No fim a história é assim…!

“A comida hoje estava uma merda! Não é, Shiiiu?” E Shiiiu, invariavelmente, balança a cabeça numa concordância frenética seguida de um “gãã”, ou ri, ou chora, ou peida, ou tudo junto, e rimos da vida, ou do que resta dela.                                   

Esta história é verídica! Não em sua linearidade. Pois ela aconteceu em três lugares diferentes e alguns nomes eu troquei porque há personagens ainda vivos. Mas cada pedaço dela, cada episódio, cada drama ou comédia, são instantes verdadeiros da vida de alguém. Nada foi inventado por mais surrealista que pareça. É possível rir, ou chorar. É possível se enxergar aqui e ali. E o pior é que ela continua acontecendo… e talvez venha a acontecer com  você!

Olá! Meu nome é João. Sou um aposentado e moro num asilo. Asilo é um depósito de velhinhos aposentados. É diferente de exílio, que é o lugar para onde mandam os governantes que foram substituídos por inimigos. Exílio é no exterior. Assim como as embaixadas, que é o lugar para onde mandam os governantes que foram substituídos por amigos. O primeiro é um exilado que vive às custas do que ele conseguiu “exilar” enquanto era governante. O segundo é um embaixador, que é uma função remunerada por nós, em que se deve sentir muito pouca dor, como já diz o próprio nome: em baixa dor. (O trocadilho é infame mas irresistível!) Eu não sou um exilado e sim um asilado, e o nome da minha remuneração é aposentadoria. No começo eu recebia 4 salários. Hoje já recebo 2, e, se Deus quiser, vou morrer antes de chegar a 1 salário, que é o custo dos remédios que eu tomo.

Quando eu ganhava 4 salários diziam que eu contribuía para a renda familiar. Depois deixei de ser lucrativo e vim pra cá. Aqui circulam uns 40 aposentados. Uns são “apossentados” em sofás, outros “apossentados” em cadeiras de rodas. E há os “apodeitados” da ala dos “mangueirinhas”, que é como chamamos os alimentados por sonda naso-gástrica e que mijam por uma sonda enfiada na uretra. Naquela ala a rotatividade é bem maior. São aposentados em fim de carreira. Lá embaixo uma mangueira sai de sob os lençóis e se projeta para dentro de uma garrafa debaixo da cama transformando o ato de urinar num contínuo e misterioso gotejar de um líquido amarelo e fedido. Lá em cima a ponta de uma mangueira sai pela narina do cara enquanto a outra se aloja no estômago. Uma atendente conecta um seringão com comida liquidificada na ponta que sai pela narina, injeta o conteúdo e o sujeito fica alimentado; ou hidratado; ou tem seu estômago lavado e aspirado.  Uma facilidade. Estou aqui há 8 anos e quando ouço o zunido do liquidificador na cozinha um reflexo condicionado produz ácido no meu estômago e sinto fome. Mas, se Deus quiser, vou morrer antes de ser promovido a um mangueirinha.

Um dia eu caminhava. E no que me pareceu ser o dia seguinte eu haviam sido instalado numa cadeira de rodas, usando fraldas, com uma branquelinha vesga me obrigando a tomar água por um canudinho. A água teimava em escorrer pelo canto direito da boca e deduzi que alguma coisa de muito torta havia acontecido no interior da minha cabeça. “Que dia é hoje?” Perguntei com uma língua de chumbo. “Faz diferença?” Ela, morbidamente, me devolveu a pergunta. E estava certa. Não fazia. Apareceu a Valquíria, uma mulata forte capaz de segurar sozinha um mangueirinha no colo enquanto dava banho nele. “O que aconteceu comigo?” Perguntei. “Derramo!” Cuspiu Valquíria, numa síntese de delicadeza e conhecimento técnico.

