A Realidade do Nada!

 

A0DKFE

A realidade. A vida de cada um. Aquilo que todo ser humano sente como única. Nós, e antes de nós as inúmeras gerações que o tempo se encarregou em transformar em pó, e depois os seres humanos que ainda não foram gerados. A vida de cada um. A realidade de cada um. A realidade que é o conjunto das percepções resultantes do atritar constante com a matéria que nos circunda, e, também, resultado do atritar constante com as percepções dos que nos circundam. Eis a vida!

 Esquecendo um pouco o próprio umbigo observamos que aquilo que convencionamos chamar de realidade se enquadra num ângulo muito estreito do espectro visual. A nossa única visão. Tomando duas realidades, segundo a interpretação de duas pessoas que vivem a vida entrelaçadas quase como se fossem um só indivíduo, teremos duas vivências tão diferentes, que passa a ser infinitamente impossível imaginar o conjunto dos conceitos dos bilhões de realidades coexistentes.

Para cada um de nós a própria realidade parece ser a única verdade. E se tomarmos como verdadeira a premissa de que cada um de nós é o próprio centro do universo esta interpretação individual não deixa de ser verdadeira: “Se sou o centro do universo e este centro se desloca de acordo com o meu movimento e se o universo se molda conforme minha percepção, vinha vida como a percebo, é a única realidade existente.” Mas e os seres que nos circundam?  Cada indivíduo não poderia reclamar este mesmo direito?

 Conclui-se que a totalidade das realidades no âmbito planetário, cada qual auto-declarada única, nesta reclamatória justa e generalizada, vai gerar uma grande impossibilidade. Se todas as realidades individuais são diferentes entre si, nenhuma pode reclamar para si o direito de ser a verdadeira. E, se nenhuma é verdadeira, as realidades individuais, que envolvem a vida de cada um, não passam de meras interpretações individuais. Simples visões pessoais.

Mesmo a grande realidade que aparenta servir de pano de fundo para todos os acontecimentos humanos pode ser largamente questionada. A história foi o que aconteceu? Quem a escreveu? Quem a re-escreveu? O presente é tão efêmero que mil olhos atentos descreverão um milhão de interpretações do mesmo fato! Você concorda com o conceito das cores e das formas ou isto não passa de um acordo geral para facilitar os relacionamentos. Se entrarmos nos núcleos das substâncias, e depois nos prótons e nêutrons, e depois nos quarks, vamos encontrar o quê? Vamos encontrar uma irrealidade! Pois tudo indica que não há nada por lá. A física encontra dificuldades para teorizar a existência daquilo que vemos. Cordas, ondas, redes, saltos de energia entre dois nadas que os transformam dinamicamente em algo que aparentam existir aos nossos olhos! Nossa mão só não atravessa a mesa porque a tensão eletrostática das duas irrealidades impede que os nadas se misturem!

São as irrealidades que nos servem de apoio. Nos apoiamos no nada, pois as realidades que tanto valorizamos e em cima das quais construímos nossas vidas são meros artifícios. Elas não existem! São apenas um sopro! São apenas o registro das interpretações dos fenômenos cósmicos. São apenas uma transformação convencional dos processos energéticos em depósitos químicos neuronais. Olhamos para o interior de todas as coisas que compõem a nossa realidade e vemos apenas uma paradoxal e imensurável rede de vazios que preenchem o todo.

Não haverá nada lá no fundo? Nossa memória é um mero jogo virtual? transportada por mecanismos sensoriais feitos de nadas irreais para que tenhamos uma história para contar?

Mas há um outro modo de contar a história!…sem negar a primeira!

 

Anúncios
Explore posts in the same categories: Chave Analógica, Contos

Tags: , , ,

You can comment below, or link to this permanent URL from your own site.

7 Comentários em “A Realidade do Nada!”


  1. […] Não existe o Nada Caro Sá… […]

    • romacof Says:

      Processando…! Depois de uma certa idade só assim!
      1)-14/04/2009 às 15:47 –> Não existe o Nada Caro Sá!
      2)-15/04/2009 às 21:37 –> Dr Cló???
      3)-16/04/2009 às 01:02 –> !?!?!

      1) (O nada – que nem existe – não merece maiúsculas, Caro Sé!) Mas há quem olhe para o mundo e diga: “eu estou vendo tudo!” mas não está vendo dentro de si! E há quem de olhos fechados diga: “eu não estou vendo nada!” mas está olhando para dentro de si!
      2) O que “Dr Cló???” tem a ver com as calças?
      3) Sem comentários?

  2. pablo Says:

    Existe o nada,é só abrir os olhos

  3. Li Says:

    Eu sou o mundo, de sonhos, que me rodeia e o mundo,de sonhos,que rodeia sou eu.

    Sou tudo e sou nada.

    • romacof Says:

      Esta história abre a Chave Analógica que foi uma longa correspondência postada com Alan. Como justificar uma vivência extranha explicada como um toque no espaço existente entre as partículas? Há muitos tipos de loucuras espalhadas por aí! Eu já não sou o tudo e nem o nada. Eu não sou!

  4. Li Says:

    Sorte sua,rs.
    Eu ainda estou presa no “ser alguma coisa”.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: