Caros cidadãos!
Permitam-me explicar a dinâmica necessária do crescimento à luz de um posicionamento neoclássico.
Os princípios keynesianos colocam a auto regulação do mercado como utópica, e que ao Estado só cabe oferecer os benefícios sociais reguláveis que deem à população um padrão minimamente definível. E até há coerência quando afirmam que o sistema capitalista nunca conseguirá promover o pleno emprego. No entanto, nós, da Corporação, que sabemos ser uma obrigação quase messiânica do Estado intervir na economia, temos, não só o direito, mas o dever, de criar balões de expectativa que apontem para um crescimento, mesmo que não uniforme, do tecido produtivo consumista. O rótulo de provedor do bem estar social, que nos atribuem, inclui esta tarefa ocasional. Para o cidadão comum, a aquisição de um pequeno bem cria uma somatória psicológica positiva que se reflete no todo do corpo social (Ficou bonito isso, não?). Portanto, não vejam chifres em cabeça de cavalo. Usando um exemplo simples, mas que mostra a complexidade que vos escapa, embora, a nós, seja transparente, o futuro mostrará que um incremento na venda de veículos nos levará ao aumento dos buracos nas estradas, e a mais pneus furados, e a mais trabalho para os borracheiros, e a mais verba reservada para a compra de cerveja e, consequentemente, a mais felicidade nos dias da copa.
Como veem, é simples!
Nada mais justo que uma pequena parcela, no cômputo dessa engronha, a partir da panorâmica visão de quem vê o todo e não apenas as peças, como vós, recaia nas burras corporativistas, pois, nos ditos de Camões, pensar também é trabalho!