Derramo no cu dela. Eu sentia que minhas mãos e boca voltavam gradativamente para o meu domínio. Dali para os esfíncteres foi um pulo. Mas as pernas não estavam colaborando integralmente. Cai várias vezes na porta do banheiro tentando chegar até o vaso. Até que me amarraram à cadeira com panos. Era para o meu bem, disseram. Eu havia sofrido uma isquemia. Um entupimento. Uma coisa da qual se pode recuperar com força de vontade e fisioterapia. E, se Deus fosse pai, eu ainda iria me livrar da humilhação de ter que cagar e mijar numa fralda podendo perfeitamente fazer isto orgulhosamente sentado na privada. Um dia eu disse para a vesguinha do canudo: “Me dá a porra do copo que eu seguro!” Ela me deu. Eu, vitoriosamente, segurei o copo e bebi toda a água em três poderosos goles sem perder uma gota sequer. A vesga pegou o copo da minha mão, fungou, riscou o meu nome da lista do canudo e foi embora. Aquilo só significou pra ela uma escala a menos na função de aguadeira. A puta havia transformado a minha suada conquista num risco na planilha. Se Deus quiser… ah! deixa isso pra lá.

Eu tenho um amigo cadeirante. Ele é o Shiiiu! Claro que esse não é o nome dele, mas quando ele começa a gritar as atendentes colocam o dedo indicador verticalmente na frente da boca e fazem “shiiiu” e assim ficou sendo o apelido dele. Além de gritar quando surta, ele faz também “gãã”, balança as mãos, baba, peida, ri ou chora sem uma causa aparente, e balança a cabeça no sentido afirmativo. Essa sua última característica é muito útil num monólogo com Shiiiu. Ele concorda com tudo o que eu digo. E quando eu faço perguntas para as quais eu quero que a resposta seja sim ele é o interlocutor ideal. “A comida hoje estava uma merda! Não é, Shiiiu?” E Shiiiu, invariavelmente, balança a cabeça numa concordância frenética seguida de um “gãã”, ou ri, ou chora, ou peida, ou tudo junto, e rimos da vida ou do que resta dela.

Um dia transferiram o Shiiiu pro meu quarto porque concluíram que ele surtava menos quando estava comigo. Não consegui me decidir se aquilo era bom. Tiraram dali um negro não muito velho, que ainda andava, roncava muito, mas não peidava. O terceiro morador do quarto era o Berto, um velho sacana que passava a mão na bunda das atendentes.

No asilo havia também senhoras, que eram poucas e ficavam num quarto grande numa outra parte da casa. Meninos e meninas não podiam dormir juntos. Mas nós nos encontrávamos no refeitório, ou quando nos punham pra quarar em dias ensolarados, ou nas horas das visitas, ou ainda quando um dos asilados aniversariava. Nesses dias nos entupiam de bolo com guaraná, e nos dias seguintes o consumo de fraldas triplicava.

Berto gostava de ser o centro das atenções quando havia festinhas. Ele contava piadas e mentiras com duplo sentido. Eu e Shiiiu, estacionados num canto, bebericávamos nosso guaraná enquanto Berto fazia o seu teatro. Eu bebia segurando bravamente o meu copo e o Shiiiu chupava no canudo da vesguinha, babando mais do que bebia. No dia em que a dos Anjos fez 90 Berto lhe disse: “Então a senhora conheceu o Senador Adolfo!” Dos Anjos, translúcida, apoiada em seu andador e educadíssima, respondeu que não estava lembrada desse senador em especial. “Mas como?” Espantava-se Berto. “Todos de sua época conheciam o Senador Adolfo Dias! Foi memorável o histórico discurso que o Senador Adolfo deu ali na esquina da Ambu-Sertório!” Mas dos Anjos permaneceu convicta de que não conhecera aquele senhor e as outras pessoas em volta de Berto sacudiam a cabeça concordando com a aniversariante. Eu ficava abismado com a pureza daquelas criaturas incapazes de captarem o sentido libidinoso dos trocadilhos de Berto. Ali também percebi que Shiiiu não era tão alienado quanto parecia, pois naquela hora riu tanto, e  peidou tanto, que acabou se cagando. Impestou a sala e a vesguinha do canudo teve que guiar rapidamente sua cadeira pra longe, onde pudesse ser higienizado.

