NÃO! Não diga não à corrupção!

Outros títulos possíveis: mecanismo em cadeia, ou faces da corrupção, ou porque governar sai caro! 

Conversando com pessoas que trabalham com a mídia fiquei sabendo de assombrosos (pelo menos para mim) mecanismos considerados normais, naquele meio, quando o cliente é o governo. Um comercial médio, feito em praça local, em uma cidade de interior, tem um preço que oscila entre 5 a 35 mil reais, dependendo da locação (cenários e transportes), pessoal envolvido, e cachês pagos. Se o cliente for o governo o preço passa a ser de “tabela cheia”, ou seja, cerca de 80 mil reais. E o governo paga.

Ainda quando o cliente é o governo, mas as agências publicitárias necessitam recorrer a serviços terceirizados, acontecem surrealismos tais como o de alguém apresentar um preço de 20% abaixa da tabela, considerando os custos das terceirizações, mas perdendo para um segundo que ofereceu um desconto de 99%, e este ainda perdendo para o vencedor da licitação que faz o trabalho dando 100% de desconto! Ou seja: este, em teoria, nada ganhará. Mas apresentará todos os serviços terceirizados, que por sua vez serão divididos em grupos por tipo de trabalho, que participarão de licitações com um mínimo de três concorrentes, todos super-faturando, ganhando o menor preço, que repassará a margem pré-estipulada ao primeiro vencedor que ganhou a licitação original! teoricamente fazendo o serviço de graça, mas a um custo muito maior. E o governo paga. É o samba da vaca louca.

Em outros patamares, nas grandes praças, o mesmo jogo ganha outras feições.  A Globo dá descontos de 10 a 30%, dependendo do cliente. O governo paga tabela cheia. A Record dá em média 80% de desconto. O governo paga tabela cheia porque é o dono da vaca. E a igreja Universal também paga tabela cheia porque é onde se lava o leite. O SBT dá descontos de 98%, ou até 98,5% para clientes especiais. Mas o governo paga a tabela cheia.

Para se ter uma idéia do que significa tabela cheia vou apresentar alguns números fornecidos pela Globo: para Porto Alegre, 30 segundos nos intervalos do Jornal Nacional custam R$ 16.116,00, e R$ 16.587,00 nos intervalos da novela das oito. Os mesmos 30 segundos, em rede nacional, custam R$ 381.000,00 durante o JN e R$ 380.300,00 nos reclames do Plim-Plim em “Viver a Vida”. A morena crespa e simpática nos sorri uma retórica patriótica – Aparece o colorido logo “Brasil, um país de todos” – e o governo paga 380 mil reais. Plim-Plim em mim.

Hoje não sei, mas há 4 anos, uma inclusão no corpo da novela, de até 10 segundos, custava 450 mil reais. O galã diz para a gatinha: “Peraí que vou pegar uma grana” e entra no Itaú. Plim-Plim no Itaú. A menina de vestidinho repolhudo entrega para a mãe uma sacolinha do Boticário: “Te amo mamãe!” Plim-Plim no Boticário. E aqui não se fala em tabela cheia porque o governo em teoria necessitaria da permissão do autor e dos atores da novela para que uma inclusão deste tipo fosse feita. Graças a todos os deuses que não estiverem de férias!

Ainda, e para terminar, sobre tabelas cheias, é bom não esquecer que toda vez que, no primeiro break, logo após as primeiras chamadas de Fátima e Bonner e da vinheta do JN, aparecer de forma exclusiva um comercial do governo nós estaremos pagando 571 mil por aquele Plim-Plim.

Você deve pensar (se pensar não lhe dói)! Isto é um descalabro! Vamos acabar agora com esta corrupção! NÃO! Não diga não à corrupção… pelo menos por enquanto… Não faça isto sem estar preparado para os males que assolariam o país nos próximos anos.

Um hipotético momento de corrupção zero provocaria em cadeia uma série de problemas graves. Em poucos dias, a brusca entrada de dinheiro nas emissoras de televisão, nas empreiteiras, e nos fornecedores de medicamentos, para citar estes três sumidouros (quando a lista deve ser enorme), levaria a uma demissão em massa, a um nível de desemprego jamais visto, e a uma abrupta queda no volume do dinheiro circulante.

Como sabemos que o governo é lento, ele levaria cerca de 2 a 3 anos para perceber que o dinheiro dos superfaturamentos e das propinas poderia ser usado para gerenciar, produzir, resolver, alimentar, saciar, abrigar, tratar, curar, ensinar, formar, sanear, proteger… enfim, governar! Enquanto isto ficaríamos a deus dará, e nem sabemos se ele se importa…!

