As Parábolas do Médico Idiota e a do Paciente Idiota!

Hoje é 1º de março de 2010. Para todos os efeitos práticos o ano esta começando hoje. Hoje começa a depressão pós férias, a preocupação com o imposto de renda, se evidencia a necessidade de cortar a grama que se transformou numa selva durante a nossa ausência e saber se não está desempregado. Hoje também começa o despertar neurônico total dando repouso aos dois nobres plantonistas que sustentaram os nossos reflexos vitais durante o verão. Graças a eles podemos respirar, dizer bobagens, dormir, levantar copos, esvaziar bexigas, tentar lembrar o significado das duas protuberância ondulantes que sustentam o fio-dental que nós não sabemos porque tem este nome, comer e achar espaço para mais comida. E neste despertar, entre as pilhas de jornais não lidos na porta de casa, nos deparamos com lembretes sobre nossas cíclicas obrigações cívicas: escolher um novo empregado, que, tal rabo de pavão, após eleito, se julgará a bolacha mais recheada do pacote, com direitos divinos de fazer todas as defecadas que nós teríamos vergonha de fazer. Então me vem ao quengo a parábola do médico idiota, ou do paciente idiota, conforme sua preferência. Intolerância, em medicina, se refere a um conjunto de sintomas desagradáveis que um paciente específico apresenta quando lhe é administrado um medicamento qualquer. A prescrição deste medicamento, é bom esclarecer, a priori está correta: casa com o mal que o paciente apresenta e para quase todos os pacientes produzirá a solução do problema que o levou a consulta. Mas, para aquele nosso paciente em especial, o sortudo, o medicamento causará náuseas, ou diarréia, ou cefaléia, ou outra coisa inesperada e indesejada que determina que aquele indivíduo apresenta intolerância ao medicamento prescrito. Ponto. Logo o medicamento bandido deve ser evitado pelo paciente infeliz, e o médico, inteligentemente, deve esclarecer o paciente e não prescrever mais aquela droga. Se o médico voltar a prescrever a parábola se chama “a parábola do médico idiota”; se o paciente, apesar da experiência malfadada e dos esclarecimentos ainda vier a tomar o medicamento a parábola se chama “a parábola do paciente idiota”. Num tempo menor do que uma gestação seremos obrigados a escolher um novo pavão para algumas funções governistas. Nós podemos escolher a parábola. Há políticos reeleitos com uma ficha criminal invejável para muitos bandidos de carreira. Porque foram reeleitos? Amnésia? Cumplicidade? Ignorância? Alienação? Tirada de sarro? Não-tô-nem-aí-colibri? Também quero mamar? É complexo fazer um diagnóstico! Leio: O “Projeto de iniciativa popular, conhecido como Ficha Limpa, foi entregue à Câmara em setembro do ano passado, respaldado por mais de um milhão e trezentas mil assinaturas.” O projeto visa impedir que políticos condenados em primeira instância por crimes contra a vida e o patrimônio popular tenham acesso ao processo eleitoral. Se a Câmara e o Senado tiverem a intenção de vetar a participação de criminosos como candidatos, ainda nestas eleições, devem aprovar a matéria até junho. Mas as notícias dizem que os parlamentares já acenaram com um abrandamento do tipo “a-coisa-não-é-bem-assim”, numa estupenda demonstração, contra todas as evidências e anseios populares, de uma Parábola do Médico Idiota. Mas, se, o deboche transbordar em sinais de casuísmo em defesa explícita de seus pares, o que impede que os contratantes, os patrões, os mandantes teóricos do sistema democrático, nós, a massa, não determine extra-oficialmente a validade do projeto. Ou nós vamos continuar a repetir a Parábola do Paciente Idiota? Vá gostar de vomitar assim no inferno!

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9 Comentários em “As Parábolas do Médico Idiota e a do Paciente Idiota!”

  1. camargo Says:

    eles vão se proteger, é natural,é da natureza… alguns vermes formam crisálidas para proteger suas mutações, a diferença que da crisálida política continua saindo vermes…
    quem sabe um dia nossos votos virem borboletas…

    • romacof Says:

      O resultado das eleições é uma questão cultural. O aculturado não se enteressa pelo futuro dos filhos e netos. Se o sacana que compra voto dá o fubá pra hoje está feito o negócio! Parlamentar não merece voto porque é um inútil dentro da mecânica política. Há mil maneiras mais baratas, eficientes, e honestas de intermediar o apelo popular. Inseticida neles!

  2. Monica Says:

    Se vetarem a participação dessa turma, periga não dar quorum pras eleições… acho que vamos ter é a Parábola do Eleitor Idiota.

    • romacof Says:

      A Parábola do Eleitor Idiota é a que vem sendo aplicada todos os anos. Gostei deste “perigo”: ausência de quorum por falta de idoneidade, seria o máximo mas não chegaríamos a tanto…

  3. camargo Says:

    estou abusando do teu espaço…
    dá uma olhada na minha última postagem sobre escritores desconhecidos e, gostar também, divulgue para os conhecidos pedindo para divulgarem para os conhecidos. O assunto é pertinente e impostante.

    e todos que lerem esse comentário que não tem nada a ver com a postagem do romacof, olhem lá também e divulguem para os conhecidos…

    • romacof Says:

      Lido e linkado. A propósito, é bom começar a pensar num pseudônimo para o coletivo (aquele – se não morreu!)… tem que ser um nome com sotaque alienígena para atrair os leitores de griffe.


  4. Romacof, agüenta as pontas, dentro de um ano ou dois eu aprontarei o inseticida! 🙂

  5. camargo Says:

    faz dias que to pensando num nome com sotaque alienígena… ou esperando ser abduzido…

  6. Lya Says:

    Tenho o medicamento ideal:não votar!


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