As leis assassinaram a ética!

Você sabia que não adianta reclamar ao papa, ao presidente, ao pai, a deus ou ao demônio, que o impune vai continuar impune? O criminoso é quem reclama, mesmo que a ética grite por sua inocência, pois as leis são surdas, mudas, cegas, e estúpidas, quando a voz é a sua!

Outro dia entrou no meu consultório uma linda estudante abraçada em um grosso livro cujo nome era “A Ética”. Conheci esta senhora, a ética; tenho um retrato dela pendurado na parede dos fundos da minha consciência. Era uma gorda e disforme utopia sobre o pensamento da humanidade, do ser humano, do humano sendo um ser humano, e que nada tem a ver com as leis, que são a roupa, o traje, o invólucro, o costume podre, ou não, da humanidade.

 O que não é legal nisto tudo (legal no sentido de “pô, que legal!) é que as leis se fundamentam no costume, na casca, e mandam a ética, nua, para a matrona que a pariu!

A ética agoniza secularmente soterrada sob suas mil vestimentas legais. As leis são escritas sobre esta roupagem espessa e são adaptadas aos sabores dos interesses legislativos e corporativos, com respingos no populacho, para quê este não fique de todo infeliz.

Os juízes, os togados, os intocáveis senhores da verdade legal gritam sentenças em nome da ética. Como mentem! Como se convencem com a própria mentira! Como podem ser tão ignorantes, ou fingir serem ignorantes, sobre o abismo entre as necessidades da humanidade e os ditames estabelecidos para a humanidade. Como podem ser tão esquecidos de que a ética foi gravada em suas mentes antes de um dia se debruçarem sobre os livros que ditam as regras da legalidade. Como podem estabelecer como dogmas as leis que maquiam a ética quando o produto é um travesti da consciência da espécie e do bom senso comum. Como podem negar sua própria humanidade. Como podem ser escravos do sistema, este subproduto sem dono e irresponsável, filho bastardo da legalidade, que amassa os seres humanos que procuram as leis em nome da ética, a mãe, e são atendidos pelas leis morais, estas embrulhadas e insensíveis senhoras criadas pelas necessidades fortuitas e individuais das minorias corruptas, que nada dizem ao espírito dos que vivem, respiram, bebem, comem, evacuam, mijam, adoecem, trabalham, rezam, se entristecem, se alegram, amam, odeiam, e acreditam na humanidade que já não existe, pois a legalidade togada permite que se fale uma língua alienígena, só dela, e não está interessada nas necessidades da espécie.

Você sabe o que é um milhão? Você consegue abarcar o significado de 7, 14, ou 21 milhões? Você sabe que em cada rombo deste quilate, aprovado por uma lei, por um aval, por uma assinatura, por um parecer, por uma concordância de um juiz, está um pedaço do dinheiro tirado do seu bolso e sobre o qual você terá que pagar impostos como se o tivesse realmente ganho e usufruído dele? Você sabia que este dinheiro foi desviado, roubado, suprimido do seu trabalho sob os olhos atônitos da ética, mas foi legalizado pelos olhos da moral e dos costumes? Você sabia que não adianta reclamar ao papa, ao presidente, ao pai, a deus ou ao diabo, que isto vai continuar acontecendo impunemente. O criminoso é quem reclama, mesmo que a ética grite por sua inocência, pois as leis são surdas, mudas, cegas, e estúpidas, quando a voz é a sua?

E todos eles, os que se abrigam sob as asas da moralidade escrita e usufruem de seu calor; todos; todos os presidentes, os governadores, os parlamentares, os juízes, os servidores públicos; todos os legais ditadores e os legais beneficiados, que vivem dentro dos três poderes, são pagos com seu dinheiro. Todos os indivíduos que nos roubam e fazem leis que moralizam estes roubos são pagos por você, nobre e ignorante dono desta indústria democrática alimentada pelo voto obrigatório. Eles dizem que você tem o poder. Eles dizem que o poder emana de você e os representantes que você escolheu administrarão a coisa pública para você. Eles dizem que você é o governo. Então acredite! Governe.

E eu desafio qualquer um, qualquer um destes magistrados pagos por mim, a me desmentir. A me olhar nos olhos enquanto eu faço meia dúzia de perguntas. Eu os desafio a responderem como seres humanos despidos das regras, com o corpo revestido unicamente pela ética, enquanto eu olho no fundo de suas almas, se elas existirem!

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4 Comentários em “As leis assassinaram a ética!”

  1. Franci23 Says:

    Falam que nós somos os seus chefes e qyue pagamos os seus salários mas enfim nós só servimos para pagar salários gordos a um bando de imbecís que se beneficiam da ignorancia de um povo estupido que mal consegue se sustentar.

    • romacof Says:

      Esta é a lei! Não discuta com ela, nem com quem legisla ou com quem julga. A menos que você queira ser enquadrado… e olha que isto até pode ser bom!! Preso você vai ser sustentado por quem estiver do lado de fora; casa, comida e roupa (mal) lavada. Pode também ser currado, mas não pelo governo!


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