A Chave Analógica (2ª postagem)

(Se você deseja saber como começa esta história clique aqui.)

Update em 26.03.2010

Tente resumir a coisa assim: você morreu e não há nada, não há sentido, não há objetivos, não é relevante qualquer enlevo espiritual, não valeram os estrondosos esforços estelares em cuspir a poeira que nos compõe e nem as teorias darwinianas que explicam a porra atual, e nem as conjecturas que apontam para uma mente cósmica evolucionária. A vida de cada um de nós não passaria de um peido cósmico. Muito insatisfatório!

Ou quem sabe: um doce anjo lhe dará a mão e o levará por um caminho iluminado onde cânticos celestiais soam como o prenúncio de uma estadia eterna em adoração junto ao Pai Supremo. Isto se você for bonzinho. Se você for do mal o chão será rasgado antes do fim de seu último suspiro e você mergulhará direto no caldeirão do capeta para ser fervido e espetado por toda a eternidade. Teorias extremas para depois da vida.

Nós queríamos uma visão fugaz e intelectualizada do sentido da vida. Agora. Não as hipóteses post mortem. Esta era a procura.

Gerson alegava a existência de uma dimensão que rotulava como “o” nada! Não o nada formal da negação de qualquer conteúdo ou continente, mas aquilo que nós sabemos que está interiorizado em toda e qualquer partícula deste universo, aparentes ilhas de misterioso vácuo, onde o sentido do que nos é físico se perde, mas que conteria a verdadeira rede que “cola” e torna único este colossal subproduto do big-bang. Nós nos sentíamos atraídos pelos reflexos desta rede, exteriorizada em todas as manifestações que a natureza fora capaz de inventar, mas que aqui e ali deixava fiapos de mistérios que agiam como um imã sobre as nossas mentes ávidas. A possibilidade da existência desta rede alimentava o enlevo e as conjecturas sobre uma futura e longínqua mente cósmica evolucionária. Um sonho que ultrapassa qualquer egocentrismo.

Para cada um de nós individualmente, e nossas consciências efêmeras, a passagem para qualquer outro plano, cuja descrição foge de nossa capacidade conceitual, é um fim, sobre todos os pontos de referência que nos dizem respeito. Nós sabemos que é irrelevante teorizar a respeito. O “morreu, morreu, antes ele do que eu, foi bom enquanto vivo mas agora já fedeu!” vale tanto quanto quaisquer outras formas mais respeitosas para com o defunto.

Acho que a questão da interpretação sobre a morte tem mais relevância para os que ficam! Recentemente observei isto bem de perto, e eu era o morto!

Não tínhamos o desejo de saber tudo, ou ter um acesso mágico aos alegados registros. Em princípio os mais velhos nos consideravam uns alienados, de forma muito semelhante como a minha geração, agora velha, acha a juventude atual. Esta é a síndrome da contínua falta de comunicação entre as gerações. Naquela época a preocupação era estar envolvido com algo mágico. Isto foi um movimento. Estava em toda parte. Assim como hoje há emos, punks, darks, grunges, neo-nazistas e senadores, naquela época havia os hare krishna, os seguidores de Rajneesh, e grupos heterogêneos como o que descrevi na história. Havia uma ansiedade em descobrir algo que transcendesse a dimensionalidade do dia-a-dia. E ocasionalmente aconteciam coisas interessantes!

4ª PARTE – OS GUERREIROS E SUAS ARMAS

            Minha intenção era não ir mais à casa de Gerson, mas as sensações eram muito variadas e oscilantes. Sentia raiva, medo, indignação, necessidade de não ficar na ignorância no meio de um caminho incompleto, e desejo de respostas. A necessidade de não ficar o resto da minha vida com perguntas entaladas na garganta moveram minhas pernas e quando percebi cheguei à casa do velho.

            Lá só estávamos eu, Talis, Julio, e Gerson. Talvez Luana e Juliana chegassem depois, mas o tempo foi passando e percebi que as ausências haviam sido arranjadas.

            Como se qualquer introdução fosse absolutamente desnecessária, Gerson iniciou sua preleção soturna e uniforme: “Sim! Somos peças de um jogo! Não de um jogo meu, afinal eu também faço parte deste jogo como… usando uma palavra sua, como um peão! Talvez eu seja um peão com alguns privilégios pois sei de coisas que alguns de vocês não sabem! A minha função aqui seria a de um coordenador, quem sabe? Como em todo jogo o nosso objetivo também é ganhar, obter a vitória… eu diria que estamos participando, na verdade, de uma luta, ou de uma batalha. Neste caso a vitória pode representar a vida… a vida individual de um dos guerreiros, ou a vida da causa.. do motivo da luta.”

            “Na verdade eu sei por que cada um de vocês chegou até mim. Além da atração por aquilo que vocês definiram que eu represento ou posso vir a representar individualmente para cada um de vocês, todos vocês possuem uma qualidade, uma capacidade específica… ou, pelo que vejo nos olhos da imaginação de alguns de vocês, um dom, um poder, mas esqueçam estes rótulos fantasiosos e nada úteis… eu prefiro dizer que cada um de vocês possui uma arma!” Talis não se conteve: “Defina melhor isto aí: batalhas, armas, planos desconhecidos, Alexandre deixou de ser um de nós, e pelo que vimos, pode ser um inimigo perigoso. Falo por mim mas garanto que todos aqui estão pensando a mesma coisa: quando começa a correr o nosso sangue?”

            Gerson esboçou o seu arremedo de sorriso e respondeu: “Não há sangue no lado de cá desta luta meu valente guerreiro, talvez alguns arranhões psicológicos, mas nada que os vá deixar um pouco mais loucos do que já são.”

            “Você está se contradizendo” – retruquei – “havia deixado bem clara a diferença entre um jogo e uma batalha exatamente porque, nesta última, vidas podem ser perdidas.”

            “Você não prestou bem a atenção no que eu disse anteriormente” – respondeu Gerson – “eu disse que neste tipo de batalha a vitória representa a vida, ganhar a vida, eu não disse que a derrota representa a morte…! Ganhar a vida significa conseguir um tipo de realização que o jogo nunca poderia nos oferecer. O que se ganha do jogo é efêmero. O que se ganha na batalha marca o guerreiro com o sinal da vitória de uma forma que ele não poderá ser apagado. Este sinal fica gravado em sua alma.”

            “E o que nos acontece em caso de derrota?” – perguntei.

            Houve uma longa pausa como se Gerson escolhesse dentro de si a melhor resposta e não encontrasse as palavras corretas. Por fim ele grunhiu: “Uma frustração muito amarga!”

            Depois, recomposto, continuou: “Quanto ao inimigo Alexandre vocês já podem considerá-lo fora da batalha. Ele está queimando as suas armas. E elas não são eternas quando usadas de forma errada. Em breve teremos notícias dele! Na verdade ele, com toda sua empáfia e sua arrogância, também foi um peão neste jogo. No íntimo eu gostaria que ele tivesse usado toda a sua força no sentido que julgamos correto. Ele seria um aliado de muita valia se a essência dele fosse fazer parte do conjunto dos espíritos que um dia almejam a unidade. Mas… o desejo da conquista é um vício muito insidioso e poderoso.”

            Interrompi a narração: “Você está divagando Gerson!”

            Mas ele sorriu e disse: “Não, não estou, um dia posso contar a vocês sobre o Princípio… e sobre o Fim, e vocês vão juntar todas as peças, e verão que não estou divagando! Nestas questões muitas coisas têm a aparência de uma divagação, ou de uma fantasia. Se eu lhes contasse, agora, onde fica o nada e o que há lá dentro dele, vocês ficariam convencidos de que já estou louco há muito tempo. Talvez minha narrativa não seja tão linear como a de vocês, bem mais jovens, ou talvez a minha linearidade só lhes pareça como fios soltos porque a história é exatamente assim quando você a conhece! Mas… só acompanhem o que lhes vou dizendo e verão que tudo está concatenado… embora, tenho certeza, nem todos ficarão satisfeitos, pois nem tudo pode ser dito antes do devido tempo.”

            “Hoje, com a ausência das meninas é importante que aproveitemos o tempo para falar delas, ou do que ocorreu aqui naquele dia. Todos perceberam a grotesca demonstração do Alexandre. Em resumo ele deixou claro que podia usar a energia de seus chakras focalizando-a na sexualidade de Juliana. Mas para que? O que ele ganhou com isto? Além de obter o repúdio de todos nós ele cometeu um erro grosseiro para um indivíduo com este poder: ele se revelou!”

            Todos nós concordamos que aquela interpretação não nos havia ocorrido! Porque Alexandre se denunciara gratuitamente? Independentemente de sua personalidade controversa ele era um indivíduo inteligente, e, só agora, percebíamos que sua revelação fora um ato estúpido. Esperamos a continuação de Gerson que parecia ser o único que tinha uma resposta.

            “Ele não agiu daquela forma porque quis. Ele foi manipulado. Ele foi instruído a usar a chave analógica para liberar de forma desastrosa o kundalini, porque este desejo já fazia parte da psique daquele rapaz. Ele deve ter levado o desenho a pessoas sem escrúpulos que sentem prazer em lidar com o lado insólito. Estas pessoas não são inimigos reais. Muitos me detestam por vários motivos. São indivíduos estúpidos, sem cultura, que se divertem com o sofrimento dos outros, mas que infelizmente têm acesso ao conhecimento imaterial que já foi disseminado há muito tempo. Aqui, naquela noite, Alexandre tentou usar sua energia sobre Luana, mas ele não sabia que o conhecimento do kundalini é a arma dela. Ela o rejeitou e a sexualidade de Alexandre se voltou para a outra figura feminina que estava presente. Jonas tem um dom: ele percebe quando uma pessoa não é ela mesma ou está sob forte influência externa. Mesmo assim deixamos que Alexandre se voltasse para Juliana. Ela dissimulava muito bem, mas aceitaria as atenções vindas dele, pois já colocara sua receptividade hormonal instintivamente voltada para Alexandre. Deixamos que a demonstração de Alexandre acontecesse. Pois sabíamos que seria possível reverter qualquer mal através de Luana e Violeta. Desta forma permitimos que Alexandre utiliza-se toda sua energia naquele ato, e isto nos abriu a porta que precisávamos. Juliana não sabe o que ocorreu e acredito que todos nós concordamos que deva permanecer assim. Luana não vai gostar nem um pouco se comentarmos sobre o seu domínio sobre o kundalini. Evitem falar disto quando ela estiver presente. Quanto a Julio, ele não se importa de que saibam de sua habilidade.”

            Fez uma pausa e continuou: “E vocês dois agora estarão se perguntando: quais são nossas armas? Que porta misteriosa é essa que foi aberta? Estas perguntas eu vou responder no tempo devido. Eu disse que nem todos ficariam satisfeitos com as minhas respostas.” Depois Gerson fez uma longa pausa, como se desse a conversa por terminada, mas voltou a falar:

            “Há outras perguntas que também não foram respondidas. Nós temos uma meta, é verdade. Há um plano. Este plano foi arquitetado há muitos e muitos anos. Na verdade ele não é um plano único. Nós somos como uma célula. Aquilo que fazemos vem sendo feito por muitas gerações e certamente, neste exato momento, em algum lugar do planeta, outras células vivem o mesmo dilema. Muitas fracassam. Eu diria que muito poucas atingem o seu objetivo. Vocês formam o quarto grupo que coordeno durante a minha vida. Fracassei em todas as três vezes anteriores. Talvez alguns de vocês venham a sentir o chamado que me transformou num… guardião. Acho que este é um nome como outro qualquer, mas que define bem a minha finalidade nesta batalha. As perguntas que agora ouço nas cabeças de vocês são: “Quem é o nosso inimigo? Qual é o nosso objetivo?”

            Todos concordaram com a cabeça, mas Gerson se levantou e disse: “Hoje estou muito cansado. Vou pedir que me perdoem, mas nós precisamos continuar em outro dia.”

            “Ah!” – Gerson agiu como se naquele momento recordasse de um assunto sem muita importância. Ele tirou do bolso dois círculos de papel, com desenhos semelhantes ao que estavam no papel que dera a Alexandre, e deu um para mim e outro para Talis – “estes são os mandalas de vocês, vocês vão saber usá-los.”

5ª PARTE – VENDO COISAS

            Nos dias seguintes a vida de todos tomou rumos inesperados. Houve uma dispersão imprevista. As clínicas em que eu trabalhava sofreram abalos financeiros e passei a ver com melhores olhos uma idéia antiga: escolher uma cidade do interior onde pudesse me estabelecer. Não vi mais Luana e Juliana. Só voltamos a nos encontrar muito tempo depois. Gerson conseguira um trabalho em Camaquã: aparentemente a instalação elétrica de uma casa, e que lhe tomaria um bom tempo. Às vezes encontrava Talis e Julio, mas as nossas conversas eram triviais, embora, inevitavelmente, escorregassem pelo assunto que nos unia. A impressão que ficava era de que a ausência de Gerson nos fizera perder o rumo nas questões que se relacionavam a ele. E os mandalas? Por que mandalas? Para que serviriam? Como assim: ”vocês vão saber usá-los”! A dispersão do grupo deixara um vácuo. Além dos desenhos, que cada um de nós olhava incontáveis vezes, quase ao ponto de decorá-los, muitas perguntas haviam ficado sem uma resposta.

            Eu havia recebido uma boa proposta de trabalho. Assumir um pequeno hospital na cidade de Candeias. Já visitara a cidade. Fora bem acolhido, minha família adorou o lugar, e tudo indicava que meus dias em Porto Alegre estavam contados.

            Um mês depois, numa quinta feira, Talis descia a João Pessoa e me encontrou na porta do restaurante universitário: “Cara! duas noticiais! Primeira: o Alexandre está no Clínicas fazendo todo tipo de investigação para uma paralisia progressiva…não anda, tem dificuldades para falar e comer, e a família quer levá-lo para os Estados Unidos porque aqui não chegaram a diagnóstico nenhum. O prognóstico não é nada bom. A coisa é de fazer pensar…”

            “Sinistra…” – interrompi– “… você quer dizer que a coisa é sinistra… e o Gerson, ninguém tem noticiais do velho?”

