O futebol e um sonho!

Não sou um amante do futebol. Mas sento e assisto a uma partida a espera da beleza plástica de uma jogada fortuita ou de algum desempenho individual digno de louvor… mas não me emociono com o futebol. Não me emociono porque não acredito na lisura do processo, ou na honradez de todos os elementos envolvidos. Há direções, arbitragem, patrocínios, e  alguns atletas, que não são confiáveis. Alguns jogadores, talvez por possuírem uma mente mais tacanha poderiam ser considerados, inclusive, pelo que demonstram no confronto físico com o adversário, como indivíduos perigosos, facínoras, passíveis de um enquadramento criminal. Há critérios de julgamento nitidamente diferentes para ações de mesmo peso, o que, na somatória desequilibram o jogo, e tornam o resultado mais fruto de uma combinação de fatores aleatórios que nada se relacionam com o pé e a bola. Há narradores esportivos que não passam de torcedores numa posição privilegiada, pateticamente envergonhando a função de um locutor. O desempenho lastimável de alguns jogadores, que ganham como milionários, justificariam sumárias demissões se tudo fosse uma transação  realmente séria. Enfim, o futebol não é um esporte, é um jogo. E, independentemente do fato de que eu goste ou não, arrasta milhões enrolados em suas bandeiras a vibrarem e chorarem emocionados pela sorte de seu time. Pela sorte de seu time! Cara ou coroa, muitas vezes, produziria o mesmo resultado… sem traumas, mas os torcedores fanaticamente acreditam que tudo se resolve exclusivamente pela capacidade e pela superioridade de seu time.

Mas sou gaúcho! E como gaúcho eu sou um amante do meu estado. Nos dois últimos dias assisti aos dois principais times do Rio Grande do Sul empatarem contra um time de São Paulo e um de Minas Gerais, e pelos critérios da competição foram afastados das competições de que participavam. Foram desclassificados por que foram incapazes na utilização das armas necessárias: capacidade, superioridade, sorte, e tranquilidade para enfrentar os inúmeros e visíveis fatores extra-jogo. Torci pelos dois times do meu estado. Jamais torceria por um time paulista ou por um time mineiro  por uma razão simples e definitiva: sou gaúcho. Nasci gaúcho. Eu não nasci gremista ou colorado. Estes dois rótulos perdem totalmente a importância quando confrontados com a razão primária: eu amo o meu estado.

Testemunhei duas carreatas, dois foguetórios, duas execuções de hinos de times de fora do estado, em duas festas que se arrastaram até as duas horas da madrugada, numa cidade de dez mil habitantes. Quanta felicidade imbecil! Quanto amor à terra alheia! Que oportunidade perdida para aplaudir os nossos dois representantes que enfrentaram dois adversários fortes e conseguiram obter dois empates valentemente conquistados. Esta gente não pode ser filha de pais gaúchos. Pois, em defesa de clubismos, desonram o estado em que nasceram e a face de seus pais.

Mas ainda tenho um sonho. Ver o Beira Rio pintado de vermelho e azul, ou o Olímpico pintado de azul e vermelho. Colorados e gremistas enrolados na bandeira do Rio Grande. E os times de fora sabendo que estão enfrentando uma torcida inteligente, uma torcida que tem alma, uma torcida que ama o seu estado.

E, por enquanto, que a guerra fique para os grenais!

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