integração sócio-cultural do indivíduo com sua coletividade, ou ainda, a minha favorita, um programa auto-sustentável objetivando o pleno emprego, ou uma segurança responsável e participativa, e por aí vai.

Todos evitam citar – nem digo dissertar sobre, ou fazer planos objetivos sobre – o principal problema de todos os brasileiros. Aliás, o problema que está no âmago de todos os outros. A crise de confiança nas instituições políticas.

Não há motivos sólidos para acreditar na lisura da atividade política. Os três poderes estão abalados por uma crise de identidade. Os três apagaram de suas consciências o significado do que é uma democracia. Nós os eleitores damos emprego a uma colossal corporação onde todos os níveis de conluios desviam o dinheiro público sem o menor constrangimento. Os bons nesta massa, pressupondo sua existência – embora seja difícil acreditar que um indivíduo chegue a se eleger sem estar economicamente comprometido com vários credores futuros – naufragam nas impossibilidades dos ideais isolados.

O que sai pelo ladrão resolveria muitas crises na saúde, na educação, na segurança, no desemprego, e nas linhas de deslocamento da população. Um administrador comprometido com o fim desta crise proporia uma discussão definitiva com as lideranças partidárias. Os partidos políticos têm mecanismos para impedir que candidatos mal intencionados ou incompetentes ingressem em suas fileiras, mas não os usam. A justiça conhece cada um de nós a um nível que nossas mães não foram capazes de conhecer, mas é cega para a aberrante troca de votos por dinheiro e apresenta ocorrências isoladas quando nós sabemos que está acontecendo em todas as esquinas. O legislativo poderia regrar o processo, mas não tem interesse nesta automutilação.

Quando me dizem que o parlamento é a nossa cara, confesso que fico envergonhado. Quando ouço alguém dizer que 99% dos brasileiros são corruptos, eu me recuso a creditar. Quando eu ouço algum político dizer que está me representando eu nego de forma veemente. Nenhum dos senhores me representa! E você? É representado por alguém? Então o observe bem!

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2 Comentários em “Indecisos entre o bate-boca e a proposição!”

  1. camargo Says:

    debates? Tá tendo debates? Nossa, nem sabia…


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