Na semana seguinte aconteceu algo com o Berto. Ele estava imóvel, com o olhar vidrado e a boca torta. Respirava, mas não respondia ao ser chamado. Veio o Dr. Noés. Um hondurenho. Entre o momento em que ele entrava no quarto e a saída não se passavam mais de quinze segundos. Vinte seria um recorde. Nesse tempo ele encostava o estetoscópio no peito do paciente durante duas e meia a três batidas do coração e dizia algo que soava assim: “Trankilo! Puede suspender toda la medicacion, no es?” E a Valquíria ou outra perguntava aflita: “Até o Zé?” Que era a gíria local para o diazepan. “No, el Zé puede incluso cambiar a dos, no mas que tres, no es?” E a atendente suspirava aliviada pois todos os asilados recebiam um diazepan meia hora antes da novela das nove. E o Dr. Noés já em seus segundos finais da visita era questionado pela atendente impertinente: “E o que eu boto na ficha?” E ele da porta batia duas vezes com o dedo indicador na própria testa, e do corredor vinha o eco de sua voz: “Uma obliteracion o un rompimento de una vena acá, no es?” E já havia ido embora o sábio Dr. Noés após diagnosticar mais um “derramo”, no es?

Antes do almoço chamaram um padre para, por via das dúvidas, tentar limpar a barra do Berto com o Criador, já que tudo indicava que o caso era grave. Veio um Frei Capuchinho acompanhado de uma freirinha novinha em folha. Ele começou a murmurar os dizeres de um livrinho e desenhar crucifixos no ar, e de vez enquanto elevava mais a voz, talvez para que Deus o ouvisse ou para exortar o paciente a fazer algum gesto que indicasse o arrependimento de seus pecados. Nós, Eu, o Shiiiu, a Valquíria e dois outros asilados curiosos que entraram no quarto atraídos pelo movimento, aguardávamos, respeitosamente, que terminasse a extrema unção ou seja lá o nome que os padres dão atualmente para esse ritual. O Berto, até então mudo e imóvel como uma estátua, fez um gesto com a mão para que o Capuchinho e a freirinha se aproximassem. Essa, cheia de amor no coração, sorriu e disse: “Basta um gesto para que Deus o compreenda e o aceite em seu reino, meu irmão!” Mas Berto, demonstrando impaciência, quis que os dois chegassem bem perto, mais e mais perto, até que os ouvidos do Frei e da Freira estavam quase dentro da boca do Berto. Então ele disse em alto e bom tom: “Vocês dois são uns bundões!” E voltou a ficar mudo e estático, como todos nós, aliás. Até que o Shiiiu teve uma crise de riso e peidos e todos foram embora, menos eu, o Shiiiu e o moribundo.

Na hora do almoço rodei a cadeira e fui pro refeitório. Shiiiu sempre almoçava no quarto porque ele enfiava as mãos dentro dos pratos dos outros. Quando voltei Shiiiu estava quieto. Ainda ostentava um grande babeiro pintado com as colheradas que haviam sido desviadas do alvo, e um longo fio de baba amarelo-cenoura escorria do canto de sua boca. Então notei que o Berto não estava mais em sua cama. “Aonde está o Berto?” Perguntei pro Shiiiu. Ele continuou a me olhar com os olhos muito aberto. Custei a me dar conta que não adiantava fazer esse tipo de pergunta pra ele. “Levaram pro hospital?” Perguntei. Shiiiu estático; pergunta errada. “Morreu?” E Shiiiu balançou a cabeça afirmativamente, mas de uma forma triste, lenta, e depois fez algo surpreendente. Encostou a palma da mão direita sobre a palma da esquerda e as esfregou em um único movimento rápido de fricção, afastando as mãos uma da outra, o que produziu um chiado. E Shiiiu emitiu um som semelhante a “zupt”. O único diferente de “gãã” que algum dia ouvi meu amigo fazer. Ficamos muito tempo olhando um pro outro. Dois seres humanos esquecidos entre o fim da vida e a chegada da morte.

Alguns dias depois da morte de Berto esperei que a Valquíria aparecesse e argumentei com ela que era um contra-senso o meu gasto com fraldas uma vez que controlava perfeitamente a bexiga e o intestino. Eu só precisava ser colocado na privada, já que o asilo não dispunha de uma estrutura adequada para os cadeirantes junto aos vasos sanitários. Eu pensava perfeitamente, me comunicava melhor do que as pessoas que trabalhava no asilo, e não era justo ser privado do direito de fazer minhas necessidades e de me limpar como os seres humanos capazes de desempenhar essas funções básicas o faziam. Ela ponderou entre seus neurônios e disse: “Mas dá trabalho!” E eu, de forma idiota, em vez de seduzi-la, em vez de explicar que limpar a minha bunda dava mais trabalho do que um colinho da cadeira para o vaso e do vaso para a cadeira, perdi a cabeça, a chamei de imbecil e disse que eu iria trancar as minhas saídas até que a bexiga explodisse e a barriga se transformasse num gigantesco depósito de merda. Ela disse: “Duvide-o-dó!” Virou as costas e foi embora.