 

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25 Comentários em “NÃO! Não diga não à corrupção!”

  1. camargo Says:

    não se importa, isso é fato. Esse é um dos fatores que me irrito com programas tipo CRIANÇA ESPERANÇA. Estão trabalhando com bilhões anualmente, e nos pedem mais.
    O Brasil parece uma lavoura de terreno muito fértil, mas onde o lavrador não tem coragem de passar a enxada no que não presta.
    Então vai crescendo de tudo, e muito de tudo, tanta coisa boa que dá essa impressão de crescimento e mata a fome, tanta coisa ruim que dá essa realidade de sofrimento. E esse passar de enxada nem sempre é falta de coragem, é preguiça, ou malandragem, pra que possa tercerizar o serviço.
    Esse fim de semana minha esposa tinha um jantar da UNISUL em Tubarão, onde ela dá aula. Fazia tempo que eu não passava pela 101 em estado de duplicação (degradação). Que monstruosa falta de respeito com o ser humano!!! Me diga uma coisa, caro Romacof (e outros habitués comentaristas), se não iam terminar, por que mexeram em tudo? Por que trouxeram perigo à vida de todos que têm trafegar por ali, sem um mínimo de responsabilidade? Por que não fizeram por trechos, deixando cada um deles pronto antes de partir para outro?
    Alguém acha que o governo se importa (fora da época das eleições)?

  2. camargo Says:

    ah! ia esquecendo… vamos escrever um livro em grupo?

    • Romacof Says:

      Temia não encontrar eco! Por enquanto já temos um coletivo de dois…! Seria interessante um terceiro elemento, crítico, advogado do diabo, que tenha os olhos abertos para fugir dos clichês, desafie com becos aparentemente sem saída, e outras coisas do gênero (conheço dois). (Qualquer dia no Google escreva “Publique seu livro de graça” e veja o que aparece.) Por falar em gênero tenho um “briefing” com posibilidades bastante polêmicas. Se estiver interessado avalie: belisca genoma – o desejo de ter filhos – fertilização assistida – células tronco – eugenia – formação de castas acidentais – política de cotas para humanos considerados inferiores (ou não selecionados) – o ponto crítico populacional – revolta – a ética estaria presente? – quem se impõe? -como os “melhores” podem ser “bons” para os “antigos” mas omitindo uma extinção programada em gametas “desativados” – uma raça eugenicamente produzida não se aproximaria do sentimento nazista? – seriam humanos melhores? – como induzir o leitor a torcer pelos humanos normais mas sabendo que a evolução não perdoa? pois o gen egoista sempre vence! – como sabemos que o último passo nunca é o passo definitivo, quando este homem novo leva a rasteira do homem coletivo? plugado, em rede, num novo estágio?…. trata-se se uma ficção com os elementos biológicos e quânticos atualmente existentes… depois é só pedir para o Arthur sentar o pau criticando e dizendo para todo mundo que os verdadeiros humanos e cristãos JAMAIS devem ler tal BABOSEIRA sob risco de arderem pelo resto da eternidade no mármore do INFERNO – Conheço uma meia dúzia de padres e dois bispos que também falariam mal do livro, e de graça – pronto, sucesso garantido!

  3. camargo Says:

    cuidado, a minha mente ficcionista já começa a trabalhar… tava pensando que essa é uma idéia pra amadurecer, mas logo vi que amadurecer é tudo que essa idéia não precisa, quanto mais verde melhor. Ocasional até ficar pronto, depois amadurece. Já estou pensando por aqui. Quando será que o Arthur se une ao time?


    • Estão brincando, né?

      Estou dentro desde sempre! 🙂

      • camargo Says:

        fiquei aqui pensando em criar uma ficção (é estranho isso, tudo que se cria é criado, é real, se é real, como pode ser ficção?) e nessa ficção intercalar com matérias reais (mesmo que somente dentro de possibilidades). O enredo se desenrola de acordo com as matérias… são idéias que estão fermentando. O que acham?
        Romacof, já passou a idéia esmiuçada para o Arthur?