            “Esta é a segunda!” – continuou Talis – “O velho andou por aí e teve uma reunião com as meninas há alguns dias atrás! Quem me contou foi Luana. Parece que a Juliana recebeu uma missão, e está toda eufórica, se sentindo a favorita do velho. Nós temos que conferir isto… você sabe que pode dar merda. A Juliana é uma criança, e veja o que caiu em cima do Alexandre.” Concordei com Talis. E naquela quinta a noite nossas pernas mecânicas, temerosas e impacientes, nos levaram para a casa de Gerson.

            Violeta abriu a porta e nos convidou para entrar. Só Julio estava na sala. A esposa de Gerson explicou em seu sorridente sotaque luso-angolano que o marido voltara para Camaquã, mas que na semana seguinte já estaria de volta. Acrescentou que podíamos ficar a vontade e conversar como de costume. Neste momento Luana chegou. Era a primeira vez que nos reuníamos após o episódio que culminara com a expulsão de Alexandre do grupo. Houve um estranho e formal cumprimento embora todos ali fôssemos conhecidos de longa data e tivéssemos muitos assuntos em comum para nos considerarmos amigos íntimos. Luana pareceu adivinhar a nossa necessidade de saber dos detalhes do contato que ela tivera com Gerson e Juliana e naturalmente tomou a palavra: “Na quinta passada, por acaso, encontrei o velho em uma loja de ferramentas no centro. Ele parecia estar com muita pressa e sem tempo para qualquer conversa, mas ao se despedir disse:” “Aparece lá em casa hoje no fim da tarde, e leva a Juliana, eu acho que ela vai gostar de uma coisa que arrumei pra ela!”

            E foi assim que numa narrativa direta, mas cheia de lacunas soubemos por Luana que Gerson dera à Juliana a incumbência de fazer uma visita a cidade de Candeias. Logo Candeias, a cidade que fazia parte dos meus planos imediatos de trabalho! E que Juliana fora até esta cidade com o objetivo específico de investigar o que Gerson chamava de uma anomalia que estaria ocorrendo nos galpões de um criador de porcos da região. As perguntas choveram! Neste momento tive algumas percepções incomuns que não consegui definir como ilusórias ou se algum transtorno neurológico transitório resolvera se instalar em minha mente naquela sala sempre mal iluminada. Vi ou senti que Luana apresentava uma reverberação esverdeada em torno de seu corpo. Isto me deixou indeciso sobre minha participação no intenso questionamento que se seguiu. Optei por ficar quieto e observando.

            Talis, o mais veemente, perguntava: “Juliana? Sozinha numa cidade que ela não conhece? Mas ela lá tem idade para investigar qualquer coisa… ainda mais uma… ora, vocês sabem muito bem o que Gerson quer dizer com anomalias!” Julio completou: “Ela deveria ter ido acompanhada, seria mais seguro; e você tem idéia de que tipo de coisa, ou melhor: ela tem alguma idéia do que deve investigar?”

            “Eu também me preocupei com Juliana e perguntei ao Gerson sobre a natureza desta anomalia, mas vocês conhecem o velho quando resolve fazer mistérios… ele explicou em detalhes a missão só para Juliana. O que pude apurar é que ela pode perceber a tal coisa mas que esta coisa não pode atingi-la!” – enquanto falava, aos meus olhos, mais verde ficava Luana, e o brilho desta cor estranha chegava a tingir os ombro direito de Julio que estava sentado a seu lado. Percebi também que Talis esfregava os olhos como se sentisse um desconforto visual e num determinado momento ele se levantou e disse: “Bem pessoal! O que está feito está feito e se der merda só vamos saber na semana que vem! Hoje vou embora mais cedo! Minha cabeça dói! E já vi que neste papo só vamos nos enrolar mais sem chegar a lugar nenhum.”

            A verde Luana também se levantou e disse para Talis: “Mas espere! Há um recado para você! O Gerson pediu empenho com o mandala que ele lhe deu. Pois se a missão de Juliana for positiva, você vai ter sua chance de usá-lo!” Por um instante maluco vi uma Luana esverdeada frente a frente com um Talis alaranjado. Também me levantei e me despedi de Julio e Luana. Na rua, Talis, agora vermelho-alaranjado, me olhava de um modo estranho: Perguntei “Está tudo bem com você, cara?” Talis respondeu: “Sei lá! De repente parece que todo mundo ficou colorido, e isto está me dando uma dor de cabeça de rachar o casco”

(continua)

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