A Bíblia!

Li a Bíblia inúmeras vezes. Não saberia dizer quantas. Nas duas primeiras eu ainda usava batina e a li com a fé e o deslumbramento dos fundamentalistas. Depois eu voltei a ler ou movido pela curiosidade ou pela crítica, conforme os apelos do momento. A li comparando-a com as bem mais antigas lendas sumérias ou acadianas, e encontrei releituras ou plágios gritantes com nomes dos personagens trocados. A li procurando referências justapostas as dos livros de Erich Von Daniken, e encontrei uma estupenda biblioteca ficcional.  A li a procura das maldades perpetradas por um deus ambíguo que ora ama e ora manda o pai matar o próprio filho, e, tirando os excessos do ateu sem dúvidas, que são quase idênticas aos do fanático religioso sem dúvidas, pude entender Richard Dawkins. A li fazendo comparativos entre a cronologia bíblica e o conhecimento geológico, e vi enormes contradições entre a história contada e as constatações científicas. A li até para traçar um paralelismo entre o relato bíblico e as aventuras de Jasão de J.J.Benítez na série sem fim de “Operação Cavalo de Tróia”, ao ponto de ficar enjoado. A li tentando achar argumentos que corroborem as afirmativas criacionistas mas conclui que Charles Darwin ganha de goleada. Mas aconselho a todos que a leiam. Nunca tome de empréstimo opiniões sobre a Bíblia. É como uma experiência mística: você só pode amá-la ou odiá-la depois de passar por ela.

A bíblia é tão rica na permissividade para variadas interpretações que o próprio diabo pode ganhar incontáveis discussões citando seus versículos. A bíblia serviu de guia e bandeira para as nove cruzadas que, em nome de Deus, da fé, da igreja, do Papa, e para obter o perdão dos seus pecados, e alcançar as graças de uma vida eterna cheia de delícias, marchou sobre a Palestina com a finalidade de conquistar a Cidade Santa de Jerusalém, matando todo e qualquer muçulmano pelo caminho, fosse homem ou mulher, fosse velho ou criança, sob o fio das espadas bentas pelo sumo pontífice, aprofundando indefinidamente o abismo preconceitual entre as duas religiões. O que nem Deus sabe quando vai terminar. Quando a chacina começou, em 1096, a ignorância e o medo do fim do mundo que, como sempre, estava próximo, justificaram o cego deslumbramento religioso que moveu os “firanj” contra os irmãos do leste, mas depois a Igreja criou gosto pela atividade e a manteve por dois séculos, até 1272. Pilhagem é um negócio muito lucrativo. Na época ninguém percebeu que a briga era motivada por uma diferença lingüística. O que num lugar era chamado Deus lá adiante era chamado de Allah. O cara era o único e o mesmo, só os idiomas eram diferentes. Mas a palavra do verdadeiro Deus, expressa na Bíblia, necessitava entrar na alma daqueles infiéis nem que fosse goela abaixo.

O Papa Leão X em seu divino poder de representante de Pedro, inspirado pelo Divino Espírito Santo, debruçou-se sobre a Bíblia e fez ótimos negócios vendendo indulgências aos crédulos. Nesta negociata ficava acordado que pelo pagamento de quantias variáveis, utilizáveis na reforma da basílica de São Pedro, se podia comprar o perdão de pecados, inclusive de parentes mortos penando no purgatório, considerado na época uma espécie de ante câmara para o inferno, onde os pecadores ficavam a espera de que algum familiar amoroso pagasse sua fiança. Graças a esta aberração a Igreja fomentou o surgimento do teólogo e monge agostiniano Martinho Lutero, que, com razão e com a Bíblia em punho, sentou o pau na corrupção da Igreja Católica e daí nasceu o protestantismo e toda esta infinidade de seitas que conhecemos hoje. Inclusive as que rezam, atualmente, frente às câmaras em agradecimento pelo recebimento das propinas que sacramentam a política laica.

É por isso que afirmo: a única palavra verdadeira é a minha, e quem for meu seguidor estará completamente perdido!

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9 Comentários em “A Bíblia!”

  1. Alan Cichela Says:

    Seguir-te-ei homem de valores altruistas e sem segunda intenções que escreves palavras soltas de bom grado aos divinos mercadores de nossa casa, que prometem o valhala(não sei se acertei), depois das batalhas infindavéis. Garatujas e cusparadas…ou cuspide-las, o que vale é lavar esse recanto de nossa alma…o grandioso e intrepido aventureiro do grande arquiteto, que caminha pelo meio sem olhar algures ao próprio peito.

    • romacof Says:

      Puxa vida! Acredito que algum ancestral meu, perdido entre a idade das trevas e o acender da primeira lâmpada, deve ter a tampa de sua tumba abaulada pelos versos deste menestrel, embrora a Santa Fé o maldiga e o renegue até a sétima geração. Amém.