        • romacof Says:

          Não! Eu não sabia (até 3 comentários atrás) que ele se interessaria num projeto coletivo, ainda mais numa ficção bio-evolutiva…! mas como isto gera polêmica, impasses de caráter sociais e economicos, cotas para os humanos inferiores, alusões ao nazismo, acho que ele se sentiria feliz por contar com vários ítens para sentar o pau… O Arthur seria um ótimo quebra-clichês. A história não pode ser óbvia, e o Arthur é ótimo em não ser óbvio! depois nós teríamos que contar com a crítica dos bispos para fazer sucesso. O briefing, 6 comentários abaixo é apenas um esboço feito de manchetes. O método de juntar as cabeças e as idéias necessitaria de um alinhavo do coletivo via e-mail. Penso misturar pedaços narrativos com reportagens. Tenho 2 finais: um mela-cueca feliz e outro sufocante. Se VOCÊS estiverem realmente interessados eu mando um resumo, onde há becos para serem explorados, finais possíveis, e coisas assim. Vou repetir: Se tivermos um final inicial, o começo é qualquer tropeço, e o recheio será nossa habilidade de falar a mesma língua, fazer com que o novelo só tenha duas pontas, e não deixar a peteca cair! Aguardo resposta.

          • camargo Says:

            eu topo tudo, até pq vai exercitar muito minha capacidade de adaptação a novos modelos de escrita. Quando crio um enredo foco mais na formação do personagem e deixo que ele vá resolvendo seu destino. Isso quer dizer que posso saber por onde começar, sem nunca saber qual vai ser o fim, embora sempre goste de finais surpreendentes (quando tiver um tempo vago, leia meu conto A luz do quinto andar, que tá no meu blog (publicações de 2008). Vc tá propondo dois finais estabelecidos… é um desafio. Gosto de desafios.

      • romacof Says:

        Estar dentro é uma coisa muito perigosa dizia o pequeno mussaranho entre os dentes do T.rex há 70 milhões de anos.


  4. Confesso que hoje estou exausto e minha capacidade de atenção prejudicada, mas espero poder ler o resumo amanhã à noite. Passei os olhos por cima e achei… bem… maluco, né? 🙂

    Quero saber se essa será uma história com moral no final. Vamos tentar passar alguma mensagem? Mas acho melhor não discutirmos nada além disso em público. Que tal criar uma comunidade no Orkut só para nós três debatermos os assuntos em tópicos organizadinhos? Vocês usam Orkut? Ou vivem em outro planeta? 🙂

    • camargo Says:

      uso esporadicamente e com pouca habilidade…mas é uma boa idéia. Esta semana tb estou sem condições de discutir muito, estou fazendo mudança do meu consultório e tem que estar tudo pronto pra trabalhar na segunda.

    • romacof Says:

      1º) Não parece maluco…é maluco! Aliás, como o mundo já é!
      2º) Tem moral no final…e para burilá-la contamos com sua maluquice!
      3º) Não uso Orkut! Vivo num planeta desorkutado, há cerca de 10 meses, pela avalanche de trash.
      4º) Os e-mails são emendáveis e permitem considerações paralelas.
      5º) Os e-mails ainda são um meio mais fechado de comunicação.
      6º) A minha opinião é somente a minha opinião.
      7º) Quando disserem (se disserem): “manda ver”, eu começo daqui e vamos ver como a bola rola…!


    • Sim, o e-mail é bem fechado, mas eu recebo duas centenas de e-mails por semana, dos quais um ou dois são pessoais e o resto é propaganda de loja, apresentação “fofa” em powerpoint, proposta de negócio imperdível de um príncipe africano desterrado que precisa urgente de uma conta bancária para depositar uma fortuna. E tem o fato que eles não ficam organizados na forma de tópicos facilmente navegáveis, o que com o tempo começa a tornar caótico o processo de controlar as atualizações.

      Reconheço que o Orkut em geral está um lixo, mas isso não impede que ele seja usado como ferramenta organizacional se usarmos uma comunidade totalmente fechada. Seria uma ilha de excelência no meio do caos, a que somente nós teríamos acesso e que somente nós enxergaríamos o conteúdo. Visto por este ângulo, como ferramenta privada de trabalho, acho que a estrutura do Orkut é a melhor que temos disponível hoje para discutir questões pertinentes a um projeto… pelo menos entre as que são de uso facílimo e intuitivo.

      O Google DOCs foi criado especialmente para o desenvolvimento de projetos como o nosso, mas eu ainda não sei como funciona. Sei que é possível abrir documentos para edição por várias pessoas e que existe um sistema de comentários, mas não conheço os detalhes e não sei qual o nível de complexidade.

      Sei lá, entre as três possibilidades eu acho que a mais prática – considerando a estrutura de armazenamento e visualização, a simplicidade da interface e a imediata disponibilidade – seria o Orkut e a mais profissional seria o Google DOCs, enquanto os e-mails são meio limitados para a comunicação multilateral.