Eu já estava arrependido antes de terminar de proferir minha ameaça. Mas como voltar atrás? Ficar vários dias sem evacuar é relativamente fácil embora um dia tenha que se pagar com as conseqüências. Mas ficar sem urinar é algo dificílimo. Logo percebi que a capacidade de minha bexiga não era proporcional à minha coragem e nem à minha estupidez. Em um dia não consegui mais sair da cama e nem me alimentar ou tomar água. No dia seguinte comecei a apresentar suadores e calafrios e logo veio a febre. A dor começava a ser insuportável ao mesmo tempo em que eu constatava, horrorizado, que mesmo a tentativa de urinar, capitulando vergonhosamente, tornara-se impossível pois a distensão da parede da bexiga era tal que não deixava espaço para que voluntariamente eu pudesse contraí-la. Por fim a Valquíria apareceu e percebi que ela estava preocupada com as possíveis conseqüências de nossa quebra de braço. “Vou sondar!” Disse ela para a vesga do canudo que quase teve um orgasmo e saiu correndo em busca de uma sonda.

Naquela hora a tortura da sonda seria um alivio comparado com o que eu estava sentindo. A Valquíria abriu as minhas fraldas e aconteceu uma série de eventos que só depois pude reunir de forma lógica. Ela se deparou com uma estupenda ereção. A tesão do mijo. O esforço reflexo da vascularização do pênis tornando-o rijo para fechar a comunicação da uretra com a bexiga na altura da próstata. A Valquíria em sua ignorância gritou: “Velho tarado!” Eu rindo e febril me senti um Rambo armado com uma bazuca apontada para a cara do meu inimigo. As imagens de um geiser de Yellowstone prestes a explodir e outra de um chafariz bruscamente religado me vieram à mente. Um jato poderoso de mijo curtido por mais de 24 horas foi lançado com a força de uma mangueira do corpo de bombeiros na boca, nos olhos, e no cabelo chapado da minha algoz. Ela gritou e fugiu descabelada. O quarto foi lavado pelo meu alívio.  Tonto ouvi as risadas alucinadas e felizes de Shiiiu, que batia palmas e dava tapas na própria testa aos gritos de “Gãã, gãã, gãã, gãã.” Eu joguei as pernas pra fora da cama, mas elas não me obedeceram e eu cai em “slow motion” no chão…

Repentinamente lúcido me arrastei em direção ao banheiro disposto a lutar até a última hora pelo direito de mijar e cagar como um ser humano. Eu, João, aposentado, asilado, sequelado e escorregando no chão mijado, me sentia um herói.

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18 Comentários em “No fim a história é assim…!”

  1. Franci23 Says:

    Isso sim e um belo depoimento, em certas partes me senti lendo um livro de Marcelo Rubens Paiva… Simplesmente maravilhoso.

  2. Patrícia Fernandes Says:

    impressionante a capacidade que este texto tem de te levar para o ambiente do João, quando eu crescer vou escrever como você. Beijos


  3. A la putcha, tchê!

    Sabes o que me lembra esse texto? O quanto as pessoas perderam a capacidade de indignação. Sabemos que estes absurdos ocorrem, mas nada fazemos para corrigir tais situações. Limitamo-nos a reclamar, reclamar, reclamar. Enquanto isso, os donos do poder – mesmo o poder banal de decidir entre levar alguém para o banheiro ou meter-lhe fraldas contra sua vontade – ignoram nosso bem estar, nossas angústias e nossas necessidades em proveito de seu próprio conforto.

    O Berto não passou a mão na bunda da freirinha, não?

    • romacof Says:

      Naquela hora todos os seus esforços estavam concentrados em dizer sua última bobabem! Mas que lá no fundo ele teve vontade, ah! isto teve.

      No asilo havia um negro grisalho chamado Anacleto. Ele era o trocador de fraldas. Mal terminava numa ponta já tinha que começar na outra. O João perguntava para ele: “Você não cansa de ver tanta bunda cagada, Aná?” E ele respodia: “Canso, mas se niguém cagar eu perco o emprego!”