  2. Jaime Maggi Says:

    Li, na primeira vez, esse livrinho, quando o Padre Delai, lá no Rio do Terra, disse que “se Deus não existisse nós não estaríamos aqui”. pensei bem sobre a frase e depois de ler a bíblia comecei a dizer que meus deuses são meus pais – deves lembrar que dizia antes dessa época a máxima “se não fosse vcs eu não estaria aqui”, e verás que tão antiga é minha aversão a igreja e meu amor por mim mesmo e minhas “convocções” de satisfação íntimas (mas corretas) – a segunda, e última, que li foi após a crisma (que fiz por questões bem óbvias, não queria, nem quero, aborrecer um de meus deuses) pois na catequese a professora falou que Deus era a maior força do Universo, e, eu, já interessado na aula de geometria, onde “um ponto não é nada e uma circunferência é um numero INFINITO DE PONTOS”, pensei: acharei na bíblia minhas respostas sobre A GRANDE REALIDADE DA VIDA. frustrante, e terminei lendo-a com maior raiva que a 1º vez, pois a única coisa que pensava ao ler era em como tudo o que foi dito no passado foi usado de maneira maquiavélica contra as mentes ignorantes para criar uma grande intidade as custas de um livro de instruções socialistas e humanitárias. e, sabe-se, que se fossemos, a maioria e capitalista parte, pelos rumos do Saladino a coisas estaria tão fodida quanto hoje. Mas gostei de ter dito “a única palavra verdadeira é a minha”. o estranho é que quando eu dizia isso (sobre as minhas verdades ementiras) a uns 15 anos atrás tu repreendia. Mesmo, eu sabendo, que no fundo era o caminho certo, o meu, já que todos sabem, que eu sempre tenho razão.

  3. romacof Says:

    Jaime! Você sabe que a Bíblia é um compêndio escrito ao longo de milhares de anos por incontáveis autores que não tiveram a chance de uma edição e, salvo no final, nunca se encontraram. Além do mais, este livro já foi remendado inúmeras vezes nas re-cópias e nos concílios, principalmente no 19° (o de Trento, o seu preferido). Não cabe aqui a veracidade do seu conteúdo. O busílis (sempre quis usar esta palavra!) é o amor e a crença cega que uma grande fatia da humanidade tem pela Bíblia. Embora nela sejam encontradas gritantes contradições e ambiguidades dignas de um psicopata que não se definiu entre o amor e o ódio. Na minha versão de um deus hipotético tal dualismo numa mesma entidade é inadmissível. A menos que existam o Todo Bem e Todo Mal e os autores as vezes se confundiam e não sabiam com quem estavam falando… por via das dúvidas caneteavam o dito pelo não dito e ficou esta bela colcha de retalhos. O fato é que civilizações estão alicerçadas em livros deste tipo, queiramos ou não. Então este livro deve ser lido e estudado. Se você sobreviver a este estudo mantendo sua integridade já é um bom começo… 😉

    • Jaime Says:

      o prio foi o concílio de Nicéia – foi ali que se começou a chamar um filósofo (que tinha fília com uma “prostituta”, que não era seque puta) de deus virgem e puro. foi decidido ali as datas que “aconteceram”, como natal e áscoa – sobre o livro, eu estudei e sobrevivi sim, a questão não é o que está escrito, o problema aquilo que as pessoas entendem do que foi o amontoado de fatos sociais – ao invés de parar, e pensar, o ser ignorante prefere uma frase confortante do tipo “deus quis assim” e isso é como o “ar verde entrando no pulmão na propaganda do vic vaporub”. a coisa não funciona, mas você acha que sim. a mesma doença tem uma cura própria do ser doente. não se usa o mesmo método para tratar todos os sintomas. não adianta dizer para o cara baixo, e para o cara alto, que ele precisa saber enterrar a bola, o cara baixo precisa saber ser útil no jogo de outra forma. as instruções passdas para sociedade servem apenas para um pessoa (o que está passando a mensagem) pois para todos os outros a mensagem está dentro da própria mente. a instrução correta é “não siga instrução porra nenhuma, crie você a instrução”, a bíblia é equivocada – de uma inteligância que da medo de tão maquiavélica, mas equivocada no sentido de “querer ajudar o próximo”. contra fatos, não há argumentos. prefiro dizer “que eu sempre tenho razão do que me amarrar com dinamites numa escola cheia de crianças, ou quimar parteiras como fez a igreja, pois Deus deu a dor do parto como castigo por comer uma maça e técnicas de alívio das parteiras eram coisas do demonho. SIM, EU SEMPRE TENHO RAZÃO.

      • romacof Says:

        É preciso ver o lado limpo do papel higiênico usado, utilizando suas palavras, pequeno gafanhoto. A história foi reescrita por todos os contadores. Até na mais recente há quem negue o holocausto. Vai continuar sendo assim para desespero dos “donos da razão”. Eu também sempre tenho razão mas ela só serve para mim!

  4. Li Says:

    Li esse livro um monte de vezes,rs.

    Li-o para salvar minha sanidade.

    Tem muita coisa legal nele….e cada um o interpreta segundo seus interesses.

    • romacof Says:

      Usei batina por quatro anos. Naquele tempo Jesus dizia: é leitura obrigatória e pronto! Não me arrependo de ter lido. Mas até hoje me lembro das interpretações dadas à história contada. Algumas são arrepiantes. Não as interpretações em si, mas o fato de que aquelas pessoas realmente acreditavam no que estavam dizendo.

  5. Li Says:

    Eu acredito em uma energia superior.
    E por acreditar nisso gosto de saber,ou de imaginar,certas coisas.

    Eu garimpo belíssimos textos neste belo livro.

    Gosto do perfil de certos personagens e aprendo
    o que me interessa aprender.

    Mas não me deixo cegar pelo brilho de certas estrelas.

    Quando queremos,ou nos interessa,aprendemos até
    com as hienas e os chacais,rs.


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