      Que tal se eu estudar como funciona o Google DOCs, verificar se existem outros sistemas gratuitos de compartilhamento de documentos e fazer um relatório comparando a praticidade do uso do Orkut e destes sistemas para vocês, já acompanhado do meu parecer, prontinho para uma tomada de decisão conjunta? É razoável? Acho que em uns três ou quatro dias – porque tenho uns compromissos familiares neste final de semana – eu teria isso pronto. Autorizam?

  5. cerbero62 Says:

    olha só… aprendi a fazer um gravatar… quem sabe um dia eu aprenda a adicionar um tags no meu blog!!!

  6. Monica Says:

    Rapazes,

    tenho nada com isso não, mas xeretar comentários dos outros numa sexta-feira encalorada me pareceu uma boa ideia. Como vocês estão discutindo onde trabalhar o texto, fica a minha dica: Google Docs, sem dúvida. Arthur, é muito fácil, funciona como um editor de textos normal. Quem abrir o primeiro arquivo envia um convite pro email dos outros dois (abram conta no Google, é facinho e ‘de gratis’), para que eles possam acessar. Daí pra frente, os três poderão editar (recomendo, no começo, talvez usarem cores diferentes no texto, pra cada um saber quem andou mexendo no quê). Funciona muito bem.

    Só para discutir as ideias propriamente ditas, acho que o email dá conta. Eu gosto muito do Gmail, que guarda as mensagens em ‘conversas’. Assim, enquanto vocês ficarem dando reply uns pros outros, fica tudo armazenado como uma conversa só. Um novo título na msg abre uma outra conversa. Pode ser que eu esteja chovendo no molhado, mas é que não sei se vocês três usam o gmail…

    Outra ideia pra trabalhar textos é vocês terem uma wiki. Para trabalhos colaborativos, wikis e Google Docs são, de longe, as melhores ferramentas. Eu uso o Docs direto com os meus alunos e o trabalho que eles fizeram com wikis na minha dissertação de mestrado também funcionou super bem.

    Dado meu pitaco, licença que eu vou apreciar um surpreendente por-de-sol aqui nas montanhas. Parece que a chuva deu trégua por estes lados, finalmente. E tem uma brisa assaz agradável para quem está assando neste calor duzinfernu…


    • O verde é meu! 🙂

      Hehehehe…

      Valeu, Mônica, também acho que o Google DOCs será o mais prático para a edição do texto, vou dar uma conferida ainda hoje (acabo de voltar do casamento da minha prima, quase três da matina, exausto).

      Mas discussão multilateral por e-mail é cruel, especialmente porque em geral recebemos e-mails de muita gente. Para uma discussão organizada de múltiplos tópicos simultaneamente eu ainda acho que o Orkut é mais prático, enfim… vou comparar.

      • Monica Says:

        Vocês também podem abrir um grupo fechado (abrir um grupo fechado é óóóótima…) no Google Groups ou no Yahoo Groups. Eu uso muito os dois também… Me parecem mais flexíveis do que o Orkut, você pode anexar arquivos, fotos, fazer um monte de coisas. Eu prefiro o do Yahoo, mas se vocês não tiverem uma conta lá e forem usar o Google Docs (portanto, abrindo uma conta no Google), pode ficar mais fácil ter tudo em um lugar só.

        • camargo Says:

          e aminha máquina de escrever olivetti onde fica?

          • Romacof Says:

            A sua “Olivetti” vai ficar bem na foto, junto com o meu “TK 2000 Color” (com 64 K de memórias e sem HD), e uma hipotética “Xereta-12 poses” do Arthur.


            • Eu tenho um TK-82 C. Incríveis 2kb de memória, expansíveis para imensos 16kb. Funcionava com fitas K-7 e demorava uns 5 minutos para carregar um jogo de xadrez.

              Xereta 12 poses não rola, mas eu tinha uma Kodak Instamatic, não sei se ainda existe em algum fundo de gaveta, mas vou descobrir no próximo mês, quando me mudar.

              • Franci23 Says:

                Meu pra que vocês guardam tanta velharia?!
                Mas já que estamos em velharia sou obrigado a dizer que tenho meus vínis antigos, tudo da década de 80, muito metal antigo… Tinha que falar isso em algum canto e já que vi o momento museu nos comentários essa foi a minha chance hehehe Ah e o meu vídeo cassete eu consegui vender essa semana para um cara que coleciona fitas de videos, engraçado ver esse tipo de coleção nos tempos digitais…

  7. Franci23 Says:

    É aceitável ver o governo ser subordinado a esse tipo de superfaturamento pois pelo menos o dinheiro indo para o plim plim, faz que ele não vá para os bolsos de algum político que esqueceu que o dinheiro era publico.
    Mas no fim eles preferem fazer propaganda do que fazer algo pelo povo!


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