A relação do pum com a economia!

O reino andava triste. O povo não plantava. E, portanto, pouco colhia. E se a produção agrícola caía as exportações despencavam. O dinheiro minguava. E os impostos mais ainda.

O rei, então, ordenou a seus súditos que, numa hora determinada do dia, todos deveriam soltar um peido, seguindo os trâmites de uma nova lei. Rezava o decreto que os homens e as mulheres, os velhos e as crianças, seriam reunidos nas praças das cidades, sob a fiscalização atenta dos ouvidos e narizes do exército, e, na hora marcada, deveriam peidar.  O não cumprimento daquela norma reverteria em severos castigos. E como o assunto se referia ao ar eliminado pelo ânus ninguém tinha coragem de perguntar quais seriam os castigos decorrentes da desobediência ao decreto real.

Chegou o primeiro dia. E a hora se aproximava. O povo inquieto começou a se reunir acanhadamente nas praças públicas. Soldados armados cercaram as praças e organizaram o povo em filas. Algumas pessoas lacrimejavam assustadas. Um menino gemia pra mãe: “Mas eu não tô com vontade, mãezinha!” E a mãe, carinhosamente acariciava a cabeça do filho e dizia: “Mas tenta, meu amor, nem que se seja um peidinho.” Os tambores rufaram e houve um silêncio sepulcral. O arauto do rei subiu num banquinho e anunciou: “Vou contar até três, e se espera que cada súdito cumpra com o seu dever para com o rei.” E ele contou: “Um, dois, três.”

E a fila andou. Cada indivíduo, no seu momento, se espremeu, ficou roxo, e quando peidava passava adiante, feliz, aplaudido por uns e invejado por outros. Uma criança peidou ante da hora e o guarda, magnânimo, considerou válido aquele peido, e os pais, plenos de agradecimento peidaram em uníssono com lágrimas nos olhos. E a fila andava. Os muito pequenos que peidavam a toda hora foram retirados da fila e o arauto disse que o rei em sua bondade já havia previsto que isto aconteceria e perdoava os peidões de tenra idade. Mães choraram de felicidade. E a fila andava. Mas houve os que não conseguiram. Um velhinho até tentou, fez muita força e acabou se borrando. Todos sentiram o cheiro e taparam os narizes. Foi chamado um técnico que disse que aquilo não poderia ser considerado um peido e o velho foi retirado dali carregado por dois guardas que já tinham peidado. Outro homem, forte, depois de quase um minuto de concentração, fez com a boca o ruído de um peido. Houve uma vaia ensurdecedora e, imediatamente, a guarda armada arrastou dali aquele falso peidador. E a fila acabou. Naquela praça apenas cinco pessoas foram desclassificadas, ou eliminadas, e levadas para as masmorras do palácio, onde só o diabo podia imaginar quais castigos estariam sofrendo. Nunca mais se ouviu falar daquelas pessoas que não conseguiram peidar.

Mas, depois daquele dia surgiu a idéia de que se todos usassem o artifício de se entupirem de repolho, cebola, ovos, rabanete, batata doce, ou outros alimentos produtores de gases, iriam conseguir peidar com facilidade. E a notícia se espalhou. E assim foi feito.

No dia seguinte, e em todos os dias depois daquele, a fila andou rapidamente. Todos soltavam sonoros e fétidos peidos sob o aplauso da plebe. Ninguém mais foi eliminado. Foram instituídos prêmios para os mais barulhentos, os mais fedidos, os mais longos, e os mais criativos.  E logo perceberam que teriam que plantar mais daqueles alimentos, e criar galinhas poedeiras, e o esforço nacional para produzir o combustível necessário para produzir peidos, a cada dia mais ao gosto do rei, transformou aquela terra num rico e próspero país. Todos peidavam e eram muito felizes.

E assim a exportação cresceu, e o poder aquisitivo do povo melhorou, e os impostos aumentaram, e o sábio rei sorria vendo a felicidade com que seu povo trabalhava e peidava.

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5 Comentários em “A relação do pum com a economia!”

  1. Franci23 Says:

    Cara, fico sem palavras ao ler um conto como esse, a unica coisa que posso fazer é peidar! heheh

    • romacof Says:

      … e assim cair nas graças do rei 🙂

    • romacof Says:

      Arthur! (o que estiver em negrito considere em letras verdes) Eu já acho que a bolsa família foi uma ótima idéia. Aliás, a idéia de garantir o sustento da família que perde o arrimo em função do desemprego e da miséria é ótima! O grande problema não é o auxílio em forma de bolsa à família do pobre, (mas sim) a falta de auxílio decente às famílias que estão na miséria e não conseguem inserção no mercado de trabalho, mas esta foi a grande sacada do governo Lula, ou seja: o aproveitamento inteligente do nicho pobreza, com um nítido viés de compra de votos embutido… e, afinal, e preciso ajudar estas pessoas pois deixá-las morrer de fome… no meio da rua é que ninguém vai! 😉


  2. Estás contratado pro Ministério da Economia quando eu for eleito presidente da República, ok? 😛

    • romacof Says:

      Ordens aparentemente malignas podem tornar o povo feliz! Na psiquiatria há médicos que conseguem transformar a vergonha em mijar na cama em orgulho por mijar na cama.


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