  4. Antidemon Says:

    Nunca dei tanta importancia em frequentar o banheiro até ler este texto, isso não é ironia (só pra esclarecer).

  5. Antidemon Says:

    Há, e como o Arthur comentou, tbm imaginei que o Berto tinha outras intenções ao chamar a freira pra tão perto, confesso que fiquei frustrado com a ação dele, comparado com o que minha fertil cabeça havia projetado nesta cena, eu ja estava rindo antes de acabar de ler o episódio, por isso a minha frustração.

    • romacof Says:

      Vou responder todos por aqui // Saudações! Antidemon. Seja bem vindo a estas paragens. Quanto ao que Berto disse no santo ouvidinho da freira confesso que tive vontade de dar asas aos meus instintos, mas procurei ser o mais fiel possível ao fato, já que verídico. Minha frustração em frustrá-lo é enorme. // Quando um velho responde que está “mijando bem… e com orgulho” ele quer dizer que a tesão matinal do mijo lhe permite lavar a parede sem usar as mãos; isto deve ser respeitado como um feito glorioso; quem viver compreenderá. // Obrigado pelos comentários e os apartes/ sempre bem vindos e respondidos.

  6. Li Says:

    Minha cunhada,nutricionista,trabalha em um asilo.
    Verdadeiro depósito de velhos.
    Fui lá algumas vezes.As pessoas nunca lembram que
    aquilo que pode livrá-las destes lugares é o amor.
    E não importa de quem for.
    Tenho um amigo,solitário por opção,vou cuidar dele
    quando ele ficar velho.
    Ele é um amor de pessoa,mas parece que só eu consigo ve-lo assim,rs.
    Talvez porque ele seja um amigo muito querido.

    • romacof Says:

      Este é exatamente o problema. Alguns são amados por quem não tem condição de cuidá-las na velhice. Necessitamos da combinação da capacidade com a vontade. O seu amigo solitário é privilegiado por conhecê-la!

      Em tempo: Soube que Shiiiu morreu em agosto.

  7. Li Says:

    Deixou de sofrer.
    Não sou boazinha,longe disso, é que tenho um carinho muito grande por este meu amigo,ele é mais do que um irmão.
    Ele é cheio de manias e por isso mesmo precisa de quem o ame incondicionalmente.
    Amar é um compromisso de grandeza…..e somo tão humanos ainda.
    Dizer “eu te amo” é a coisa mais fácil do mundo.
    O complicado é por esse amor em atitudes.

    E eu estou aprendendo a amar,amando.

  8. camargo Says:

    com alguma frequência visito os velhinhos em Camboriú… vou lá levar algumas comodites e, confesse, tenho grande dificuldade em olhar para eles no olho no olho… porque a grandiosidade ou mediocridade de uma vida pode estar ali, atada com nó forte a um fim (material) comum a todos… sempre saio de lá com sensação semelhante à de ler O tempo e o vento… tudo vai passando, e nós juntos… excelente texto, camarada, como sempre. Faz muito bem literatura desta qualidade…

    • romacof Says:

      O texto é velho! Pensei no João (que faleceu há 12 anos!) e fui fiel à chamada do face (No que você está pensando?). Quanto mais passa o tempo mais eu me vejo sendo o João. O João é cada um de nós num amanhã possível. O João nunca me disse que estava no fim, ele sempre olhava pra mim e dizia: ” Como você está ficando velho!”

      • camargo Says:

        o tempo e o vento talvez seja o romance mais marcante em minha vida, bem como o que mais me ajudou no processo literário de produzir livros. Sofro com o “estigma” de livros espíritas, já que a maioria podem ser chamados assim, porém, a própria editora sofre comigo pq não fico restrito à doutrina, de forma nenhuma. Muitas pessoas que eu conheço já me disseram que meus livros ficam no meio dos romances e não dos livros espíritas. Esta não restrição aprendi com o Veríssimo, entre outras tantas coisas, como não se importar em explicar ao leitor o destino dos personagens. Bem, falei tudo isso pra lhe dizer que o teu texto me fez sentir igual quando leio o Veríssimo, que é meu ídolo. Parabéns mais uma vez.


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